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Ser e estar no mundo: uma reflexão sobre os dias comemorativos

A fundadora e presidente do Instituto Empathiae, Mônica Xavier, fala sobre inclusão. O instituto faz acolhimento de famílias que recebem a notícia de uma deficiência

Mônica Xavier* Publicado em 22/06/2021, às 10h53

Azul é a cor que simboliza o autismo
Azul é a cor que simboliza o autismo

Dia 18 de junho comemora-se o dia internacional do orgulho autista. Dia 21 de março, dia internacional da síndrome de Down. Temos o dia do orgulho LGBTQIA+, dia da mulher, dia dos pais, da criança, dos avós, dia daquele, do um e do outro. Na verdade, cada um de nós tem seu jeito de ser e de estar no mundo.

Cada um tem seu protagonismo, seus sonhos e seus desejos. Somos todos seres humanos, com especificidades, igualdades, eficiências e deficiências. Todos, sem exceção, têm sua contribuição para fazer do mundo um lugar diferente, esperamos que essa diferença seja sempre para melhor, embora nem sempre seja assim. Falamos de pessoas típicas e atípicas, pessoas com deficiência - o tal do “PCD” - e pessoas supereficientes, como se o mundo nos pertencesse e dele fizéssemos o que bem quisermos.

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Muitas vezes, olho para meus botões e me pergunto: quem sou eu nesse mundo de meu Deus? Tenho limitações, falhas e defeitos, alguns tão bem guardados que até eu mesma não me apercebo deles até que explodam como uma panela de pressão mal fechada. Essa forma imperfeita de ser é o que também me faz estar no mundo, ocupando um espaço rodeado de outras pessoas que, assim como eu, guardam suas limitações a sete chaves.

Nos fechamos em pequenos grupos, nos misturamos com aqueles parecidos conosco e até mesmo com nossos opostos, procurando completude na tentativa de mostrarmos nosso melhor lado, querendo estar inteiros no lugar que ocupamos. Juntamos nosso grupo, construímos uma casa e trancamos a porta, deixando para fora aqueles que consideramos não ser como nós, só porque suas imperfeições são tão diferentes das nossas que nos incomodam porque essas outras pessoas não têm a mesma capacidade que temos de fazer de conta.

Se somos todos gente e se estamos no mesmo mundo, por que somos tão rápidos em julgar aquele que não é a nossa cópia? Se nos entendêssemos como seres complementares que somos, se olhássemos para as diferenças como oportunidade de crescimento e não como defeito, se todos estivéssemos no mundo com o mesmo objetivo de fazê-lo um lugar melhor, não precisaríamos comemorar dias de uns e de outros porque seríamos orgulhosos uns dos outros, celebrando a vida do diferente que nos completa.

Mônica Xavier, do Instituto Empathiae

*Mônica Xavier é fundadora e presidente do Instituto Empathiae, pioneiro no acolhimento da mãe e da família que recebe a notícia da Síndrome de Down do bebê e outras deficiências. Acesse www.empathiae.org ou @institutoempathiae no Instagram e Facebook.

Assista à entrevista com a neuropsiquiatra Raquel Del Monde, que é mãe do Bruno, um rapaz autista de 22 anos, e com a Clarissa Meyer, mãe do Caio, de 15 anos, que tem autismo leve. 

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