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Novo aliado do Km Solidário: Menino Maluquinho se junta ao aplicativo

Em entrevista ao Papo de Mãe, o co-criador do Km Solidário, André Kok, explica o funcionamento do aplicativo e a parceria com Ziraldo

Maria Cunha* Publicado em 21/06/2021, às 18h27

Menino Maluquinho se une ao Km Solidário para incentivar a prática de atividade física e o hábito de doar
Menino Maluquinho se une ao Km Solidário para incentivar a prática de atividade física e o hábito de doar - Arquivo do Km Solidário

Um dos maiores fenômenos editoriais no Brasil, o personagem premiado que foi criado pelo escritor e cartunista Ziraldo, o Menino Maluquinho, é o novo mascote do Km Solidário. O aplicativo que revolucionou a forma de beneficiar o terceiro setor, a partir da captação de recursos, e que foca em cinco pilares: social, educação, meio ambiente, proteção animal e saúde.

O projeto é resultado de uma parceria com a ZAP – Ziraldo Artes Produções, que fará com que o Menino Maluquinho, um personagem clássico, seja um mensageiro e incentive o público, por meio de artes, posts, anúncios, tirinhas e ações exclusivas para o aplicativo, a participar do Km Solidário, se movimentar e engajar essa ideia.

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O Km Solidário

Desenvolvido por Saulo Marchi e Andre Kok, o projeto começou formalmente no dia 1 de fevereiro de 2021, tendo como missão combater o sedentarismo, desenvolver a cultura de doação e impactar positivamente o terceiro setor. Nesses quase cinco meses de atividade, o aplicativo conta com mais de 75 mil usuários e já foram doados R$400.000 em prol de instituições, como o GRAACC e IPÊ (Instituto de Pesquisas Ecológicas) Ambiental.

Além dessas, o Km Solidário distribui os valores arrecadados entre outras 10 entidades, são elas: Fundação Gol de Letra, Casa Ronald-RJ, Instituto Horas da Vida, Colégio Mão Amiga, Pernas de Aluguel, SOS do Câncer, Ampara Animal, União Br, Arrastão e AroMeiaZero. Estrelas do esporte brasileiro, como Oscar Schmidt, Tande, Lars Grael, Virna Dias, Vladmi dos Santos, Glenda Koslowski e Cacá Bueno, são embaixadores do app.

O modelo de negócio é simples: conectar praticantes de atividades físicas a projetos e empresas que buscam contribuir para a redução da desigualdade social e econômica no Brasil. Para isso, todas as pessoas baixam o aplicativo do Km Solidário, de forma gratuita, disponível para Android e iOS, e, a partir do momento que o usuário tiver o app, toda atividade física feita, seja uma caminhada, corrida ou natação, a partir de 100 metros, ele doa os quilômetros dentro do aplicativo. Em cada atividade feita, é possível escolher uma instituição diferente pra fazer a doação. Com isso, a plataforma converte os quilômetros percorridos nas atividades físicas em doações para instituições parceiras. É importante dizer que doações financeiras só são possíveis com ajuda de patrocínios e parceiros comerciais, como a Positive Brands.

“É uma receita que a gente busca junto às empresas que querem se associar ao aplicativo, depende do valor resultantedas ações que a gente faz com empresas. Um exemplo foi uma ação que a gente fez recentemente, era uma corrida virtual, na qual os funcionários doavam quilômetros e a empresa fazia o plantio de árvores para cada funcionário que se inscrevia nessa corrida”, explica André Kok, um dos idealizadores do projeto.

Com base em sua receita, o Km Solidário calcula quanto cada uma das instituições vai receber. André Kok, explica, de maneira prática como o processo ocorre: “Vamos considerar que a gente tivesse R$100.000 pra doar e o SOS do Câncer tivesse recebido 20% dos quilômetros, ele receberia R$20.000. A gente faz aqui o escalonamento para cada uma das instituições de acordo com a quilometragem recebida”.

Como surgiu a parceria

De acordo com André, a parceria surgiu de uma forma inusitada. O co-fundador do Km Solidário participou de um podcast da rádio CBN, o CBN Professional, e no final do podcast, ao indicar sugestões de livros aos ouvintes, ele recomendou o do Menino Maluquinho.

“Eu realmente acreditava e acredito que se as crianças fossem estimuladas a ler livros que elas se identificassem e gostassem, elas desenvolveriam o gosto pela leitura e, com isso, se tornariam leitores ávidos. Veio na minha cabeça que o fato de ter lido livros como os do Menino Maluquinho me ajudaram a desenvolver o gosto pela leitura, eu ressaltei muita importância disso na minha infância”.

