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Campanha do Geledés, Instituto da Mulher Negra, propõe o debate sobre Racismo e Bullying

Em conversa com o Papo de Mãe, a coordenadora do programa "Racismo e Bullying", Natália Carneiro,  nos conta sobre a série no Instagram.

Carolina Novaes* Publicado em 14/05/2021, às 19h06

Série no ar no Instagram do Geledés
Série no ar no Instagram do Geledés

A série “Racismo e Bullying: como proteger jovens negras?” surgiu de uma parceria do Geledés, Instagram e da ONG SaferNet, com ilustrações  de Bruna Bandeira e direção de Day Rodrigues. O Geledés - Instituto da Mulher Negra foi criado em 30 de abril de 1988. É uma organização política de mulheres negras que tem por missão institucional a luta contra o racismo e o sexismo, a valorização e promoção das mulheres negras, em particular, e da comunidade negra em geral.

Lançada na última sexta-feira (07), a série tem três episódios em formato de ilustração sobre Guta, uma menina negra de 13 anos que sonha em ser cineasta. “A gente queria trabalhar com uma menina livre, que gostasse de si mesma e muito bem resolvida com as questões raciais dela, para poder passar isso para outras meninas. Que representasse todas as meninas negras dentro dessa faixa etária a partir dos 13 anos de idade”, diz Natália Carneiro , 29, coordenadora do Programa Institucional de Geledés.

O projeto teve início no final de 2019, em um longo processo para entender quais eram as necessidades da pauta dos direitos das jovens negras, tendo um enfoque na evasão escolar e no diálogo sobre o bullying. “Muitas vezes o racismo é tido como bullying, e a gente precisa diferenciar o que é racismo e o que é bullying, como afeta a criança negra de maneiras e perspectivas diferentes”, observa a coordenadora.

Segundo o Observatório da Educação, existe uma idade crítica para a evasão escolar no Brasil. No ensino fundamental, com mais ou menos 13 anos de idade, a proporção de jovens na escola chega a 97%. Essa proporção cai quando se trata de jovens de 16, 17 e 18 anos. O último levantamento feito pelo IBGE traz números alarmantes: das 50 milhões de pessoas com idades entre 14 e 29 anos, 20% delas não tinham terminado alguma etapa da educação básica.

Natália conta que apesar de recente, o projeto tem sido procurado por muitos educadores que entendem a importância do tema dentro da sala de aula: “Inicialmente achamos que o projeto ficaria somente no âmbito da internet, mas logo no lançamento do teaser (chamada), vários professores nos enviaram mensagens perguntando como aplicar aquilo em sala de aula”. A importância dessa ponte entre quem está consumindo o Instagram e a faixa etária para quem a Guta pode conversar é enorme, já que o Instagram só permite perfis a partir da idade mínima de 13 anos. 

Ao término da série, ela ficará disponível no Portal Geledés como material para quem quiser utilizar. 

Ficou interessado? O primeiro episódio já está no ar, confira no Instagram do Geledés.

*Carolina Novaes é repórter do Papo de Mãe

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