Papo de Mãe
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O trabalho em rede

A construção de uma rede é fundamental para garantir informação, trocar conhecimento, acolher e abrir caminhos.

Roberta Manreza Publicado em 06/11/2020, às 00h00 - Atualizado em 07/11/2020, às 13h18

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6 de novembro de 2020


Por Thaissa Alvarenga. 

Quando nasce uma criança com deficiência, tudo muda na vida dos pais e da família. A primeira notícia traz muitos questionamentos sobre as fases do desenvolvimento infantil, sobre alimentação, saúde, educação e futuro. Eu, como mãe de uma criança com síndrome de Down, passei por algumas dessas fases e descubro todos os dias que tudo é muito específico, cada criança tem as suas particularidades.

Desde o nascimento do meu primeiro filho, o Francisco, que nasceu com síndrome de Down, vejo a importância do trabalho em equipe para o desenvolvimento dele, o que chamo de rede estendida. Cada evolução, aprendizado e conquista são resultados do trabalho familiar, das terapeutas, dos médicos e da escola. Esse trabalho em conjunto é fundamental pois dialoga com diferentes áreas, a fim de possibilitar a inserção social, a independência e autonomia da criança.

Essa rede permite realizar adaptações quando são necessárias, novos formatos de aprendizado, amplia os recursos utilizados para o desenvolvimento, trabalha as dificuldades e constrói um plano pedagógico que inclui. A essa criança assistida por uma rede de apoio é possibilitada a troca, a socialização, o brincar, o aprender e ensinar, o fazer em grupo, a amizade e, também, a individualidade.

Depois do Chico, ainda tive mais duas meninas, Maria Clara e Maria Antonia, e, acompanhando o desenvolvimento delas, percebi o quanto a troca entre as crianças é fundamental. Elas ensinam o irmão, que avança a cada dia, e também aprendem. Conviver com as diferenças tem sido fundamental para a formação dos meus filhos, dos amigos da escola, os amigos do prédio e colegas das aulas extracurriculares enquanto cidadãos.

A construção de uma rede é fundamental para garantir informação, trocar conhecimento, acolher e abrir caminhos. O trabalho que realizo há mais de dois anos, a frente da ONG Nosso Olhar, é justamente pensando nisso. Mobilizamos, nos unimos a outros projetos e instituições com um único propósito: levar a todos os setores os temas diversidade e inclusão. Estamos construindo uma nova sociedade para os meus, os seus, os nossos filhos.

Neste ano, a ONG Nosso Olhar deu o primeiro passo para a construção desse trabalho em rede. Junto ao Instituto Empathiae, nós abrimos o Espaço Rede T21. Uma casa colaborativa com projetos, atendimentos terapêuticos, espaço multiuso, sala pedagógica, horta, laboratório gastronômico, atendimentos sociais de odontopediatria e um tatame inclusivo. O espaço nasceu para ser de todos, para acolher, mobilizar e realizar atividades que possam dar um passo à frente no tema inclusão.

*Thaissa Alvarenga é fundadora da ONG Nosso Olhar.

http://nossoolhar.org




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