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O que fazer em caso de intoxicação infantil?

Com crianças passando mais tempo em casa, pediatra e farmacêutica orientam sobre formas de evitar acidentes com medicamentos e outros produtos químicos

Sabrina Legramandi* Publicado em 19/07/2021, às 14h59

Superdosagem de medicamentos pode provocar sérios riscos à saúde das crianças
Superdosagem de medicamentos pode provocar sérios riscos à saúde das crianças

Você conhece os perigos da intoxicação infantil? De acordo com informações do Sinitox (Sistema Nacional de Informações Toxico-farmacológicas), em um intervalo de 18 anos, 245 mil casos de intoxicação de crianças e adolescentes com idades entre zero e 19 anos foram registrados e, dentre eles, mais de 240 mortes.

Com a pandemia e as crianças em casa, os riscos são ainda maiores, especialmente para os bebês. A SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) alerta que 60% dos casos de intoxicação atingem as crianças que têm entre um e quatro anos de idade.

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Para prevenir casos de acidentes por intoxicação por medicamentos e outros produtos químicos, a pediatra e gerente operacional da Pronep Life Care, Marcia Vlasman e a farmacêutica Patricia Campos dão algumas dicas e também orientam sobre como os pais devem agir caso a criança ingira substâncias tóxicas.

Como evitar a intoxicação infantil?

Segundo a pediatra e a farmacêutica, boa parte das intoxicações acontece por conta da desatenção dos adultos. Guardar os medicamentos em lugares altos e em armários com portas são as primeiras ações que evitam os acidentes.

Também é preciso estar sempre atento para que a criança não repita algumas ações por conta própria. Evitar que ela veja a mãe, o pai ou os irmãos ingerindo o medicamento é importante, pois muitas acabam repetindo os comportamentos adultos e, dessa forma, ingerindo os medicamentos por acidente.

Na hora de administrar os remédios para os pequenos, o cuidado também deve ser redobrado. Alguns pais, para estimulá-los, costumam dizer que o remédio é “docinho” ou “gostoso”, mas essa atitude também pode levar a criança a ingerir o medicamento sozinha.

Anotar a data e a hora que a criança está sendo medicada também pode prevenir esquecimentos e superdosagem. Separar os remédios de cada membro da família e também quais são para adultos e quais são para crianças são também dicas para não causar acidentes.

No caso de medicamentos administrados em gotas, Marcia e Patricia orientam que os pais utilizem dosadores, pois eles nunca devem ser oferecidos diretamente do frasco para a boca da criança. Além disso, os adultos não devem substituir os dosadores por colheres de chá ou de café, pois todas essas atitudes podem provocar superdosagem.
Elas também alertam que medicamentos mais comuns no cotidiano, como antitérmicos e descongestionantes nasais, oferecem riscos. Conforme a pediatra e a farmacêutica, eles podem provocar queda da pressão arterial, hipotermia e até arritmia cardíaca.

O que fazer em caso de intoxicação?

Caso a criança ingira grandes doses de medicamentos ou entre em contato com produtos tóxicos, os primeiros socorros incluem:

  • Afastar a vítima da substância tóxica;
  • Em caso de contato com a pele, lavar com água corrente;
  • Caso ela perca a consciência, mantê-la deitada em posição lateral;
  • Evitar dar líquidos para a criança beber ou provocar vômitos, principalmente se os pais não souberem o que foi ingerido;
  • Buscar informações na embalagem do produto sobre o que fazer em caso de ingestão acidental ou intoxicação.

Ligar imediatamente para o SAMU (192) ou para o Disque-Intoxicação (0800-722-6001) também é essencial e evita que o acidente se torne ainda mais grave. Marcia Vlasman e Patricia Campos afirmam que alguns fabricantes também disponibilizam telefones de emergência em embalagens de medicamentos e produtos tóxicos.

*Sabrina Legramandi é repórter do Papo de Mãe

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