Papo de Mãe
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O futuro inclusivo está sendo preparado pelas mães

Essa construção de um futuro inclusivo é feita por pessoas que cumprem o papel da maternidade, sejam elas ‘pães’, avós, tias, vizinhas, mães substitutas, mães emprestadas ou qualquer pessoa que cria, educa e ama a criança

Thaissa Alvarenga* Publicado em 11/05/2021, às 00h00 - Atualizado às 15h49

Thaissa Alvarenga e os filhos
Thaissa Alvarenga e os filhos - (Foto: Reprodução Papo de Mãe)

O mês de maio reserva em seu segundo domingo uma das datas que mais mexem com a emoção das pessoas, inclusive com a minha. O Dia das Mães provoca lembranças, amor, saudade, carinho. Tantos sentimentos despertados em razão de imenso desvelo. Depois que engravidam, as mulheres ficam em segundo plano, os filhos passam a ser prioridade. Um dia, mais tarde, esses filhos crescem e têm a oportunidade de mostrar todo o agradecimento. Assim é com a maioria das famílias.

Hoje compartilho as minhas descobertas sobre a maternidade, algo que comprovei nunca ser igual porque todo ser é único. A cada chegada uma nova realidade, o Chico, a Maria Clara e a Maria Antonia me apresentaram diferentes tipos de maternidade, cada um com sua personalidade, suas dificuldades, com o seu desenvolvimento e modo de ser. O que há em comum é a rotina de sempre cuidar, amar e educar. E prepará-los para serem pessoas de bem que sabem respeitar a diversidade. Mas é preciso falar sobre famílias – pais, avós, irmãos, são todos responsáveis por despertar a inclusão, ensinando e aprendendo.

Eu sou mãe de três. O nascimento do Chico, meu filho mais velho, trouxe muitos aprendizados e um novo olhar para toda a família. Ter uma criança com síndrome de Down (T21) despertou a motivação necessária para construir pontes, derrubar muros e transmitir tudo o que aprendo aos outros. É com informação, desmitificando e quebrando preconceitos que tento contribuir para a construção de uma sociedade mais inclusiva.

Infelizmente o preconceito e a desinformação estão em todos os lugares e podem vir de onde menos se espera. De uma professora e de uma escola, que não querem que uma criança com alguma deficiência frequente as aulas com os demais alunos e dão como desculpa a falta de estrutura; quando a intitulam como incapaz; quando dizem que a deficiência é uma doença, falam que seu filho “parece tão normal” ou o chamam de “coitadinho”.

Com a chegada da Maria Clara e, um tempo depois, com a vinda da Maria Antonia, percebi que a mãe é o tempo todo julgada. Sempre chegam palpites e opiniões sobre o que é melhor para os nossos filhos. Seja na escolha da alimentação, como no meu caso, prefiro não dar doces, refrigerantes e dou preferência aos alimentos orgânicos, às frutas e legumes, aos sucos naturais e sempre muita água; ou em outras decisões, como a melhor idade para frequentar a escola, qual escola, qual método educacional, quais atividades e etc.

O que citei acima são apenas alguns exemplos de coisas que as mães e as famílias ouvem ou passam. Cada uma delas fica mais resistente, para que, com o tempo, essas frases não doam mais. As palavras passam a servir como material, que dá força para esclarecer e propagar a qualidade das informações. E para que os enganos não mais se repitam, cada família tem a responsabilidade de criar filhos que olhem para o próximo com amor, sempre respeitando as diferenças.

Um futuro inclusivo depende disso, do olhar para a pluralidade, que se concretiza com a educação inclusiva, por meio do convívio com o diferente em todos os setores da sociedade; com oportunidades na área de educação, na saúde e no mercado de trabalho; com a garantia de acessibilidade; espaço e representatividade.

Tudo isso só reforça a certeza de que a inclusão é o caminho. O meu caminho. Depois que Chico nasceu, há sete anos, com síndrome de Down, a minha vida mudou. A vida de toda mulher muda demais quando nasce um filho. Mas, no meu caso, tudo ficou de cabeça para baixo – e fez um enorme sentido. Minha carreira profissional, no mercado imobiliário, foi encerrada. E nasceu a ONG Nosso Olhar, que apoia e informa crianças, jovens, adultos e idosos com deficiência.

A ONG é hoje um espaço de mobilização, educação, inclusão e informação que incentiva, por meio de seus projetos, a inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, nas atividades artísticas, culturais e esporte. Eu acredito em propósito e a ONG veio para contribuir com a causa da inclusão e levar informação à sociedade. Tenho orgulho do trabalho que está sendo feito. Meu grande objetivo é proporcionar novas possibilidades para as próximas gerações e suas famílias. Juntos em rede.

Deixo aqui minha homenagem a todas as mães ou àquelas e àqueles que desempenham esse papel. O que todas e todos querem é ver seus filhos bem, felizes, num mundo com mais empatia e respeito.

*Thaissa Alvarenga é criadora da ONG Nosso Olhar e do portal de conteúdo Chico e suas Marias

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