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Cinofobia: o medo incontrolável de cães

A psicóloga Nataly Martinelli explica o que é a doença e conta como utiliza a realidade virtual para tratar os seus pacientes com cinofobia

Redação Papo de Mãe Publicado em 15/09/2021, às 10h28

A fobia animal começa, normalmente, ainda na infância
A fobia animal começa, normalmente, ainda na infância

A cinofobia, medo de cães, pode colocar as pessoas em situações de alta vulnerabilidade devido à quantidade de cachorros em ambientes comuns ou o simples contato com esses animais. Com isso, o fóbico passa a evitar qualquer situação envolvendo cães e, assim, sofre um impacto negativo em suas atividades sociais, familiares ou profissionais.

Especialista no tratamento de fobias, a psicóloga Nataly Martinelli utiliza, por meio da plataforma on-line VHmind, a realidade virtual como um suporte para o tratamento psicológico e auxilia seus pacientes a lidarem com seus medos com o acróstico C.O.R.A.G.E.M. O Brasil está no ranking de países com mais pessoas fóbicas, e entre as fobias específicas estão os transtornos de ansiedade mais comuns, que afetam cerca de 8% dos adultos anualmente.

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A profissional relata que os sintomas de uma fobia variam de acordo com as características fóbicas da pessoa e a intensidade do medo. Entre as manifestações mais comuns estão: suor, tremedeira, palpitação e falta de ar.

Além disso, pessoas com fobias específicas não encaram as situações como opções e sim como uma regra, ou seja, mesmo que envolva uma perda ou efeito nocivo em seu dia-a-dia, quem tem um fobia específica está disposto a renunciar benefícios para não ter que enfrentar seus medos.

Em relação à fobia animal, Nataly Martinelli explica que ela começa, normalmente, ainda na infância e afeta duas vezes mais mulheres do que homens. As características físicas (cor, tamanho, pelo) e o movimento dos animais (imprevisibilidade, velocidade) são variáveis que afetam esse medo. Dessa forma, estabelecer contato virtual com os animais, estratégia da psicóloga, tende a reduzir o medo, por conta da experiência on-line, sem que o paciente tenha contato direto com o seu personagem fóbico.

Uma das pacientes de Nataly, Maria, conseguiu enfrentar seu medo a partir do tratamento com o uso de realidade virtual. No livro “Fobia: Enfrentando com Coragem”, a psicóloga conta que a paciente desenvolveu cinofobia devido a um latido de cachorro:

“Eu sentia muito medo quando via algum cachorro. Já cheguei a atravessar a rua ao ver um, simplesmente por imaginar que ele poderia latir para mim ou me atacar. Eu tinha apenas 6 anos quando o cachorro da minha vizinha latiu muito alto bem próximo ao meu ouvido”, contou Maria no livro. 

Com o auxílio da psicóloga, a paciente administrou seus medos usando técnicas de relaxamento muscular e respiração diafragmática em conjunto com os óculos de realidade virtual. Nas últimas etapas do tratamento, Maria chegou a ficar exposta a três cachorros e, ao conseguir lidar com seu medo, foi capaz de passear com um animal preso à coleira. 

“O medo é um mecanismo de defesa do nosso corpo, ele serve para nos manter alertas dos perigos e situações em que devemos ter um pouco mais de atenção, porém, não podemos deixar com que o medo tome conta da sua vida acaba gerando problemas e, em certas situações, até dores físicas que são gatilhos para mais crises de ansiedade”, conclui a especialista Nataly Martinelli. 

Assista ao Papo de Mãe sobre a importância dos pets 

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