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Memórias e conexões: uma chave para o aprendizado de uma segunda língua

O colunista Emanoel Ceress fala sobre alguns segredos para conseguir aprender uma segunda língua. Ele é educador e professor de inglês

Emanoel Ceress* Publicado em 19/04/2022, às 10h48

O professor Emanoel Ceress
O professor Emanoel Ceress
Sempre acreditei que  palavras como “boa” e “agradável” poderiam mudar a vida de alguém. Não sei você, mas eu amo relembrar as boas memórias de meu tempo de escola ou até mesmo os momentos mais únicos de minha vida: a primeira carteira, meu primeiro contato com a água que eu posso lembrar, meu primeiro professor na escola...  Memórias me fazem ter um sentimento nostálgico da vida.
familia
Memórias de família
Você  lembra algum desenho animado que te deixava feliz? Como era o seu brinquedo favorito? Já teve a necessidade de buscar mais recordações na mente achando que elas estão em algum lugar quase que acessível ao agora? Alguma lembrança ficou perdida? O que fazer? É  dito que a prática leva a perfeição. Que tal correr agora pela sua memória buscando boas recordações, daquelas agradáveis à mente!
De acordo com os especialistas,  uma memória de primeira linha está ao alcance da maioria das pessoas.
Alguns estímulos práticos regulares podem ajudar até mesmo os mais esquecidos e transformar informação aleatórias em informação-chiclete, dessas que colam na memória. Quando  comecei a te perguntar sobre as suas memórias passadas,você provavelmente fez uma busca rápida em sua mente. Lembrou algum elemento que nem achava mais que lá existisse e sentiu a sensação da lembrança. É dessa forma que começamos a perceber que nossa capacidade natural de aprender é sensacional. Quanta informação existe em nossa cabeça que um exercício de recordação traz à tona?! 

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Quando estamos envolvidos na aprendizagem de um idioma estrangeiro, uma boa técnica de estímulo é o exercício de memória. Existem inúmeros aplicativos associados a ensino de idiomas, mas é comum não sabermos qual usar para uma melhor aprendizagem. Agora, imagine que exista um aplicativo que garanta que você aprenda no seu ritmo e naturalmente. Para muitas pessoas seria mais fácil lembrar informações que estivessem ligadas a uma dica visual, para outras aprender por meio de paródias possibilitariam melhores resultados. 
Contudo, se você quiser ir mais longe e realmente expandir sua memória, você precisa envolver diferentes partes do seu cérebro anexando sensações a ela. Segundo Chester Santos, especialista em memória e palestrante motivacional, a elaboração de sentenças que envolvam sentidos adicionais promove um número maior de conexões no cérebro humano.
Imagine que a rua está fria e varrida pelo vento ou chuvosa. Veja, imagine, cheire, saboreie os elementos e atinja os sentidos adicionais envolvidos.  Deixe  a memória maluca. A introdução de um aspecto estranho à cena desencadeia a capacidade natural dos humanos de lembrar de eventos incomuns ou emocionantes: que tal pegar o seu brinquedo favorito da infância e mergulhá-lo numa bacia de chocolate derretido? Ao evocar artificialmente essa sensação em sua cabeça, é possível imitar o mesmo efeito.
O estudo da segunda língua, como por exemplo o inglês, atua neste processo de aumento de conexões neurais. A habilidade desenvolvida no bilinguismo é expressão dessa fusão de conexões que possibilita ao indivíduo pensar por meio de uma outra língua e absorver uma outra forma de pensar.  Então, caso você esteja estudando um novo idioma ou querendo aprimorar as habilidades de memorização está aí uma boa dica para desenvolver sua capacidade de memorização. Não se esqueça que ler em outro idioma o que você gosta, ouvir o que te agrada e assistir o que te apraz podem mudar a sua forma de enxergar o mundo.
*Emanoel Ceress é Emanoel Rodrigues da Silva, intérprete de língua inglesa, professor de inglês no Gran Cursos Online, especialista em Linguística Aplicada e em Psicopedagogia. Professor de inglês e também tem um canal no youtube.
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