Papo de Mãe
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Ser mãe ou jogar nas Olimpíadas? Fabi Claudino, bicampeã de vôlei, fez a sua escolha

Mãe do Asaf, de 3 meses, a jogadora de volei Fabiana Claudino conversa com o Papo de Mãe sobre a realização do seu sonho: a maternidade

Ana Beatriz Gonçalves* Publicado em 15/07/2021, às 19h36

A capitã da Seleção Brasileira de Voleibol Feminino
A capitã da Seleção Brasileira de Voleibol Feminino - Foto: Fernanda Sanchez/Studio Fer Sanchez

Para quem já foi capitã da seleção brasileira de voleibol feminino, escolher entre a carreira e a realização de um sonho pessoal não é uma tarefa fácil, principalmente quando se tem um evento tão importante no meio dessa decisão, como no caso das Olimpíadas de Tóquio 2020, que começam no próximo dia 23.

Mas Fabiana Claudino, 36 anos, que se preparava para representar o Brasil nos jogos olímpicos foi pega de surpresa com a chegada da pandemia da Covid-19, que acabou mudando completamente seu destino. "Na minha cabeça eu ia disputar, mas foi adiado. Eu pensei: 'Não vou aguentar mais um ano para realizar esse sonho de ser mãe", explica.

Hoje mamãe do pequeno Asaf, de três meses, Fabi diz que não foi uma troca, a "maternidade pelas olimpíadas", mas sim uma escolha que fez com o apoio do seu esposo e da família, que também sonhavam com um novo membro.

Natural de Santa Luzia, município de Minas Gerais, Fabiana fez história representando o vôlei brasileiro. Ela foi bicampeã olímpica nos anos de 2008, em Pequim, e 2012, em Londres. Entretanto, apesar de tantas conquistas, ela não pretende parar de jogar só porque se tornou mãe, pelo contrário, ela recentemente foi contratada pelo clube Osasco Audax para a temporada de 2021-22.

"Desde novinha eu falava que gostaria de ter filhos e ter a casa cheia. Chega um período da sua vida que você troca os seus objetivos. Eu estava muito focada no voleibol, no campeonato, preocupada em ter a minha melhor performance, mas a vontade de ser mãe foi aumentando em mim", comenta.

Fabi Claudino, marido e filho
Fabi com a família. (Foto: Fernanda Sanchez/Studio Fer Sanchez)

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A vida de atleta-mãe

Segundo a atleta, é difícil conciliar a maternidade com o esporte. Isso porque, segundo ela, ainda existe um estigma grande em torno do potencial da mulher que se torna mãe. "A partir do momento que a gente decide ser mãe, os clubes não querem mais fechar com a gente, perde plano de saúde, patrocínio, é uma dificuldade", comenta.

Apesar de estar contratada em um novo time, e voltando com as atividades físicas, Fabi diz que essa não é realidade todas as atletas. "Muitas mulheres não conseguem mais voltar para o mesmo time. Rola sempre aquela dúvida: 'Será que ela vai voltar bem? Ter uma boa performance?', mas também acredito que isso aconteça em qualquer profissão", opina.

A pressão do retorno pós licença-maternidade também fez com que Fabi Claudino se planejasse bem. "Me preparei para esse momento, principalmente no quesito financeiro".

Fabi Claudino
Asaf é o primeiro filho de Fabiana Claudino. Ela pretende ter mais no futuro. (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)

Somos colocadas em questão, não temos esse apoio que vamos voltar melhor, que vamos crescer. Eles sempre acham que vamos atrapalhar o clube. Infelizmente ainda não conseguiram achar uma  fórmula para que seja um passo tranquilo para nós mulheres." (FC)

Feliz com a possibilidade de estar voltando para as quadras, Fabi Claudino comenta sobre o processo de amamentação, que por enquanto está indo muito bem e obrigada. "Não tive nenhuma dificuldade, ele pega super bem. Estou cuidando da minha alimentação e bebendo muito água. Estou amando fazer esse ato que é maravilhoso, mais do que amor. Espero continuar mais alguns meses nesse processo", afirma.

Mesmo com uma noite mal dormida e o desgaste de amamentar, ela leva a fase com leveza. "Tem que estar bem fisicamente, ainda mais agora que tenho um compromisso. Seria muito legal se todas as empresas e lugares entendessem nós, as mães. Ter um espaço para deixar os filhos, é muito importante esse apoio".

Expectativas para Tóquio 

Acostumada a estar nas quadras e não fora delas, Fabiana Claudino afirma que assistir às Olimpíadas vai ser bem diferente, no entanto, ela está realizada por estar com Asaf em seu colo. "Vou estar torcendo para que a gente consiga trazer a medalha de ouro para o Brasil. Sabemos de todas as dificuldades que os aletas enfrentaram, e eu acompanhei as meninas. Estou ansiosa e muito feliz", diz ela.

Fabi também aceitou um novo desafio: ser comentarista na rede Globo. Segundo ela, que está estudando e se aprofundando no assunto, as expectativas estão altas. "Poder estar comentando sobre uma coisa que eu amo, sou apaixonada e que sei o quanto as meninas estão se forçando para estar ali, vai ser uma experiência muito grande", promete.

*Ana Beatriz Gonçalves é jornalista e repórter do Papo de Mãe

Assista ao episódio do programa Papo de Mãe sobre mães de atletas:

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