Papo de Mãe
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Gestação e parto na pandemia

Obstáculo “material” vencido. Chegou a hora de ter o bebê.

Roberta Manreza Publicado em 30/11/2020, às 00h00 - Atualizado às 14h00

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30 de novembro de 2020


A minha experiência como mãe durante o isolamento social

Meu nome é Maiara Jorge, tenho 29 anos, sou engenheira civil e mãe da Mariana, de 04 meses. E essa é a minha história:

Com 5 meses de gestação, as notícias sobre a pandemia começaram a mostrar que a situação no Brasil estava ficando ruim. A empresa onde trabalho decidiu me afastar das obras, afinal algumas fontes apontavam que as grávidas faziam parte do grupo de risco. Além das grávidas, os idosos também estavam “na berlinda”, então tive que cortar o contato com o meu pai, de 82 anos, e com a minha mãe, de 71 anos. Aos poucos, me isolei completamente da família e amigos, saía apenas para fazer o acompanhamento do pré natal.

A gravidez foi avançando, eu não tinha enxoval e também não poderia comprar, na época, as lojas estavam todas fechadas. Tudo parecia dar errado, mas como dizem, um filho sempre vem com um pão debaixo do braço. Uma colega, que guardava todo o enxoval da primeira filha para o caso de ter um segundo bebê, desistiu de engravidar e me deu tudo aquilo, itens lindos e guardados com muito carinho. Meu marido aprendeu a pintar e deu um jeito no quarto. Nossos amigos e família se mobilizaram e fizeram um chá de bebê surpresa, uma prima e as amigas foram as responsáveis pela entrega dos presentes, vieram mascaradas e respeitando o distanciamento social.

Obstáculo “material” vencido. Chegou a hora de ter o bebê. Na 39ª semana de gestação, surgiu um possível problema no coração da minha filha, portanto fizemos uma cesárea. Tive medo, como seria a recuperação de uma cesárea sem a ajuda da minha mãe ou de outra pessoa? Quem cuidaria da casa, da comida e do bebê se eu tivesse com dores? Será que meu marido daria conta? Nenhum de nós dois tinha experiência com bebês ou mulheres no pós parto, somos filhos únicos.

Na maternidade, não podíamos receber visitas, éramos nós e a bebê. Fomos nos virando e perdendo o medo, não tinha jeito. Em casa, fuçamos em todos os canais do youtube e fomos aprendendo na prática, errando e acertando. Meu marido se virou nos 30: limpou, cozinhou, trocou as fraldas e foi companheiro nas mamadas da madrugada.  Hoje, recebemos apenas os avós, que também estão respeitando a quarentena.

Apesar do lado ruim da pandemia, este período nos tornou muito mais fortes e unidos.

Obrigada pela oportunidade. Adoro o programa.

Maiara Jorge 




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