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É Covid-19 ou gripe? Pediatra explica o que fazer para diferenciar as doenças em crianças

Dra. Ana Escobar explica sintomas da Covid-19 ou gripe e quais testes são indicados para diferenciá-las

Sabrina Legramandi* Publicado em 19/07/2021, às 12h58

Durante o inverno, é comum que as crianças fiquem mais suscetíveis a síndromes gripais
Durante o inverno, é comum que as crianças fiquem mais suscetíveis a síndromes gripais

Febre, dores pelo corpo, na cabeça, na garganta, falta de apetite, diarreia e náusea. Durante o inverno e em tempos de pandemia do novo coronavírus, qualquer um desses sintomas já acende o alerta: será Covid-19 ou gripe?

“As doenças respiratórias causadas por vírus geralmente apresentam um quadro clínico inicial muito semelhante”, explica a pediatra Ana Escobar, professora livre docente do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo a médica, diferenciar os sintomas causados pelo Sars-CoV-2, o vírus que provoca a Covid-19, dos da Influenza, responsável pela gripe, pode ser uma tarefa ainda mais difícil quando essas doenças atingem crianças.

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“A Covid-19 pode apresentar sintomas bem característicos em adultos, como tosse e a perda do olfato e do paladar, mas, em crianças, são mais difíceis de identificar.” (Doutora Ana Escobar)

Por isso, ela explica como é possível distinguir a gripe da Covid-19 e também orienta o que deve ser feito caso o resultado do teste para o Sars-CoV-2 seja positivo.

Como sei se é Covid-19? Qual teste fazer?

Ana Escobar afirma que, como os sintomas em crianças são muito semelhantes aos da gripe, o ideal é sempre fazer o teste para detectar se há presença da Covid-19 no organismo.

Ela explica que, hoje, vários testes estão disponíveis no mercado. O “padrão ouro”, porém, é o RT-PCR, colhido na nasofaringe. O PCR-LAMP, colhido na saliva, também apresenta uma grande taxa de apuração: cerca de 90% de correspondência com o “padrão ouro”. Por isso, os pais devem priorizar esses testes para evitar dúvidas.

Alguns outros oferecidos, como o que pesquisa “antígenos” do vírus na nasofaringe, não são tão apurados e podem resultar em “falsos-negativos”. Os “testes rápidos”, geralmente disponibilizados em farmácias e feitos com uma picada no dedo, não oferecem resultados confiáveis por não fazerem o diagnóstico de infecções agudas.

O resultado para a Covid-19 deu positivo. E agora?

Segundo a pediatra, o ideal é procurar atendimento e seguir as orientações médicas. Caso a criança tenha alguma comorbidade, o médico será responsável por nortear o tratamento conforme as condições de saúde.

Se o seu filho não estiver no grupo de risco, é recomendado que ele beba bastante água, meça a saturação pelo menos três vezes ao dia e fique isolado das outras pessoas. Com a saturação abaixo de 93% e uma piora dos sintomas em torno do sétimo dia, é preciso procurar atendimento urgentemente.

Em relação ao isolamento, a médica afirma que pode ser difícil manter crianças pequenas no quarto ou de máscara o tempo todo, ação que seria a correta. Nesse caso, é essencial que todos os adultos utilizem a máscara.

“Em qualquer situação, lembrem-se de ventilar os ambientes. Isso é muito importante para diminuir a quantidade de vírus no ar.” (Dra. Ana Escobar)

A pandemia está acabando? E como ficam as aulas híbridas?

É difícil afirmar quando a pandemia irá terminar. Segundo a médica, enquanto menos de 70% da população mundial não estiver vacinada, não voltaremos ao estilo de vida de antes.

Porém, ela afirma ser certo que as aulas seguirão com ensino híbrido, virtual e presencial, durante este ano. “Ainda viveremos períodos de maior ou de menor flexibilização. As escolas, neste cenário, provavelmente serão os últimos locais a serem fechados e os primeiros a serem abertos”, prevê.

Por isso, manter o distanciamento social, usar máscara e higienizar as mãos constantemente continuam a ser as regras para driblar o novo coronavírus. A Dra. Ana afirma que decidir mandar os filhos à escola presencialmente também exige coerência da família: aglomerações, como em festas de aniversários, encontros com amigos e praias lotadas, não podem ocorrer.

A pediatra também alerta que, sob nenhuma hipótese, os pais devem mandar os filhos doentes para as aulas presenciais, mesmo que eles estejam se sentindo bem.

“Se todos fizermos isso de forma correta, constante e contínua, menos pessoas adoecerão. Menos pessoas doentes significa menos mortes e uma menor possibilidade de que o vírus “fabrique” variantes mais agressivas.” (Dra. Ana Escobar)

*Sabrina Legramandi é repórter do Papo de Mãe

Confira o vídeo da Dra. Fernanda Viana, do Saúde4kids, explicando detalhes sobre a Covid-19 em crianças:

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