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Conheça a associação Fernanda Bianchini: a dança é possível para todos

O programa Inclua Mundo traz a história do projeto que usa a dança como ferramenta de inclusão

Julia Bandeira* Publicado em 21/11/2021, às 10h34

O Inclua Mundo vai ao ar no Canal Papo de Mãe
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O maior desafio da vida de Fernanda Bianchini foi lançado quando ela tinha apenas 15 anos. Em uma visita ao Instituto de Cegos Padre Chico em São Paulo, ela recebeu um convite: ensinar ballet para pessoas com deficiência visual. Bailarina formada pela Escola Municipal de Balé e pela Escola de Balé da Fundação Artes de São Caetano do Sul. Fernanda nunca havia dado aulas. A decisão veio depois de uma conversa com seus pais, voluntários do instituto: “meus pais muitos sábios vieram com a resposta quando disseram para eu nunca dizer “não” para um desafio pois são deles que partem os maiores ensinamentos que temos em nossas vidas. E que um dia eu entenderia aquele convite”.

Fernanda entendeu rápido. Em 1995 passou a dar aulas para cerca de 10 alunas cegas do Instituto de Cegos Padre Chico. O projeto cresceu muito e, depois de oito anos mudou para um espaço maior onde ela fundou a Associação de Ballet e Artes Fernanda Bianchini. “A gente precisa das leis que nos amparam para que a verdadeira inclusão aconteça. Mas também precisamos das pessoas que dão oportunidade para que todos possam se desenvolver. Esse é o papel da Associação Fernanda Bianchini: transformar vidas”, diz Fernanda.

Assista ao episódio completo e seja bem-vindo ao Inclua Mundo!

Foi o que aconteceu com Geyza Pereira. O sonho de ser bailarina parecia muito distante quando ela ficou cega aos nove anos depois de uma meningite. Mas, no mesmo período, conheceu Fernanda Bianchini no Instituto Padre Chico. “Eu perguntei como uma pessoa cega iria fazer movimentos tão bonito e ela falou pra eu acreditar nos meus sonhos”, lembra Geyza. Hoje, além de bailarina, ela é uma das professoras da associação. “ Depois de nove anos de aprendizado eu me tornei professora. Eu fui uma das primeiras professoras contratadas e isso pra mim foi fantástico. É um prazer muito grande ensinar crianças deficientes como eu e também sem nenhuma deficiência”, conclui.

Além do ballet clássico, a associação passou a oferecer várias outras atividades para crianças, adolescentes e adultos com diferentes tipos de deficiência. “Quando a gente fundou a Associação Fernanda Bianchini, vieram objetivos mais amplos, novos cursos, novos estilos de dança, teatro, música, porque a gente acredita muito na transformação através da arte”, conta Fernanda. Além dos cursos de ballet clássico e contemporâneo, a escola oferece aulas sapateado, dança de salão, danças inclusivas, ioga, aulas de canto e musicalização, piano, violão, violino e teatro, entre outros. Exercícios de pilates e fisioterapia também fazem parte da programação.

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Dança para todos

Dançar na cadeira de rodas. Essa foi a escolha de Marianne Mayumi quando viu uma reportagem na televisão sobre a Associação Fernanda Bianchini. Marianne chegou a ouvir de alguns médicos que seus movimentos não voltariam mais depois do diagnóstico de miastenia gravis. Mesmo assim ela foi atras de fazer o que gostava: dançar. “Voltar a dançar era meu sonho, então quando eu vi a oportunidade de fazer isso na cadeira de rodas, eu falei, agora vai”, relembra.

A dedicação foi tão intensa que ela conseguiu dançar sem a cadeira. E foi no mesmo período que começou a perder a visão. “Eu já tinha um déficit que não era nada preocupante. Só que meu diagnóstico demorou e eu acabei fazendo alguns tratamentos errados que afetaram minha visão. Hoje eu tenho quinze por cento”. Estar na associação foi fundamental para os novos desafios que a bailarina teve que enfrentar. Lá aprendeu o braille, a usar a bengala e a mexer em aplicativos no celular. Hoje Marianne faz parte da Cia. Ballet de Cegos da associação, a única companhia de ballet do mundo formada por bailarinos cegas e com baixa visão.

Os espetáculos da companhia já rodaram todo o Brasil e encantaram plateias de países como Inglaterra, Alemanha, Polônia e Estados Unidos. “Nossos alunos sobem no palco e são protagonistas das nossas histórias. São aplaudidos pela bela arte e nunca pela deficiência. Isso é inclusão”, conclui Fernanda Bianchini.

*Julia Bandeira é repórter do Inclua Mundo

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