Papo de Mãe
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Gravidez na pandemia: desafios e aprendizados

Mariana Kotscho Publicado em 16/03/2021, às 00h00 - Atualizado às 14h56

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16 de março de 2021


Um artigo da pedagoga e consultora antirracista Tatiane Santos, a “Pretinha Educadora”, que teve o segundo filho durante a pandemia e divide com a gente a sua experiência e o enfrentamento da depressão pós-parto.

Por Tatiane Santos*

Sobre ser mãe em meio à Pandemia.

Mistura de medo, emoção, proteção, carinho.

E muito, muito amor em ver a sua barriga crescer a cada dia, em sentir cada chute que não te deixa dormir à noite.

Tatiane, o marido Florio e os filhos

Emoção a cada ultrassom em ver bracinho, perninha e uma pessoinha que mesmo não conhecendo pessoalmente já é muito amada por todos.

Cada família terá a sua história, que será única e inesquecível.

A gestante sempre é vista como forte e que precisa estar sempre feliz com um sorriso no rosto.

Tenho certeza que gestar é realmente um dom divino, mas não é apenas um caminho de flores. E é exatamente neste momento que devemos ter uma REDE DE APOIO, pessoas que permanecem ao nosso redor para nos dar suporte emocional, psicológico e também motivacional.

A rede de apoio é fundamental, principalmente nos primeiros meses ou anos de vida do bebê. Pode ser a família, o marido, amigas, às vezes até pessoas que você nem conhecia antes.

E durante a pandemia, como não podemos receber visitas e nem fazer aglomeração, essa rede de apoio se transforma em virtual, grupos de apoio por whatsapp e chamadas de vídeo colaboram para o apoio psicológico e o apoio com o bebê. A casa fica para as pessoas mais próximas.

Uma dica que me ajudou muito foi entrar em grupos de mães que faziam atividades 1 vez por semana,  como a dança (@dancamaterna). Neste grupo,  além de falarmos sobre como estávamos nos sentindo e vivendo na gestação, havia momentos de relaxamento e dança materna.

Noah Akin

O corpo da mulher ao longo dos 9 meses de gestação sofre diversas mudanças de peso, de estrutura. Tudo trabalha em prol do grande dia, o parto. A bacia se abre, órgãos saem do lugar para dar espaço ao útero para crescer com o bebê dentro e, com isso, as dores e incômodos ocorrem inevitavelmente.

Algumas mulheres podem sentir esses incômodos de formas mais intensas do que outras, isso dependerá de como seu corpo responde a essas mudanças.

É comum no final da gestação a mulher sentir mais dificuldade para respirar, ficar ofegante e ter dificuldades para se movimentar. Além do peso extra, os pulmões também estão comprimidos devido ao crescimento da barriga, o que torna a respiração mais curta.

Alguns desconfortos do início da gestação podem retornar, como a azia e o cansaço, e alguns novos aparecem — especialmente, os relacionados ao peso do bebê, tamanho da barriga e maior sobrecarga sobre as articulações. Os sintomas emocionais também podem deixá-la mais irritada, sensível e chorosa. E ainda são comuns a insônia e as contrações de treinamento.

A gestação pode não ser tão linda e feliz como nos comerciais e capas de revistas. A amamentação pode ser difícil e doer muito. O amor incondicional pode não acontecer no momento em que mãe e filho cruzam os olhares. O cansaço e falta de sono nos distancia de quem somos e muitas vezes a mulher não se reconhece mais na imagem refletida no espelho.

Já não é mais possível ser a mesma pessoa de antes, foram muitas as transformações.

E não há crime algum em admitir isso para si mesma e para a sociedade.

As variações de humor durante a gravidez são normais, pois resultam das alterações dos níveis hormonais que a mulher sofre nesta fase. Porém, se estas variações se mantiverem por semanas ou meses, a mulher deve conversar com seu obstetra para avaliar a situação e verificar se pode estar com depressão pós-parto.

Muitas vezes, a depressão na gravidez leva ao afastamento do trabalho, pois a mulher não consegue fazer as atividades diárias e cansa-se facilmente. Os sintomas surgem, normalmente, no primeiro ou no último trimestre gestacional e no primeiro mês depois do nascimento do bebê.

Mais uma dica da Pretinha Educadora (@pretinhaeducadora): tive depressão pós parto e ainda estou em tratamento. O que me faz levantar todos os dias é a minha rede de apoio e também olhar para o rostinho dos meus filhos e saber que temos um amor incondicional.

Procure também neste momento fazer coisas que goste, principalmente se ocupar com o enxoval do bebê. Por conta da pandemia, muitas lojas que não vendiam virtualmente aderiram a este serviço, ampliando as redes de loja de roupas.

Aproveite e ajude pessoas que estão iniciando, o micro empreendedor precisa muito desse apoio neste momento.

E aí vai mais uma dica: procurei lojas que me davam motivos de fazer algo pelo outro, conheci uma loja muito bacana que aluga roupinhas de bebês de 0 a 24 meses de vida. A Tuga veio para facilitar um consumo mais sustentável, nos dois primeiros anos de vida do bebê, com praticidade e por preços acessíveis. A proposta é poder alugar as pecinhas, por um tempo de 1 mês ou 3 meses, e então devolvemos para que possa circular por outras famílias. O instagram da Tuga é @tuga_assinaturacircular.

Enfim, escrevo esse artigo para que quando você ler, veja que não está sozinha. A gestação não é fácil, mas no fim a recompensa é de amor para o resto da vida.

*Tatiane Santos, pedagoga, consultora antirracista e mãe de 2 meninos

Tatiane Santos lançou livro

Superblack, O Poder da Representatividade, é um livro de Tatiane Santos em co-autoria com Renata Oliveira e ilustrações de Pamela Paixão. Faz parte do trabalho da pedagoga Tatiane Santos na sua luta antirracista – que tem o total apoio do Papo de Mãe. O livro pode ser adquirido pelo instagram @pretinhaeducadora.

Os filhos de Tatiane são inspiração para ela

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