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Você ainda faz o “pé de meia” do seu filho na poupança?

A especialista Maria Fernanda Lopes explica a razão pela qual a poupança deixou de ser uma boa opção

Maria Fernanda Lopes* Publicado em 30/09/2021, às 10h04

Poupar e investir dinheiro são coisas diferentes
Poupar e investir dinheiro são coisas diferentes

Trabalho no mercado financeiro há mais de 20 anos e já antes disso, a poupança não era a melhor opção de investimento. Naquela época, a educação financeira não era tão acessível aos brasileiros e nem tínhamos a quantidade de opções de investimentos que temos hoje! Assim que nossos filhos nasciam nós (e também os padrinhos ou avós), já abríamos uma caderneta de poupança para os pequenos para garantir o dinheirinho da faculdade ou do primeiro carro!

Mas embora esse cenário tenha mudado e tenhamos acesso à informação e vários tipos de investimentos.... por que tanta gente ainda continua investindo na poupança?

Vou começar esse artigo lembrando que vivemos num país onde a inflação é uma constante... Aqui, se não investirmos nosso dinheiro da melhor forma possível, além de não ganhar muito ainda perderemos para a inflação! Teremos cada vez menos poder de compra.

Mas se o investidor não migrou da poupança até hoje é porque existem outras razões para isso. Vou listar aqui alguns dos possíveis motivos e ver se realmente fazem sentido...

Se tem o mesmo risco não rendem da mesma forma?

A resposta é “Não!” A rentabilidade da poupança é bem inferior do que os demais investimentos.

Vou falar em números para ficar mais claro! Quem investiu em uma LCI (ou LCA), que também é isenta de Imposto de Renda como a poupança, um ano atrás, obteve 2,86% de retorno. As taxas oferecidas pelos bancos emissores desses títulos há um ano ficavam em torno de 100% do CDI. No mesmo período, a poupança rendeu 2,02%.

O saldo atual de quem aplicou R$ 10.000,00 em LCI/LCA é R$ 10.286. Aquele que deixou na poupança tem R$ 10.202. Uma diferença de R$ 84, ou 0,84 pontos percentuais a mais. Pode parecer pouco mas lembre-se que os juros estavam por volta de 2% ao ano e agora já estão 6,25% e subindo.... ou seja...essa diferença vai aumentar muito. Em 2017 por exemplo essa diferença teria sido de R$ 569,44.

Assista ao Papo de Mãe sobre finanças

Como o investimento deve ser pensado a longo prazo, imagine essa diferença acumulada ao longo de 5, 10 ou 20 anos! E lembre-se que em finanças, a capitalização dos juros é calculada na forma composta, ou seja, juros sobre juros.

A poupança é mais segura!! Meu dinheiro não vai “sumir”!! Assim como a poupança, outros tipos de investimento bem mais rentáveis como o CDB, a LCI e a LCA, são títulos garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), um fundo que garante a cobertura do saldo investido em até R$ 250 mil por CPF, se a instituição que emitiu o título falir.

O FGC não cobre os investimentos em fundos. Mas vários fundos mais conservadores aplicam em títulos do Tesouro, garantidos pelo Governo Federal, ou seja, também são bastante seguros.

Portanto, a poupança não é o único investimento confiável no mercado. Qualquer um pode obter maior rendimento e ficar tranquilo quanto à segurança olhando para outros investimentos.

E se eu precisar do dinheiro? A poupança posso resgatar a qualquer hora!

Primeiro ponto aqui... a poupança tem data de aniversário mensal. Claro que você pode retirar os recursos em outras datas também mas perderá toda a rentabilidade desde o último aniversário se não esperar pelo próximo.

Os fundos de investimento têm rendimento diário! Grande parte deles permite resgate no mesmo dia ou num prazo muito curto (um ou dois dias). Aqui seu dinheiro cresce todo dia e você pode retirar quando quiser assim como na poupança. Mas sem penalidade!

É também possível aplicar em títulos de renda fixa com resgate diário, mas, nesse caso, a taxa de retorno vai ser mais baixa do que a daqueles títulos com prazos de vencimentos mais longos.

Então, se a liquidez diária é o motivo pelo qual alguém ainda aplica na poupança, meu conselho é que aplique em fundos o valor que você acha que pode precisar resgatar a qualquer momento.

Já para objetivos específicos, como uma viagem, um carro ou um imóvel próprio, o ideal é aproveitar as melhores taxas dos títulos com prazos de vencimentos mais longos.

Ah! Mas os outros investimentos têm imposto de renda e taxas! A poupança não!

Vamos devagar aqui... Taxas, custos e impostos fazem parte da vida diária. Basta pesquisar, comparar, saber identificar o que é justo e o que é abusivo. A poupança é um exemplo de aplicação isenta, mas seu desempenho final deixa a desejar.

Alguns investimentos têm imposto de renda (fundos, CDBs, títulos do Tesouro Direto etc..) e outros não (LCAs, LCIs, etc...) Fundos de investimentos cobram taxas de administração. Compare bem as taxas entre eles! Quanto ao imposto, é aplicada a tabela regressiva, ou seja, quanto mais tempo você deixar o dinheiro aplicado, menor a alíquota a pagar.

Dá um pouco de trabalho comparar, mas não é difícil. Para ver o dinheiro “trabalhando” melhor é preciso fazer nossa parte!

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Ainda tenho medo..a poupança é mais fácil! Já que, como mencionei acima, hoje temos acesso à tanta informação, que tal começar a visitar alguns sites, ler alguns blogs e artigos para ir perdendo esse medo? Há muito conteúdo legal que ajuda de forma bem simples! O medo do desconhecido faz parte da nossa vida, mas se superamos esse medo podemos conhecer muitas coisas interessantes que nem imaginávamos existir! Conversar com alguém em quem se confia ou com um consultor financeiro também encurta e facilita o caminho para novos investimentos.

O caminho mais fácil com certeza não é o mais rentável. Não podemos esperar que ninguém faça isso por nós. Comodidade é para os momentos de lazer.

Quem sai da poupança não volta nunca mais! Te garanto!

FERNANDA
Maria Fernanda Lopes

*Maria Fernanda Lopes, CFP ® é Agente Autônomo de Investimentos da One Investimentos/BTG Pactual. Está há 22 anos no mercado financeiro, mãe, esposa e filha. A One com Ela$ é uma assessoria especializada em mulheres que fornece as mais eficientes soluções financeiras, com a intermediação do BTG Pactual, buscando oportunidades, ampliando os horizontes e promovendo o crescimento mútuo.

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