Papo de Mãe
Papo de Mãe

Sobre o pai que abandona seu filho

Roberta Manreza Publicado em 12/02/2016, às 00h00 - Atualizado às 10h25

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12 de fevereiro de 2016


Por  Guilherme Fuoco*, jornalista e autor do blog Papai Jovem

Aborto.

Aborto masculino.

Aborto de uma missão que lhe foi concedida: cuidar, criar, educar um filho.

Aborto de uma oportunidade de crescer pessoal e profissionalmente. Na vida, o homem ganha algumas oportunidades de mudança, de evolução, e ter um filho é exatamente uma delas.

O cara que resolve abandonar a mulher que está grávida, por qualquer motivo (seja uma doença do bebê, como estamos acompanhando no caso da microcefalia, ou qualquer outra razão) perde a chance de ter um combustível na vida dele.

Ele aborta a oportunidade de amadurecer e de se tornar alguém útil. Útil para uma criança. Útil para uma mãe. Útil para toda sociedade. Você “corre atrás” quando entende que tem aquele pedacinho seu de gente precisando de você. Trabalha mais, ajuda mais e até ganha mais dinheiro, por que não? Você, mais cedo ou mais tarde, compreende o que é o amor e o papel da presença do pai na vida de uma criança. Isso, me perdoe o clichê, não tem valor.

Filho é benção. É sempre especial. Meus avós cuidaram com todo amor, por mais de 50 anos, de uma filha com deficiência visual, auditiva, motora. Minha já falecida tia Ana Cristina também não falava, mas veio ao mundo para batalhar pela vida, repousada diariamente na sua cama. Meus avós tiveram mais seis filhos depois dela e os seis viram o quanto os pais brigaram pela vida de sua primeira herdeira. Isso é lição de comportamento para toda a família. Aprendi com minha avó Neuza e com meu avô Santo a maior das minhas missões como ser humano pai: viver por meus filhos.

Esse cara que abandona, portanto, é covarde. E, pensando assim, as mães abandonadas são até “sortudas” de perderem esses companheiros. Quem se esquiva da responsabilidade de cuidar de seu próprio filho, deixa de lado qualquer um. Não merece ser pai. Pena que os filhos saem perdendo nessa, já que não terão a importante figura paterna no crescimento.

Por essas e outras que esses homens merecem judicialmente pagar pensão. E se não pagar pensão: prisão. A mãe perde um companheiro, mas, é verdade, está cheio de homem por aí que assume um filho, seja dele ou não. Um dia, essa mãe encontra um desses caras e ganha a felicidade que ela sempre teve por direito.

Aliás, quem disse que ela precisa mesmo de um cara ao seu lado para ser feliz? Uma guerreira XX que encara esse jogo no nível hard sabe se virar e não necessita de um XY para zerar o game, mano!

E pensar que esse rapaz desonrou sua própria mãe… Duvido que, quando sua mamãezinha viu aquele bebê fofinho chorando, sorrindo, imaginasse que um dia ele poderia se tornar um babaca, um covarde, um completo de um inútil. Sorte dele que ela não pensou em abortá-lo.

guilherme e filha

*Guilherme Fuoco, 26, é jornalista, pai da Laura, escreve o blog Papai Jovem e está lançando seu primeiro livro “Papai Jovem – Não suma. Assuma!”. 

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