Papo de Mãe
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O Lado Sério dos Brinquedos – por Débora Emílio*

pmadmin Publicado em 26/03/2012, às 00h00 - Atualizado em 19/09/2014, às 19h35

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26 de março de 2012


O Lado Sério dos BrinquedosPor Débora Emílio, enviada especial  do Papo de Mãe a Buffalo, NY (EUA)*Em um pequeno sobrado na pacata East Aurora, cidade do estado de Nova York, localizada a 45 minutos da vizinha Niagara Falls, a dona de casa Teri Hassek vive com o seu marido e os dois filhos, Gavin, de 2 anos, e Jackson, de apenas 5 meses. Teri, que tem 28 anos, deixou o emprego para cuidar dos filhos e, enquanto o seu marido Jamie, que é militar, está fora trabalhando, ela se desdobra para cuidar de seus pequenos.

No dia a dia, para distrair as crianças, Terry tem como aliados, além de um cachorro e um gato, diversos brinquedos, como carrinhos, bonecos e cadeirinhas de balanço, que ocupam toda a sua sala de estar. No entanto, a relação entre esta mãe, comum como tantas outras, e os brinquedos de seus filhos é um pouco diferente.

Terry com os filhos Jackson e Gavin
 Foto: Jackie Albarella

Há algumas semanas, Teri foi uma das selecionadas, entre 10 mil famílias, para participar de um projeto, o Play Lab, desenvolvido há 51 anos por uma das maiores empresas norte-americanas no setor de brinquedos.

A participação desta mãe no Play Lab, e dos quase 1500 pais que, anualmente, participam do projeto, consiste em levar para casa brinquedos recém-fabricados para que ela os teste durante duas semanas com os seus filhos, principalmente com o bebê Jackson. Kathleen Alfano trabalha há 33 anos no Play Lab e, atualmente, é diretora de pesquisas do programa. Ela diz que o retorno das famílias, assim como seus costumes, são fundamentais para a produção de brinquedos com qualidade que, além de divertir, também contribuam para o desenvolvimento das crianças.
Teri testa uma cadeirinha de balanço com Jackson
 Foto: Jackie Albarella

Além de oferecer brinquedos para que as mães realizem testes em suas próprias casas, o Play Lab também as recebe semanalmente na sede da empresa para um bate papo descontraído entre dez mães e engenheiros, designers ou a equipe de marketing, em um programa de testes chamado ‘Painel de Mães’. As discussões entre as mães e os profissionais envolvem questões sobre os brinquedos utilizados pelas crianças e pelos bebês, nas quais críticas, ideias e sugestões são expostas na conversa, que é totalmente observada por outros profissionais através de um espelho monitor, que anotam e acatam algumas das sugestões. “Quando vemos o resultado final, nós nos sentimentos mais importantes por termos contribuído de alguma maneira”, comentou Laryn, uma das mães participantes do Painel.

Mães durante o Painel das Mães
 Foto: Jackie Albarella

No Play Lab, as portas também estão abertas às crianças, cuja participação é extremamente importante. Durante 2 meses, seis crianças – três meninos e três meninas -, com idades entre 3 e 5 anos, frequentam, duas vezes por semana, uma brinquedoteca nas dependências da empresa, onde, aos cuidados de uma educadora e uma assistente, realizam diversas brincadeiras, divertem-se com vários brinquedos e também experimentam produtos novos, que ainda nem foram para as lojas ou são, ainda, apenas protótipos. O principal objetivo deste espaço, que recebe o nome de Discovery Room – ou Sala da Descoberta – é funcionar como um laboratório, no qual as crianças também são observadas por um espelho monitor para que engenheiros e projetistas anotem como as crianças brincam, interagem e utilizam os brinquedos, a fim de fazer com que as produções fiquem mais próximas o possível daquilo que a criança quer e precisa. Um brinquedo só é realmente produzido se passar pela aprovação dos pais e do público infantil.

Durante 2 horas, as crianças brincam e ‘testam’ brinquedos no Play Lab
 Foto: Jackie Albarella

Após ser aprovado, os brinquedos passam por modificações, recebem pintura, ganham um novo formato, se necessário, e passam por rigorosos testes de segurança: a tinta utilizada no produto, se os espaços do brinquedo permitem que a criança prenda os dedinhos ou até mesmo a cabeça, qual a durabilidade se pegar chuva, se há a possibilidade de proliferação de insetos são algumas das muitas avaliações. Tudo deve ser minuciosamente checado antes de entrar na linha de produção. Segundo Joel Taft, gerente sênior da segurança dos produtos, “só o teste mecânico do produto leva cerca de um mês para ser concluído”. Todo o processo, desde a criação até chegar à casa dos consumidores, como a mamãe Teri e os seus filhos, demora, em média, um ano para ser finalizado.

No Brasil, não há nenhuma fábrica de brinquedos com um projeto como o Play Lab. Porém, o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, o Inmetro, é responsável pela fiscalização de diversos produtos de consumo, inclusive, os brinquedos. Todo brinquedo utilizado por crianças de até 14 anos, que for fabricado e comercializado no Brasil, deve passar por uma vistoria; uma amostra do mesmo é levada a um laboratório competente e parceiro do Inmetro, onde passa por uma bateria de testes. Até os brinquedos importados, mesmo já tendo passado por testes nos seus países de origem, precisam ser submetidos a uma avaliação do Instituto. Quando aprovados, os brinquedos recebem um selo de identificação, indicando que o produto é seguro.

Por isso, é muito importante que os pais sempre ofereçam às crianças brinquedos com o selo do Inmetro. Além disso, também é fundamental que forneçam brinquedos indicados para a faixa etária da criança e sempre supervisionem suas brincadeiras, afinal, como dizem, todo cuidado é pouco.

*Débora Emílio viajou a convite da Fisher-Price para conhecer o Play Lab e as dependências da empresa, que fica em East Aurora, NY.
Agradecimentos: Fisher-Price e In Press Porter Novelli




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