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E quando pais separados falam mal um do outro para os filhos?

A especialista em desenvolvimento humano Stella Azulay comenta a situação de pais separados que falam mal um do outro aos filhos

Stella Azulay* Publicado em 04/08/2021, às 19h50

Stella Azulay é colunista do Papo de Mãe
Stella Azulay é colunista do Papo de Mãe

Olá, gente! Eu sou a Stella Azulay, diretora e fundadora da Escola de Pais e Adolescentes XD, e estou aqui para continuar a minha série sobre divórcio. Hoje, eu vou falar sobre como, quando e se criticar o ex ou a ex.

É muito comum que quando os casais se separam, um ou outro começam a falar "mal'’ do ex-parceiro para os filhos, às vezes é uma crítica, às vezes é realmente mais agressivo, às vezes é aquele comentariozinho maldoso, que vai causando uma grande confusão na cabeça das crianças. Gente, marido e mulher às vezes não são para sempre, mas pai e mãe sim são pra sempre, então a gente tem que ter sempre em mente que aquela pessoa será eternamente a figura paterna para aqueles filhos, e aquela pessoa será a figura materna para aqueles filhos.

Mas, somos seres humanos, então muitas vezes fazemos alguma crítica ou algum comentário, então como e quando fazer? Em que situações? Às vezes é até necessário que se faça uma crítica, e é um ponto bem delicado de se entender e ter esse discernimento de quando é necessário a crítica a um ex ou a uma ex.

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Mas enfim, primeiro vamos falar desta questão de falar mal, que às vezes é totalmente desregrada e exagerada. O parceiro que foi deixado, ou às vezes foi traído, se sente mais machucado pela relação e tem a tendência de usar os filhos para se revoltar com o/a ex, para mostrar que ele/ela errou, que ele/ela é pior do que ela/ele, ou ela/ele é pior do que ele/ela, né? Que, no caso, a gente tem que sempre falar das duas possibilidades: pai ou mãe, ou qualquer outro tipo de possibilidade.

Aí, gente, eu trago de novo a questão da saúde mental, da formação de caráter, do que você quer que seus filhos sejam amanhã como pais e mães, do que você espera que eles façam nos relacionamentos que tiverem. Eles vão repetir muitas coisas, muitas coisas podem causar uma revolta muito grande e até mesmo prejudicá-los em futuros relacionamentos, em que eles não vão querer se relacionar para não correrem o risco de repetir ou de terem que passar por esse tipo de crítica, julgamento, tensão, brigas.

Então os pais, às vezes, ficam com um olhar muito a curto prazo, muito pequeno, e esquecem dos filhos, do dano que isso causa, do prejuízo que isso causa para eles na vida deles. Acham que estão vencendo fazendo algum tipo de alienação parental, disputando o amor daquele filho, a admiração daquele filho, querendo que ele ou ela sejam vistos como a mãe maravilhosa e o pai horrível, ou o pai maravilhoso e a mãe horrível. A única coisa que vocês vão conseguir fazer é um estrago imenso na cabeça e no futuro dos seus filhos. Vocês precisam ter essa consciência, gente.

Eu assisto horrorizada situações que eu não entendo como é que adultos responsáveis que têm seus trabalhos, que têm experiências na vida, que já foram um dia crianças ou adolescentes, se permitem agir de uma forma tão infantilizada e tão prejudicial à saúde dos próprios filhos.

Agora, tem uma situação ímpar, que é quando o ex ou a ex tem um comportamento que pode prejudicar de verdade a educação dos filhos e a formação de caráter e saúde mental, enfim, tudo isso que a gente já falou. Muitas vezes um ex-parceiro ou uma ex- parceira tem algum tipo de questão emocional, de questão de saúde mental, às vezes tem a questão da agressividade, da agressão física, do abuso verbal. Aí sim, o outro ou a outra, a mãe ou o pai, tem a obrigação de, com muito cuidado, esclarecer pros filhos de que aquela atitude não é normal, de que aquela atitude precisa de um tratamento, de um acompanhamento, e às vezes um distanciamento é importante.

Mas, atenção, que minhas palavras não sejam mal usadas. Existem situações muito específicas e que é até importante que tenha um acompanhamento de um profissional da saúde, para que esse diálogo, essa comunicação, esse esclarecimento para aquela criança ou adolescente surta um efeito positivo, e não negativo. Ou seja, que ele compreenda que esse é o pai, ou essa é a mãe, e temos que aceitar e respeitar, mas que aquele comportamento, aquela atitude não é correto, não é saudável, essa consciência é sim muito importante. Então, cada caso é um caso, não se pode sair falando mal do ex ou da ex pros filhos, pois isso causa um dano muito grande, ao mesmo tempo que temos que proteger os nossos filhos de atitudes tóxicas, agressivas e indesejáveis que os exs tiveram.

Então, pais e mães que estão aqui me acompanhando nessa série de colunas sobre divórcio, algo que hoje faz parte da vida de muitos casais, principalmente nesse momento de pandemia, tenham muita serenidade para tratar do tema com os filhos, é o futuro deles que está em jogo, muito mais do que o futuro dos pais, é o futuro desses futuros cidadãos, futuros pais, futuras mães. Então uma mão na mente, outra no coração, na consciência, antes de causar aí um rastro de destruição que pode ser irreversível.

Espero vocês na próxima coluna, faltam mais duas nesta série, essa foi a terceira. 

Assista ao vídeo da Stella Azulay sobre divórcio

*Stella Azulay é especialista em desenvolvimento humano e diretora da Escola de Pais XD e da Escola de Adolescentes XD

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