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Saúde mental: depressão e ansiedade também são problemas entre os adolescentes

Pesquisa do Unicef mostrou que 60% dos jovens têm problemas relacionados à saúde mental; a psicóloga Thais Zanin comenta sobre o assunto

Redação Papo de Mãe Publicado em 12/05/2022, às 06h00

É importante estabelecer uma boa comunicação para apoiar quem sofre de depressão e ansiedade
É importante estabelecer uma boa comunicação para apoiar quem sofre de depressão e ansiedade

A adolescência é um período muito turbulento na vida da maioria das pessoas, geralmente com constantes variações de humor e crises emocionais. Um estudo do Fundo das Nações Unidas pela Infância (Unicef), em parceria com o Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC), mostrou que 60% dos jovens entre 12 e 18 anos têm queixas relacionadas à saúde mental, com depressão e ansiedade sendo os problemas mais comuns.


Segundo a psicóloga Thais Zanin, isso ocorre, pois essa faixa etária passa por muitas pressões sociais e por novas situações a quais não estão acostumados quando se aproximam da vida adulta. “Embora alguns casos de depressão e ansiedade tenham predisposição genética, os fatores ambientais podem transformar esses períodos de transição em algo muito difícil, logo é preciso que os responsáveis se mantenham sempre alertas.”

Sugestão: assista ao Papo de Mãe sobre Ansiedade na Infância


As recomendações para lidar com essas possíveis crises consistem em manter uma relação honesta e objetiva com os mais jovens, sempre conversando sobre o que se está sentindo, além de deixar claro que não há vergonha nenhuma em expor dúvidas, medos e angústias.

“Se possível, que esses relacionamentos sejam entre pais e filhos ou até mesmo com amigos próximos, de modo que o adolescente possa encontrar alguém em quem se reconfortar e apoiar quando sentir que está passando por um momento mais complicado.”


Zanin também alerta ser comum a existência de transtornos associados à depressão infantil, principalmente ansiedade. “Independentemente de se tratar de crianças ou adolescentes, um psicólogo é o profissional indicado para fazer um correto diagnóstico e indicar um tratamento adequado, além de se mostrar um grande facilitador caso a família tenha dificuldade em estabelecer uma comunicação com os mais jovens.”

Sinais de alerta:


As mudanças repentinas de humor talvez sejam os sintomas mais comuns de depressão ou ansiedade, principalmente em adolescentes, mas existem diversos outros sinais, que segundo Zanin, podem indicar a necessidade de acompanhamento psicológico.

Desejo de isolamento: o adolescente interage menos com amigos e família, ficando muito mais calado;
Irritabilidade: tudo é motivo para rispidez, respostas agressivas e gestos intensos, como se estivesse sempre contrariado, detestando qualquer situação;
Perda de interesse por atividades prazerosas: o adolescente parece não ter mais prazer por nada, ficando muito tempo apenas no celular, calado e trancado em seu quarto;
Baixa autoestima: gostar de si vira um desafio e a falta de contentamento consigo mesmo causa frustração;
Alterações de sono: excesso de sono, troca de turno de sono (do dia para a noite) e cansaço durante o dia estão presentes;
Problemas de concentração ou memória: é muito difícil concentrar-se em uma atividade e a distração é companheira constante, além de esquecer várias coisas;
Queda no rendimento escolar:as notas baixam muito e fica muito difícil acompanhar o ritmo escolar, com dificuldade para realização de tarefas, atividades e provas;
Problemas de saúde de origem psicossomática:começam a surgir problemas como dor de cabeça, enjoos, problemas de estômago e dores aparentemente sem causa;
Desejo de arriscar-se: alguns adolescentes podem se deixar levar pelos impulsos e querer se arriscarem em situações de grande perigo.

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Além do acompanhamento psicológico, a prevenção e o tratamento da saúde mental também precisam ser estimulados através da participação efetiva da própria família.
“O especialista é uma parte importante do processo, mas também é preciso que haja afeto no lugar de apenas punição e mais interações dentro de espaços seguros. Às vezes, assistir filmes juntos e até mesmo realizar as refeições à mesa são momentos que podem ajudar em uma maior conexão afetiva e que, portanto, devem ser sempre incentivados”, diz Thais.

Quem é Thais Zanin?
Formada pela Universidade Sagrado Coração em 2009, a psicóloga Thais Zanin, desde então, atua como terapeuta cognitiva comportamental, com um trabalho focado em crianças e adolescentes. Em 2020, também se especializou em Neuropsicologia pelo Instituto Albert Einstein a fim de complementar sua área de atuação com avaliações neuropsicológicas que possam auxiliar no tratamento de seus pacientes.

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