Papo de Mãe
Papo de Mãe

Substituirmos o ego pelo eco e o eu pelo nós pode ser incrível! Um papo com Bela Gil

Mariana Kotscho Publicado em 20/01/2021, às 00h00

None
20 de janeiro de 2021


Substituir a cultura da nossa agricultura pode ser um mau negócio. Mas, substituirmos o Ego pelo Eco e o Eu pelo Nós pode ser incrível! Nossa colunista Ariela Doctors bateu um papo com a Bela Gil. No final, receita de nhoque de banana da terra.

Por Ariela Doctors*

Todo mundo sabe que a Bela Gil tornou-se a “rainha das substituições” nas receitas! Não foram poucos os memes que brincavam com tais substituições. Mas a ideia de substituir um ingrediente por outro para deixar a comida mais saudável e nutritiva é muito interessante!

Ariela Doctors e Bela Gil

Além de ser um aprendizado, é uma forma de aumentarmos nosso repertório gustativo e de toda a família!

Porém, outro dia conversando com a Bela, pensei numa substituição contemporânea que não está sendo nenhum pouco legal para nossa espécie e para o nosso planeta, e que tem a ver com nossa alimentação.

O que estou querendo dizer? Vamos voltar um pouco no tempo…

No momento em que a humanidade assentou, quer dizer, deixou de ser nômade e de alimentar-se apenas da caça e da coleta de alimentos do entorno, veio a agricultura.

E o que era a agricultura?

Este termo vem do latim: ager, agri = campo, do campo e cultura = cultivo. Logo, era um modo de cultivarmos no campo com finalidade de alimentarmos nossa comunidade. Na época, essa foi uma ideia revolucionária! Proporcionou que nossa espécie aumentasse suas taxas de fertilidade, comesse melhor, se tornando mais próspera e numerosa.

Tudo isso acarretou mudanças profundas na vida humana, que passou a orientar-se, cada vez mais pelos ciclos agrícolas e por meio da observação e dos registros da duração dos períodos de semeadura, do crescimento e da colheita, estimulou o desenvolvimento da astronomia e do calendário; assim como a medição dos campos contribuiu para que se fixassem princípios de geometria e matemática.

Muitos fatos relacionados à agricultura, como o momento do plantio e o momento da colheita, adquiriram significado religioso e festivo, dando origem a muitas tradições e ritos ancestrais que são a base das nossas culturas!

Pois que, na atualidade, a cultura da nossa agricultura está sendo paulatinamente substituída pelo negócio. Assim, a agriCULTURA tornou-se o agroNEGÓCIO.

Qual é o perigo dessa substituição em nossas vidas? São muitos.

A humanidade alterou de forma drástica as paisagens do planeta Terra. O sistema agroalimentar global tem causado impactos ambientais de grande magnitude. Inúmeros estudos científicos têm evidenciado que o funcionamento deste sistema atual não se sustentará por muito tempo, num cenário de aumento populacional, competição por recursos naturais e mudanças climáticas.

Então, qual seria a solução? Não podemos mais consumir alimentos que vem do agronegócio? É claro que esta não seria uma solução. Creio não existir apenas uma solução. Como todo problema complexo, as soluções têm de acontecer de várias formas e com a cooperação de todas e todos nós.

Temos que ver o alimento como instrumento de transformação e entendermos o impacto das nossas escolhas alimentares.

É necessário um olhar e um posicionamento mais crítico sobre o sistema agroalimentar global para que o próprio transforme seus métodos.

Atualmente, existem diversas maneiras de se plantar com consciência ambiental – agricultura sustentável, orgânica,biodinâmica, agroflorestas, permacultura, etc -, onde a natureza deixa de ser mero recurso e passa a ter um valor intrínseco, ela é a vida em si mesmo!

Neste momento de pandemia, a própria história tem nos dado a chance de abrir os olhos como sociedade. Nosso tempo é denominado antropoceno, com o ser humano no topo, resultando uma sociedade cada vez mais egoísta e individualista.
Será que teremos tempo de educar a nova geração de maneira diferente? Substituirmos o Ego pelo Eco (=casa) e o Eu pelo Nós?

Convido a todas e todos a ouvirem a conversa que tive com Bela Gil no canal do Youtube do Comida e Cultura, que inspirou este texto.

Papo de Ariela Doctors com Bela Gil:

E, como sempre, cozinhe com seus filhos e filhas! Aí vai mais uma receita deliciosa de nhoque, onde a batata foi substituída pela banana da terra e o queijo ralado pela castanha do pará!

Receita Nhoque de Banana da Terra

nhoque de banana da terra

Ingredientes

● 2k​ g de banana da terra madura (ela tem de estar com a casca bem preta)

●  4 colheres de chá de urucum em pó (colorau)

●  sal a gosto

●  280 g de amido de milho

●  400g de manteiga

●  16 castanhas do pará Como preparar

  1. Pré aqueça o forno a 180 graus coloque as bananas com casca numa assadeira e asse por 10 minutos;
  2. Faça um corte na casca no sentido do comprimento e retire a polpa com uma colher;
  3. Bata as bananas num processador até obter um purê bem liso, acrescente o urucum e tempere com sal a gosto;
  4. Dilua o amido de milho em 480 ml de água;
  5. Coloque o purê de banana em uma panela e coloque em fogo baixo;
  6. Junte a maisena diluída na panela mexendo aos poucos sem parar. Cozinhe por 10 minutos ou até a mistura começar a desgrudar do fundo da panela. Retire do fogo e espere esfriar.
  7. Vire a massa sobre uma superfície de trabalho limpa e faça um rolo de aproximadamente de 1 cm de diâmetro, corte em pedaços de 2 cm e reserve.
  8. Coloque a manteiga em uma frigideira e coloque os nhoques até dourarem;
  9. Sirva com as castanhas picadas!

Você pode acessar outras receitas no site comida e cultura.

nhoque de banana da terra

Fontes e dicas de leitura:

 “SAPIENS: UMA BREVE HISTÓRIA DA HUMANIDADE”, de Yuval Noah Harari

“HISTÓRIA DAS AGRICULTURAS NO MUNDO, do neolítico à crise contemporânea”, de Marcel Mazoyer e Laurence Roudart.

*Ariela Doctors é comunicadora, chef e mãe




AlimentaçãoColunistasAriela DoctorsHomeVídeos