Papo de Mãe
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Por que a avaliação do líquido amniótico é importante?

A Dra. Ligia Santos, colunista do Papo de Mãe, dá detalhes sobre a produção do líquido amniótico

Fernanda Fernandes* Publicado em 28/04/2022, às 06h00

Dra.Ligia Santos, colunista do Papo de Mãe
Dra.Ligia Santos, colunista do Papo de Mãe

Você sabe o que é o líquido amniótico?  Sabe por que é tão importante fazer uma avaliação dele? Que ele é um indicador de saúde e sua alteração está relacionada com várias condições de risco materno e/ou fetal? A doutora Ligia Santos, ginecologista, obstetra e colunista do Papo de Mãe explica todos esses questionamentos.

Quando uma mulher grávida faz um ultrassom, é muito comum focar no bebê, verificar se se ele cresceu, se está engordando, qual é o sexo. Mas uma das coisas mais importantes para também ser avaliada no exame de ultrassonografia é a quantidade de líquido amniótico que é produzido, pois ela reflete se a gestação está indo bem ou não.

Vale ressaltar que tanto o líquido em quantidade aumentada, quanto o líquido em quantidade reduzida mostram problemas que podem estar ligados à mãe, ao bebê ou aos dois.

Ligia explica que o líquido amniótico é formado principalmente pela urina fetal, então, por volta de dez e doze semanas de gestação, o feto começa a produzir urina. Essa produção apresenta um pouco de líquidos pulmonares. Só que por um lado, ele produz a urina, e por outro lado para fazer o controle desse líquido o feto começa a deglutir.

Quando a gente pensa em excesso de líquido, um nome técnico é ‘polidrâmnio’ e a gente faz o diagnóstico de polidrâmnio basicamente através do ultrassom. Mas como é que o médico vai desconfiar? Não é fazendo um ultrassom aleatório, é através do nosso pré-natal. Quando você faz o pré-natal, uma das etapas é medir a sua barriga, e se o médico faz a medição da barriga e percebe que ela está muito maior do que ela deveria, uma das coisas que ele vai desconfiar, além de ser mais que um bebê, de você ter alguma coisa a mais, algum tipo de tumor, é de que tem mais líquido do que deveria. E então será realizado um ultrassom para avaliação”.

Assista ao vídeo completo 

Quais são as causas para esse líquido estar aumentado?

 A ginecologista conta que existem causas ligadas à mãe, como o diabetes. “A quantidade aumentada de açúcar no sangue da mãe, passa para o bebê, e o bebê como reflexo, aumenta a quantidade de urina produzida e faz com que o líquido aumente também”.

Outro fator que pode acontecer é a isoimunização Rh. As mães com RH negativo, que tem fetos com RH positivo, podem ter polidrâmnio por conta de um processo de compensação fetal.

Além disso, existem algumas viroses, como a toxoplasmose, sífilis, megalovírus, rubéola, que também podem interferir, causando polidrâmnio.

 Por fim, problemas de malformação fetal, principalmente malformações do sistema nervoso central - pois isso impede o reflexo de deglutição que faz com que exista um controle da quantidade de líquido, ou malformações no trato gastrointestinal. “Algum tipo de fechamento de atresia do esôfago, estômago, intestino pode fazer com que esse líquido não seja absorvido de uma forma adequada, entre outras malformações”.

Como fazer o diagnóstico da quantidade de líquido reduzida?

Através do pré Natal, o médico vai medir a barriga da gestante - em alguns casos, ele consegue sentir partes do feto, o que não é bom – logo depois ele irá pedir um ultrassom para poder avaliar e ver se tem uma quantidade inadequada de líquido.

“No caso da redução de líquido, do “oligoidrâmnio” existem causas relacionadas a mãe, assim como o polidrâmnio, e a principal é a hipertensão, porque faz com que exista uma insuficiência placentária. Então a placenta ela não consegue alimentar o feto de uma forma adequada para que ele produza a urina na quantidade que é necessário, e então ele acaba ficando um feto restrito, pequeno e que não tem uma produção adequada de urina”.

Ligia também explica que outro motivo é a questão das malformações fetais. Segundo ela, nesse caso, não seria uma má formação de trato gastrointestinal ou de aparelho de sistema nervoso central, seria uma má formação geniturinária, na qual o bebê não consegue produzir uma quantidade suficiente de urina.

A médica complementa dizendo que uma coisa importante é que o líquido amniótico, que serve para expandir o pulmão - preparar esse bebê para nascer - se estiver reduzido a expansão que começa na barriga, não ocorre. O que é extremamente grave e faz com que o bebê não sobreviva.

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Quais são os perigos da alteração de líquido?

Nos casos em que a mulher tem muito líquido, ela tem uma grande chance de ter um trabalho de parto prematuro, pois o útero expande tanto, que não consegue mais dar conta e começa a contrair para expulsar o que tem lá dentro.

Quando eu penso na mãe, essa expansão toda do útero também pode atrapalhar no sentido de dificultar a contração pós-parto. Essa mulher pode entrar num processo chamado atonia uterina, que faz com que ela tenha tanto sangramento, que em alguns casos é necessário retirar o útero para que ela não perca a vida”.

Já no caso da restrição de líquido, uma coisa que acontece segundo a doutora é morte fetal dentro da barriga. “A gente sabe que o bebê não está crescendo, que ele não está recebendo nutrientes suficientes. E eventualmente eu posso ter uma morte súbita por conta disso”.

Além disso, Ligia relata que pode ocorrer uma compressão de cordão que também pode causar morte súbita no bebê. E a questão da hipoplasia pulmonar.  

Por todos esses riscos, a ginecologista reforça que é importante que você faça o controle de pré-natal adequado.

Pré-natal é salvador de vidas. É importantíssimo que a gente faça, que a gente busque ter sempre um plano de saúde de qualidade. Parte do trabalho é um médico que vai fazer, mas uma parte importante é você que vai fazer. Então, se você descobriu que está grávida, começa logo a fazer esse pré-natal. Tem exame para fazer, faça todos, e no caso de descobrir algum tipo de anormalidade, não precisa ficar desesperada, o médico vai te pedir os exames necessários, você vai fazer o segmento e evitar um desfecho neonatal muito desfavorável” finaliza. 

*Fernanda Fernandes é repórter do Papo de Mãe

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