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Quais são os problemas ginecológicos mais comuns associados à obesidade?

A Dra. Ligia Santos, colunista do Papo de Mãe, explica tudo sobre a relação entre obesidade e problemas ginecológicos

Fernanda Fernandes* Publicado em 31/03/2022, às 08h00

Dra. Ligia Santos, colunista do Papo de Mãe
Dra. Ligia Santos, colunista do Papo de Mãe

A obesidade é uma doença multifatorial, muito prevalente no nosso país. O IBGE estima que metade da população adulta e cerca de 50% das crianças são obesas ou estão acima do peso ideal.  

Essa doença causa diversos problemas, como: problemas cardiovasculares, osteoarticulares, acidente vascular encefálico e diabetes. Mas, além dos problemas metabólicos gerais, você já parou para pensar que talvez alguns problemas ginecológicos sejam causados pela obesidade?

A Dra. Ligia Santos, ginecologista e obstetra, explica que sim, a obesidade também pode causar problemas ginecológicos, ou quando não causa, pode agravá-los. Em vídeo, a colunista do Papo de Mãe conta quais são os problemas ginecológicos mais comuns ligados à obesidade.

Assista ao vídeo completo

Primeiramente ela pontua que mulheres que têm obesidade tendem a ter uma maior chance de desenvolver câncer de mama e câncer de endométrio. Além disso, as meninas, podem desenvolver a puberdade precocemente - quando comparadas as meninas que não estão fora do peso – tendo assim um desenvolvimento mais rápido.

 Aquele brotinho mamário, o cheiro que começaria a desenvolver por volta dos 8, 9 anos, nas meninas que são obesas, tendem a desenvolver mais cedo. Isso porque parte dos hormônios é convertido no tecido adiposo e faz com que exista uma estimulação mais rápida da questão da puberdade”.

Mulheres obesas também tendem a ter mais infertilidade. Ligia explica que isso ocorre por causa do processo de estresse oxidativo e processo inflamatório crônico causado pela obesidade.

 Quando a gente está acima do peso, existe a produção de citocina, de fatores inflamatórios, de radicais livres, constante no nosso corpo. Isso pode interferir nos óvulos, fazendo com que eles tenham uma pior qualidade, e assim tendo mais chance de abortar e dificultar a implantação do embrião, por conta de alteração no endométrio também, que se for um caso mais grave, pode inclusive levar a câncer nas mulheres mais velhas”.

A obesidade também afeta a fase da menopausa. Além das mulheres acima do peso entrarem mais rápido e de uma forma mais intensa, os desconfortos que são comuns tendem a ser piores.

Outra questão abordada é que, quem tem obesidade têm mais chances de desenvolver diabetes gestacional, sendo assim, o bebê pode nascer maior do que ele deveria, e futuramente tem mais chance da criança se desenvolver maior do que ela deveria durante a infância, e assim o ciclo vai se fechando.

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Então, é importante que desde a gestação, a grávida pare para pensar que esse momento tem que ser saudável para o seu bebê, pois esse bebê vai ter uma herança adquirida, as vezes dentro do útero, que ele não vai conseguir se livrar depois.

Ligia também pontua “Se você está no climatério, é importantíssimo controlar o peso, também como prevenção de câncer de mama e câncer de endométrio. Aliás, as 2 fases em que mais interfere no ganho de peso da mulher são: gestação e climatério. Então é importante que a gente nessas 2 fases tome muito cuidado com a questão da injeção calórica”.

 Mulheres que aumentam muito de peso na gestação tendem a se manter obesas depois do parto e aquelas que nessa transição do climatério também acabam ganhando muito peso, depois tendem a ter muita dificuldade para perder.

Por todos esses fatores, Ligia alerta que é importante parar para pensar na obesidade como algo que precisa ser levado muito a sério, “a gente precisa enxergar a obesidade com o valor que ela tem e buscar tratamentos com equipes multiprofissionais, de preferência”.

 É importante procurar um psicólogo, pois muitas vezes a obesidade é fruto da ingestão de emoções. Ter um nutricionista também é recomendado, para que ele possa regular o seu cardápio, procurar um endocrinologista para buscar outros fatores que podem estar relacionados as questões hormonais, ajustar a medicação, e educadores físicos que vão facilitar um aumento do gasto calórico.

Ligia finaliza o vídeo dizendo que sua ideia é simplesmente sensibilizar para que as mulheres prestem atenção, pois talvez essa dificuldade ginecológica, pode estar relacionada com o peso. “Perder esse peso pode fazer com que você tenha cura ou melhora significativa no teu problema ginecológico”.

*Fernanda Fernandes é repórter do Papo de Mãe

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