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Volta às aulas presenciais de crianças e adolescentes: readaptação ou uma nova adaptação?

Depois de tanto tempo sem aulas presenciais, os estudantes estão prontos para voltar? O que pais e mães podem fazer para ajudar? O momento é de dúvidas

Larissa Fonseca* Publicado em 27/07/2021, às 07h00

Todos prontos para a volta às aulas presenciais?
Todos prontos para a volta às aulas presenciais?

O fim de julho e o início de agosto são marcados pelo período da volta às aulas e, este ano, esse retorno será ainda mais repleto de desafios e diferentes emoções.

Muitas foram as mudanças na vida dos alunos, dos professores e das famílias, já que essa geração jamais havia passado por uma situação tão singular quanto a que vivemos ao longo desses mais de 500 dias de pandemia.

Algumas crianças irão à escola pela primeira vez, outras passarão a frequentar um novo colégio, algumas voltarão para suas escolas anteriores pois tiveram que mudar de instituição durante a pandemia, e existem ainda os estudantes que seguirão em suas escolas já conhecidas. Seja qual for o caso, as próximas semanas marcam uma importante fase de adaptação e readaptação, envolvendo múltiplas integrações: criança-família, criança-escola, família-escola, seja para quem está estreando nesta jornada escolar ou para os mais “experientes”.

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O fato é que, nesse período de adaptação e readaptação, famílias e professores terão um papel de fundamental importância e devem priorizar ainda mais a parceria, confiança mútua e diálogo em prol das crianças e adolescentes.

Mais do que nunca, nesse processo, o acolhimento será fundamental. Acolher os alunos com suas diferentes características, acolher as famílias e tranquilizar os responsáveis com seus anseios, acolher os educadores e equipe escolar em seus imensos desafios que têm enfrentado e seguirão enfrentando, acolher o incerto, já que ainda não sabemos como toda essa comunidade escolar vai se encontrar e se reencontrar.

Para contribuir com essa etapa cheia de novidades, desafios e incertezas, trouxe algumas sugestões com o intuito de auxiliar na construção desses relacionamentos.

Um bom começo é estabelecer uma relação de confiança entre famílias e comunidade escolar, construir vínculo entre os profissionais que representam a instituição, e as famílias. Compartilhar informações sobre os alunos, seja com as famílias, com professores do ano anterior ou a partir dos relatórios individuais, também é um grande passo inicial. Para as famílias, deixe a Escola e os educadores saberem de suas inquietações, e também de como você tem percebido a criança/adolescente. Quanto mais informações e detalhes, melhor a Escola pode se organizar para acolher os estudantes.  

Os educadores que seguirão com a mesma turma podem resgatar algo de outro ano, ou mesmo do último semestre, que seja do agrado de todo o grupo, garantindo um ambiente acolhedor e familiar.

Para as famílias de crianças que frequentam o Ensino Infantil, é válido levar objetos de casa dos quais os filhos têm apego, para sentirem-se familiarizados com o novo ambiente. Isso facilita a adaptação por oferecer segurança e conforto à criança. Mas claro, neste momento, sempre confirmando a possibilidade de acordo com os protocolos sanitários vigentes.

O espaço físico também contribui com a concepção de acolhimento. Assim, para os educadores, a dica é organizá-lo de modo convidativo para as necessidades de cada turma, assim como dos alunos individualmente. O professor proporciona uma atmosfera agradável, que desperta o interesse dos alunos em participar das propostas apresentadas em sala de aula. É indicado que as crianças tenham fácil acesso aos materiais e que haja uma boa circulação entre os espaços para favorecer a construção da autonomia. As mesas e o mobiliário das salas podem ser organizados e reajustados de acordo com os objetivos e propostas.

Por fim, após a fase de preparação e recepção dos alunos, vale ficar atento às manifestações individuais. Independente da idade, seja pelo choro, pelo silêncio, por gestos ou comportamentos, tanto professor, quanto os responsáveis devem pensar em intervenções, estratégias e atividades diferenciadas para envolver a criança/adolescente que esteja passando por uma dificuldade ou desafio maior nesse período. 

Uma boa alternativa é propor dinâmicas que estabeleçam diálogos e assim tentar ajudar os estudantes em suas necessidades imediatas.

Finalizo com um pensamento que ilustra bem essa fase tão importante no decorrer de todo o semestre: “Em sala de aula, devemos antes conquistar as emoções dos alunos e depois a razão.” - Vygotsky

Que esse retorno maior ao ensino presencial seja de ainda mais superação e de muita alegria e leveza!

*Larissa Fonseca é Pedagoga e NeuroPedagoga graduada pela USP, Pós Graduada em Psicopedagogia, Psicomotricidade e Educação Infantil. Autora do livro Dúvidas de Mãe.

Confira a participação de Larissa Fonseca no Papo de Mãe

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