Papo de Mãe
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Leitura em família cria vínculo e expande a realidade das crianças

Confira dicas de livros para aproveitar com a garotada

Carolina Novaes* Publicado em 22/05/2021, às 08h00

A leitura deve ser incentivada desde cedo
A leitura deve ser incentivada desde cedo - Foto reprodução

A importância da leitura em conectar pessoas e para o próprio desenvolvimento pessoal, já são sabidas. Ao ler, estimulamos uma melhora da ortografia, o aumento do vocabulário. Além disso, reconhecer outras realidades nos faz mais empáticos e conhecedores de uma vivência que não necessariamente fazemos parte.  

Segundo a pesquisa "Retratos da leitura no Brasil", o país perdeu cerca de 4,6 milhões de leitores entre 2015 e 2019. No entanto, a taxa de leitores entre as crianças de 5 a 10 anos de idade aumentou: passou de 67% (2015) para 71% (2019). 

Tatiane Santos, pedagoga, consultora antirracista e colunista do Papo de Mãe, conta que sempre gostou de ler e também criou essa hábito com seu filho Lucas, de 5 anos. Ela montou duas bibliotecas em casa: “Tem a que o mundo nos oferece, em que não encontramos protagonistas negros sempre,  e tenho a biblioteca que chamo ‘A Blibioteca Pretinha’ onde personagens negros se encontram como protagonistas”. 

Tatiane Santos e o livro “Super Black: o poder da representatividade”.

O hábito de leitura é presente na rotina da família da pedagoga diariamente. Tatiane relata que seu filho escolhe todas as noites um livro para lerem em conjunto “Ele cria um hábito tão grande que se não tem a leitura, ele não dorme tão bem”, diz a mamãe do pequeno leitor. Ela ressalta ainda a importância desse hábito na criação de vínculos entre pais e filhos por ser um momento reservado para fazer algo juntos.

O incentivo à leitura precisa estar ligado a um hábito de prazer, e é um desafio  incentivar isso de um jeito que não se torne uma obrigação, algo chato. Tatiane Santos dá dicas para fazer da leitura algo positivo: “Fazer uma roda de conversa, quando todo mundo lê o mesmo livro e compartilha a parte que mais gostou; ou mesmo compartilhar através de desenhos e com a família."

A identificação é outro ponto muito importante na leitura, e as crianças negras sofrem mais nesse quesito por não se enxergarem nas personagens. Para a pedagoga, “A leitura em forma de representatividade se torna melhor para criança, é através da história que entramos no mundo dos sonhos, onde tudo é aprendido e acaba se tornando realidade”. 

Co-autora do livro “Super Black: o poder da representatividade”, Tatiane diz que esse cenário onde as crianças negras não se encontram nas histórias, a fez iniciar o projeto do livro, que tem como protagonista um menino negro com seu pente garfo para o cabelo black, em que aborda toda as questões da representatividade e também de autocuidado, promovendo a construção da autoestima das crianças negras. 

Com Renata Oliveira como co-autora e Pamela Paixão na ilustração, a compra do livro pode ser feita através deste link.  

Outras dicas de leitura

É assim que eu sou!

Foto reprodução

A única semelhança que existe entre as pessoas é que todas são diferentes umas das outras. A única coincidência é que as pessoas só são iguais na diferença, e é isso o que torna o mundo mais diverso, colorido, encantador, divertido e enriquecedor.

O gato ratudo e o rato gatudo

Foto reprodução

“Eu nasci assim, mas me sinto assado.” Quando foi que instituíram que, para ser de um jeito, a gente precisa ter isso e não aquilo, enquanto, para ser de outro jeito, a gente precisa ter aquilo e não isso? Por aí, em todos os lugares deste mundo, há muitas pessoas que não se reconhecem no espelho. Agora, imagine um gato que não se sente como um gato e um rato que não se aceita como um rato. É como nascer num corpo sentindo-se pertencer a outro. É no que a historinha ritmada deste livro nos faz pensar.

Assista aqui à entrevista com Tatiane Santos, autora do Super Black

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