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Dia do Pediatra: por que você escolheu essa profissão?

Em entrevista ao Papo de Mãe, a pediatra Andreza Gilio fala da profissão

Maria Cunha* Publicado em 27/07/2021, às 17h35

Para ser uma boa pediatra, é preciso ter escuta para propor opções que se encaixem na rotina das famílias
Para ser uma boa pediatra, é preciso ter escuta para propor opções que se encaixem na rotina das famílias

Formada em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto (2007), a Dra. Andreza Juliani Gilio também tem especialização em Endocrinologia Pediátrica e Pediatria Geral, ambas também pela USP, em São Paulo.

Atualmente, ela atua como professora do curso de Medicina da Universidade de Araraquara (Uniara), como médica plantonista na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Central, em Araraquara, e também realiza atendimentos em seu consultório na mesma cidade.

Em entrevista ao Papo de Mãe, a Dra. Andreza contou quando e a razão pela qual decidiu se tornar pediatra, dá detalhes sobre a faculdade e o primeiro contato com a pediatria, além de revelar o que a encanta na profissão e o segredo para ser uma boa pediatra. A médica também contou sobre sua rotina e deixou uma mensagem aos pacientes.

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Confira a entrevista com a Dra. Andreza Juliani Gilio:

1. Quando e por que decidiu ser pediatra?

Eu entrei na faculdade Medicina e eu sempre tive vontade de fazer a cirurgia. Eu achava que eu ia ser cirurgiã. São seis anos de faculdade, aí quando eu cheguei no último ano, que eu passei no estágio da Pediatria, eu tive uma sensação muito boa que realmente a gente consegue mudar a história daquela vida.

Nós, na Pediatria, conseguimos fazer o que a gente chama de prevenção e eu me apaixonei pela Medicina preventiva e, naquele mesmo ano sexto ano, tive contato com uma endocrinologista infantil que cuida muito dessa parte de crescimento, de obesidade e qualidade de vida. Eu pensei que se eu fosse pediatra, nem foi porque eu gosto de criança, eu também gosto, mas eu escolhi a Pediatria porque é único momento da vida que nós conseguimos realmente atuar de forma preventiva.

2. Onde fez a faculdade e como foi seu primeiro contato com a pediatria?

Eu fiz faculdade na USP de Ribeirão Preto, fiz seis anos de faculdade lá e, quando eu me formei na faculdade, eu prestei a especialização na USP de São Paulo pra fazer Pediatria por dois anos, depois eu fiz mais dois anos de endocrinologia infantil.

3. O que mais te encanta na profissão?

O que mais me encanta na profissão é a possibilidade de trabalhar com a família toda, muitas pessoas falam: “Eu não gostaria de ser pediatra, porque eu tenho que trabalhar com a família, porque tem pai e mãe que são complicados”. Eu acho fantástica a oportunidade de você conseguir conversar com a família toda e conseguir mudar algumas ideias, alguns conceitos, algumas coisas que a gente sabe que vai impactar no futuro daquela criança.

Outra coisa que eu gosto na Pediatria é que as criança são totalmente transparentes, nós sabemos quando elas estão bem, quando não estão, isso faz muita diferença no nosso trabalho, as criança não conseguem fingir quando estão com alguma dor ou com alguma coisa diferente do que elas estão. Ou elas têm ou não têm.

4. Qual o segredo para ser uma boa pediatra?

Para ser uma boa pediatra, é preciso ter escuta, nós temos que estar abertos pra escutar a família e pra entender quais são os anseios, tentar fazer com que a gente jogue no mesmo time, não adianta eu ter um conceito do que eu acho que é certo se não se encaixa na família.

Então, a gente precisa escutar o que a família traz para a gente propor opções que se encaixem na rotina e na possibilidade de vivência que aquela família tem.

5. Como é a vida de uma pediatra?

A vida da pediatra, eu não sei, eu amo, eu acho fantástica. Nós temos, óbvio que estar disponíveis, eu acho que o tempo todo, porque aquela aflição da família que pra gente, às vezes, é uma coisa que não tem tanta preocupação, não é uma coisa tão grave, mas pra família é. Então, nós temos sempre que estar disponíveis e atualizados.

Muitas coisas estão mudando em relação às doenças, à prevenção, aos impactos no futuro, e é muito importante que a gente se atualize de todos os esses conceitos que estão mudando em relação às crianças, não dá pra gente comparar a criação da década de 80 e 90 pra essa criação agora, depois dos anos 2000 2010 e 2020, são criações totalmente diferentes, então nós pediatras temos que estar atentos ao mundo e às atualizações para que consigamos dar o melhor possível para os nossos pacientes e famílias.

6. O que gostaria de dizer para seus pacientes?

O que eu gostaria de dizer pros meus pacientes, eu queria agradecer só, porque cada família que eu atendo, eu nem acho os meus pacientes são as crianças, mas as famílias e cada uma delas, cada conflito, agradecimento, sorriso, vitória de quando a gente consegue tratar uma doença ou consegue identificar alguma coisa que pode ser mudada no futuro da criança, isso me traz muita alegria e muita satisfação.

Eu sou muito feliz com a minha profissão, eu me alimento dela, pra mim não é um trabalho, é um momento em que eu estou totalmente realizada e, mais uma vez, eu queria muito agradecer os pacientes e as famílias que confiam no meu trabalho e muito agradecida pelas crianças que têm essa luz para trazer aos nossos dias à esse momento de pandemia. As crianças são sempre uma esperança.

*Maria Cunha é repórter do Papo de Mãe

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