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25/11/2020

Analfabetismo cria novos obstáculos para pessoas com deficiência em SP

Falta de escolas acessíveis e profissionais capacitados dificultam inclusão escolar
 
Analfabetismo e baixos índices de escolaridade são mais um fator de exclusão social para pessoas com deficiência que moram na periferia de São Paulo, segundo relatório de atividades 2012/2013 do projeto “Cadê Você”, uma iniciativa do Instituto Mara Gabrilli que há três anos promove o mapeamento da população com deficiência e que reside nas áreas mais carentes do município. Um trabalho pioneiro já que nunca antes um levantamento como esse havia sido feito: as pessoas com deficiências em comunidades carentes eram cidadãos invisíveis.
O levantamento inclui dados colhidos com 506 pessoas com deficiência (física, múltipla ou intelectual) com idade entre 0 e 59 anos. Entre elas, 447 estão em idade escolar, ou seja, têm a partir de sete anos de idade.
Deste total, 263 pessoas – ou 56% dos entrevistados – revelaram não saber ler nem escrever, e 34 pessoas declararam nunca ter frequentado uma escola. Entre os alfabetizados, 152 pessoas (43% dos atendidos em idade escolar) estudaram até  primeiro ciclo do ensino fundamental.
Segundo o mesmo levantamento, os motivos que levam ao baixo índice de escolaridade incluem pouca oferta de escolas para as quais eles possam se locomover, transporte inadequado, educadores sem formação adequada para lidar com essas minorias e a inexistência de materiais e tecnologias assistivas para garantir a diversidade dentro de ambientes escolares, tais como cuidadores, móveis adaptados, intérpretes de Libras e pranchas de comunicação.
“São pessoas muitas vezes excluídas da sociedade, que ficam esquecidas sem poder sair de suas casas, por falta de acesso, por falta de informação. A ideia do “Cadê Você?” é encontrar essas pessoas, até então invisíveis à sociedade”, diz a deputada federal Mara Gabrilli (PSDB), fundadora do IMG.
Desemprego e baixa renda acompanham índices ruins de educação
Outro aspecto preocupante apontado pelo relatório do projeto “Cadê Você” é a baixa inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, seja ele formal ou informal. Dos 305 dos entrevistados com idade suficiente para ingressar no mercado de trabalho, mesmo na função de aprendiz, apenas 34 pessoas declararam ter algum tipo de ocupação.
Grande parte não soube informar o motivo do desemprego e outros apontaram a própria deficiência, problemas de saúde, falta de oportunidades, falta de autonomia e até medo de perder o direito a aposentadoria como razões para não ingressar no mercado de trabalho.
“Esse cenário se agravou ao longo dos anos e formou-se um ciclo: a pessoa não tem calçadas para chegar ao ponto de ônibus; não tem transporte acessível para chegar aos hospitais e unidades de atendimento; não tem saúde e acesso para frequentar uma escola; não tem formação adequada para ingressar no mercado de trabalho. É preciso investir em todas as áreas”, diz a deputada.
Os baixos índices de educação e inclusão profissionalizante refletem, claro, diretamente na situação financeira. Por isso, a renda per capita desse cidadão é de até um salário mínimo para 383 pessoas e de meio salário mínimo para outras 173.
Sobre eventuais benefícios governamentais, 324 pessoas afirmaram receber  algum tipo de suporte financeiro, como o Benefício de Prestação Continuada (LOAS), aposentadoria, auxílio doença etc. Outros 182 vivem sem qualquer tipo de recursos provenientes de programas do poder público.
Sobre o projeto
O relatório 2012/2013 do projeto “Cadê Você” foi idealizado e coordenado pela deputada federal Mara Gabrilli e realizado por equipes multidisciplinares formadas por assistentes sociais, fonoaudiólogos, psicólogos, fisioterapeutas e terapeuta ocupacional. Durante os 14 mutirões feitos ao longo do ano para coleta de dados, as equipes aproveitaram as visitas para informar a população sobre serviços e direitos disponíveis para pessoas com deficiência nas áreas de saúde, educação, transporte, trabalho, acessibilidade, cultura e esportes.
Entre os atendidos na segunda fase do programa, 295 têm deficiência congênita, enquanto 107 têm deficiências causadas por algum tipo de doença. Nos demais casos, as causas da deficiência são acidentes de trânsito, armas de fogo, queda, entre outros. O tipo de deficiência que prevaleceu foi física (212), seguida de deficiência múltipla – 126 (deficiência física associada a uma ou mais deficiências cognitivas) e deficiência intelectual (73).
Para mais informações, pedidos de entrevistas e imagens, contatar vanessa@ticomunicacoes.com
DICA: Reveja o Papo de Mãe sobre ALFABETIZAÇÃO e o Papo de Mãe sobre INCLUSÃO SOCIAL

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