Entre dois meses e três meses depois, a equipe do Km Solidário recebeu um e-mail de uma pessoa que tinha ouvido, achado a história pessoal de André muito interessante, e que tinha ficado particularmente emocionado com a forma que ele tinha se referido ao Ziraldo e ao Menino Maluquinho. Essa pessoa era Cláudio, genro de Ziraldo, contando que o escritor havia se sensibilizado, gostado muito da história do Km Solidário e que queria entender melhor para fazer uma parceria.

“A gente foi conversando, pensando em um formato que poderia ser interessante tanto para o Km Solidário, quanto para o Menino Maluquinho. Então, a gente anunciou o Menino Maluquinho como o mascote do Km Solidário e isso me deixou bastante feliz não só pelo que representa o Ziraldo dentro da literatura infantil brasileira, como a própria trajetória do Menino Maluquinho. O Maluquinho sempre foi solidário, uma criança com uma reputação imaculada, então é uma coisa muito bacana para a gente pensar junto em ações”, conta um dos idealizadores do Km Solidário, André Kok.

André ainda fala que o próprio Ziraldo, com 90 anos, fez questão de revisar o texto do projeto pessoalmente, se envolvendo empolgado com o projeto.Para André, isso sinaliza a possibilidade de explorar essa parceria em várias frentes.

“Quando a gente diz que tem a missão de combater o sedentarismo, que é uma missão extremamente ambiciosa, eu acredito que existe um trabalho de base a ser feito, um trabalho com as crianças nas escolas, e a gente poder contar com a figura do Maluquinho nesse trabalho vai ser muito importante, porque se a gente começa a enraizar desde pequeno nas crianças a importância da atividade física, o impacto do hábito de doar, eu acredito que isso é uma coisa que as crianças vão levar para a vida inteira até o além. Eu acho que as crianças tem uma capacidade de influenciar a família, então, pensando aqui em algo que eu vislumbro, a criança chegando em casa falando que leu sobre o Menino Maluquinho e que ele estava muito empolgado com os esportes e ele via como esporte pode transformar a vida dele e a de outras pessoas, estimulando os pais a se movimentarem, a caminharem, pedalarem”.

O co-criador do Km Solidário pontua que sabe que as mudanças propostas não serão efetuadas do dia para a noite, já que os dois pontos apresentados: mudança de mentalidade em relação ao sedentarismo e cultura de doação, são mudanças culturais e uma mudança cultural não é imediata.

“A gente quer focar nessa parceria e trabalhar junto nisso, o desenvolvimento de cartilhas voltadas para essa pauta, de proporcionar saúde junto à educação infantil em outras frentes. Os valores estão super alinhados e isso fez com que fosse uma parceria muito simples de ser negociada, a gente está convergindo exatamente nos mesmos interesses. São resultados de longo prazo, mas que podem ter um impacto muito relevante no modelo de formação dessas crianças”.

Novas Propostas

André Kok relata que percebeu, desde que foi lançada a parceria, que o Menino Maluquinho tem um carisma que transcende gerações. Ele conta que o Km Solidário vem recebendo muitas mensagens positivas e animadas, com grande receptividade, e até pedidos do boneco do Menino Maluquinho com a identidade do Km Solidário.

“E se a gente for pensar além disso, por que não ter uma linha infantil do Menino Maluquinho com o Km Solidário? Uma linha esportiva, ter uma linha de camisetas. É uma das provocações que eu tenho feito para a turma do Ziraldo e usando um pouco como referência o que o próprio Maurício de Souza faz com toda a Turma da Mônica. Em breve, a turma do Maluquinho vai estar na Netflix, eu acho que isso vai ajudar. A gente está muito animado com a parceria, tem diversas possibilidades”.

O co-criador do Km Solidário conclui ao mencionar Vladmi dos Santos, ultramaratonista cego, que também é embaixador do aplicativo e que André deseja trazer como símbolo do tema inclusão.

“Existe já um trabalho que é feito pela turma do Ziraldo de cartilhas de inclusão, já existe uma cartilha em relação à síndrome de Down, então, por que não, eventualmente, a gente ter o Vladmi como um personagem participando de alguma tirinha, trazer o piloto Cacá Bueno”.

André Kok conclui ao dizer que são coisas ainda em estágio inicial da parceria, mas que uma série de possibilidades já foram mapeadas.

“Eu estou muito otimista com o que a gente pode fazer em relação à isso, o que eu posso dizer é que a receptividade, apesar de ser muito cedo, é fantástica, é muito bacana a gente ver o retorno dos nossos usuários”, finaliza André Kok, idealizador e co-criador do Km Solidário.

Campanha do aplicativo Km Solidário
Campanha do aplicativo Km Solidário

*Maria Cunha é repórter do Papo de Mãe

Assista ao vídeo do Inclua Mundo, no Papo de Mãe, sobre a nova turma do Menino Maluquinho

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