Papo de Mãe
Papo de Mãe

Vacinação para adolescentes

Roberta Manreza Publicado em 05/05/2017, às 00h00

None
5 de maio de 2017


Por Dra. Melissa Palmieri*, pediatra com aperfeiçoamento em infectologia

Especialista faz alerta para doses contra doenças que podem ser fatais e que estão disponíveis apenas na rede privada

A Sociedade Brasileira de Imunizações é clara: recomenda 12 vacinas para os jovens que têm entre 11 e 19 anos de idade. A imunização, no entanto, para algumas delas só é encontrada na rede privada. Muitos pais, por limitação financeira, optam por abrir mão. Mas a Dra. Melissa Palmieri, coordenadora médica de vacinas do Grupo Hermes Pardini, alerta para a importância da vacinação completa e para a necessidade do sistema público ampliar a sua atuação no combate a doenças que podem ser fatais nessa faixa etária. “Devido ao comportamento do adolescente, com uma exposição social maior e a circulação em ambientes distintos, é imprescindível que o calendário de vacinação esteja em dia”, afirma.

No caso da meningite, por exemplo, a especialista explica que o adolescente é o principal portador da bactéria na garganta. “É uma fase em que se divide muito os copos de bebida, compartilha-se comida, beija na boca e frequenta ambientes fechados com muitas pessoas todo fim de semana. Essa conduta usual de adolescente expõe um grupo maior de pessoas consideradas vulneráveis à doença”, complementa.

Preocupado com essa faixa etária, o governo federal vem introduzindo novas vacinas ao Sistema Único de Saúde e ampliando a faixa etária dos grupos contemplados. É o caso do HPV, cuja vacina passou a ser oferecida, em janeiro deste ano, para meninos de 12 a 13 anos. A expectativa é que, até 2020, atenda garotos já a partir dos 9.

Mas algumas vacinas para adolescentes continuam disponíveis só na rede privada. A Dra. Melissa alerta para a necessidade dos pais tentarem, dentro das suas possibilidades, se programarem financeiramente. “É difícil escolher apenas uma das vacinas para tomar. As 6 doenças que não estão contempladas no SUS, ao infectar os chamados adolescentes ou adultos jovens, podem ser graves. Isso porque, em alguns casos, infelizmente, podem evoluir para sequelas ou morte”, pondera.

Abaixo, uma lista com as vacinas recomendadas pela SBIm que estão exclusivamente na rede privada e os riscos das doenças contra as quais elas protegem:

Hepatite A 

O vírus da hepatite A pode ser contraído através de água ou alimentos contaminados. Provoca infecção no fígado. Entre os sintomas, estão fadiga, náuseas, dor abdominal, perda de apetite e febre baixa.

É facilmente contraído, mas são raros os casos de complicação e óbito. No entanto, requer repouso e pode levar a até 30 dias de afastamento da escola.

A doença atinge, majoritariamente, crianças entre 6 e 13 anos de idade.

Coqueluche

A coqueluche é uma doença que compromete o aparelho respiratório. Como sintomas iniciais apresenta febre, coriza, mal-estar e tosse seca, que, em sua evolução, torna-se contínua, podendo chegar à insuficiência respiratória. Ela é transmitida através de gotículas de saliva expelidas pela tosse, espirro ou fala.

Na rede pública, a vacina é oferecida a gestantes e mulheres que acabaram de dar à luz. Na rede privada, a vacina oferecida é a tríplice bacteriana adulto acelular, que contempla três doenças: difteria, tétano e coqueluche.

Entre o público mais suscetível à doença estão crianças e adolescentes entre 6 e 18 anos.

Varicela (catapora)

A varicela é altamente contagiosa para quem ainda não teve a doença ou não foi vacinado contra ela. Usualmente provoca irritação cutânea e bolhas na pele autolimitadas. Entretanto, em um pequeno percentual de pessoas, pode evoluir para complicações como infecções secundárias na pele, pneumonias, e até manifestações neurológicas graves.

Atinge principalmente crianças entre 6 e 13 anos de idade. Mas o vírus pode se reativar quando a pessoa fica mais velha, desenvolvendo a doença chamada herpes-zóster. A melhor forma de evitar, é a vacinação infantil e, nos que perderam a oportunidade precoce, na adolescência.

Meningocócica conjugada ACWY

A meningite é uma infecção causada por agentes como vírus, bactérias e fungos. As meningites causadas por bactérias são doenças contagiosas graves, que podem levar à surdez, paralisias, amputações de membros, epilepsia e outras desordens neurológicas. Em alguns casos, a meningite pode ser fatal, sendo que a letalidade varia em torno de 20% a 30%.

O segundo pico de incidência das doenças causadas pelo meningococo ocorre justamente na adolescência. Vale lembrar que o adolescente é o principal portador da bactéria na garganta.

Essa vacina protege contra 4 tipos de meningococos, que circulam em cerca de 80% dos casos da doença no país.

Meningocócica B

A meningite B também é uma doença contagiosa grave. Cerca de 20% dos meningococos que circulam no país são representados pelo tipo B. Essa vacina, apesar de ser contra apenas um tipo de bactéria, é de extrema importância na fase da adolescência devido às mesmas informações descritas anteriormente, sobre a ACWY.

Dengue

A dengue é uma doença viral, transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti, que provoca febre, erupção cutânea, dor muscular e nas articulações. Ela também pode ser fatal. De 10% a 20% dos casos podem evoluir de forma grave. Sem tratamento precoce, o risco de complicação e óbito aumenta.

*A Dra. Melissa Palmieri é coordenadora médica de vacinas do Grupo Hermes Pardini e membro da Sociedade Brasileira de Imunizações. Foi diretora da regional de São Paulo da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) no período de 2012 a 2013. Pediatra com aperfeiçoamento em infectologia, trabalha com vacinas há 13 anos e é pós-graduada na FGV em Administração Hospitalar e Serviços de Saúde. Atua, ainda, na Vigilância Epidemiológica do Município de São Paulo. 




ColunistasHomeAdolescenteSaúde