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Vacinação em adolescentes contra Covid-19 é completamente segura, reforçam especialistas

Em meio a tanta especulação e desinformação sobre vacinação em adolescentes, mães e pais devem dar ouvidos à Anvisa e à Sociedade Brasileira de Pediatra

Ana Beatriz Gonçalves* Publicado em 21/09/2021, às 17h23 - Atualizado em 22/09/2021, às 15h43

Vacinação em adolescentes: jovens de 12 a 18 anos devem se vacinar
Vacinação em adolescentes: jovens de 12 a 18 anos devem se vacinar

Vacinar ou não, eis a questão... O que não deveria ser uma dúvida, infelizmente ainda tem causado questionamento entre pais, mães e cuidadores. Com a recente posição do Ministério de Saúde sobre a imunização dos adolescentesacima de 12 anos, a insegurança e desinformação em torno do assunto dispararam.

Na mesma semana em que o ministro Marcelo Queiroga declarou o recuo da recomendação para adolescentes de 12 a 18 anos sem comorbidades no Programa Nacional de Imunizações (PNI) – indo na contramão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)–, Karolly Ludger, mãe do Victor, 13 anos, levou o filho para tomar a primeira dose da Pfizer.

"Já estava com a polêmica da vacina, só que eu penso assim: independente, a gente sabe que sempre alguém vai ter algum problema. Eu não acredito que a vacina foi o motivo da morte da menina e como meu filho tem bronquite asmática, pra mim foi ótimo ele se vacinar", comenta Karolly ao Papo de Mãe.

O caso citado pela entrevistada foi o principal motivo para o novo posicionamento do Ministério. Isabelle Borges Valentim, de 16 anos, moradora de São Bernardo do Campo, na grande São Paulo, morreu sete dias após tomar a primeira dose da vacina. No entanto, o laudo médico apontou que a sua morte foi atribuída ao diagnóstico de doença autoimune, denominada púrpura trombótica trombocitopênica (PTT), e não em decorrência da vacina.

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A Dra. Lilian Zaboto, pediatra e membra da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBIM), ressalta que a vacina da Pfizer não apresenta nenhum risco de reações adversas, fora as já conhecidas de qualquer vacina, que são, segundo ela, febre baixa e dor no local da aplicação.

"Sabemos que qualquer vacina pode causar essas reações. Os pais podem ficar tranquilos enquanto à vacinação, que deve ser feita. A vacina é completamente segura e a principal responsável pela queda de mortalidade pela Covid-19 e internações", orienta a médica.

Karolly Ludger diz se sentir mais segura com a vacina para a retomada do filho nas aulas presenciais. "Eu tenho mais segurança pra ele voltar pra escola, por isso ele volta apenas ano que vem [após a segunda dose]. Já até conversei com a diretora. Eu perdi parentes e conheço muita gente que faleceu de Covid", afirma.

Assim como a Anvisa, a Sociedade Brasileira de Pediatra recomenda a vacinação em adolescentes com ou sem comorbidades. Através de um comunicado oficial, a SBP recordou que apesar de chegar a 5% os casos de Covid-19em crianças, elas não estão isentas de desenvolver as formas graves da doença, além de apresentarem longas consequências que envolvem problemas cognitivos relacionados ao aprendizado.

Não há evidências científicas que possam justificar a decisão de interromper a vacinação de adolescentes, com ou sem comorbidades. A verdade é que a afirmação do ministro, nesse pronunciamento, foi inconsistente", disse Dr. Paulo Telles, pediatra e neonatologista pela SBP.

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Para Paulo Telles, o principal efeito adverso da vacina, que se conhece até o momento, pode estar associado ao erro de imunização, isto é, quando outro imunizante é aplicado. Vale reiterar que até o momento, o único permitido para a imunização de crianças e adolescentes é o da Pfizer. "Sabe o que é isso? Aplicaram, pasmem vocês, vacinas erradas, não liberadas para esta faixa etária, como Coronavac, AstraZeneca e Janssen".

No Brasil, a Covid-19 já provocou 43 mortes por milhão na população abaixo de 19 anos. Dra. Lilian Zaboto lembra que os jovens, apesar de não serem o principal grupo de risco, são os maiores responsáveis pela circulação do vírus, que vem apresentando variantes em todo o mundo.

Além disso, não é só aqui que os adolescentes estão recebendo doses da vacina. Alemanha, Canadá, Bahrein, Chile, Cuba, Estados Unidos, Equador, França, Hungria, Israel, Itália, México e Portugal também resolveram vacinar seus jovens.

"Para conseguir a tão falada imunidade de rebanho, precisaremos vacinar crianças e adolescentes para atingirmos a taxa máxima de pessoas vacinadas e reduzir a circulação e a taxa de transmissão comunitária", compartilhou o especialista neonatologista e pediatra, Paulo Telles.

Questão envolvendo miocardite 

A principal preocupação das pessoas são os casos de miocardite associada à vacina. A doença que causa inflamação na camada média da parede do coração é geralmente causada por uma infecção viral.

Nesse aspecto, o médico da SBP, Paulo Telles apontou que a incidência de efeitos adversos como a miocardite é de 16 para cada 1.000.000 de pessoas que recebem as duas doses, e é extremamente rara e muito inferior ao risco da própria Covid-19.

"Conseguiria ver lógica nessa decisão se a recomendação do Ministério da Saúde fosse a de parar temporariamente a vacinação nos adolescentes até que todos os adultos tivessem recebido às duas doses e os idosos, a terceira dose. Mas dizer que é necessário avaliar melhor os dados é um equívoco", afirmou ele.

Os sintomas da miocardite estão ligados a dor no peito, batimentos cardíacos anormais e falta de ar. Um caso grave da doença pode, de fato, enfraquecer o coração e provocar uma morte súbita. Mas para o médico especialista, pais e cuidadores não deveriam se preocupar com ela.

Posicionamento oficial

Embora a comunidade científica recomende a vacinação em adolescentes sem comorbidades, o Ministério da Saúde ainda se posiciona, até o momento, contrária a decisão.

"A pasta não recomenda, neste momento, a vacinação dos adolescentes que não apresentem algum fator de risco. A orientação é baseada, entre outros fatores, em evidências científicas que consideram o baixo risco de óbitos ou casos mais graves da Covid-19 neste público. Entre os adolescentes, de 15 a 19 anos, que morreram por Covid-19, 70% tinham pelo menos um fator de risco. Entre os mais de 20 milhões de adolescentes brasileiros, apenas 3,4% têm alguma comorbidade, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019. Esse número representa cerca de 600 mil jovens nesta faixa-etária", afirma o Ministério, que prefere se basear na recomendação da Câmara Técnica Assessora em Imunização e Doenças Transmissíveis e da Organização Mundial de Saúde (OMS).

“O Ministério da Saúde pode rever a sua posição, desde que haja evidências científicas sólidas em relação à vacinação em adolescentes sem comorbidades. Por enquanto, por uma questão de cautela, nós temos eventos adversos a serem investigados. Nós temos essas crianças e adolescentes que tomaram essas vacinas que não estavam recomendadas para eles. Nós temos que acompanhar esses adolescentes”, disse o ministro da Saúde Marcelo Queiroga na semana passada.

*Ana Beatriz Gonçalves é jornalista e repórter do Papo de Mãe

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