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Retorno ao novo normal, e agora?

A colunista Tatiane Santos escreve sobre retorno das aulas presenciais como mãe, educadora e ainda dá uma dica de educação antirracista

Tatiane Santos* Publicado em 20/08/2021, às 07h00

Tatiane Santos com Lucas e Noah, no colo - Foto: Michele Calixto
Tatiane Santos com Lucas e Noah, no colo - Foto: Michele Calixto

Um ano e meio  após o início da pandemia causada pelo novo coronavírus, eu, Tatiane Santos, Educadora e Mãe, me preparo para o retorno, para o novo normal.

Tenho certeza que essa minha nova rotina deve ser a de muitas outras mães por aí. Antes da pandemia só tinha o Lucas de 5 anos, agora retorno também com o Noah, de 6 meses.

Nova rotina, porém ainda continuamos com medo, incertezas e com todos os protocolos necessários para um retorno seguro. E, é claro, com a primeira dose da vacina.

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Pais nunca se sentiram tão em dúvida: se por um lado não veem a hora de os filhos voltarem para a escola, por outro, sentem medo de expor as crianças ao risco da contaminação pelo coronavírus. E realmente não é uma decisão fácil: inúmeros pontos devem ser levados em consideração e, ainda assim, será uma decisão muito pessoal, de cada família.

Eu, por exemplo, volto ao novo normal, pois estava de licença gestante e o meu filho mais velho, de 5 anos, ficou com muito ciúmes do irmão. Então, ele voltando para a escola poderá ter novas interações. Mesmo que essas interações sejam diferentes do que eram antes.

Com tantas novas regras de convívio, respeitando o distanciamento e outros protocolos de segurança, como planejar as aulas e fazer as crianças se sentirem menos ansiosas e preparadas para o chamado novo normal? Crianças que ficaram por tanto tempo com a rotina de casa e agora voltam para a escola onde precisam de regras e combinados.

Mas o que mais deve ser levado em conta para que as crianças sejam recebidas com o acolhimento necessário? 

É muito importante cuidar e preparar a saúde emocional das crianças. Os pequenos são, normalmente, mais adaptáveis e lidam bem com mudanças, porém, uma pandemia com essa nenhum de nós tinha vivido. E há que se levar em conta também que cada família tem um contexto, ou seja, existem crianças que passaram por esse período de isolamento em um lar amoroso e outras que viveram momentos muito estressantes.

Como conviver com a doença, falta de alimento, falta de acolhimento, falta de acesso à internet para as aulas e outros desafios.

Por isso, é preciso ter muita sensibilidade para entender que, na volta às aulas, elas estarão sob pressão, mais ansiosas e irritadas.

Também precisamos pensar na saúde mental do professor, pois além dele estar em sala de aula e também no ensino remoto, ainda tem a sua família que vive a mesma insegurança que as outras famílias.

Não podemos esquecer que o professor também tem família, que estuda, trabalha, tem o medo de levar o vírus para casa, que é imenso, mas também pensamos em nossos alunos, pensamos no afeto, pensamos no acolhimento e interações que acontecem no espaço escolar.

O maior desafio que temos adiante é planejar as novas estratégias de ensino. Pelo que temos visto, até aqui a educação remota foi emergencial e não uma solução. É preciso criar redes colaborativas entre gestores, professores e coordenadores para que se compartilhem as boas práticas a fim de que todos possam evoluir.

O cenário de pandemia trouxe mudanças significativas para o mundo. É fácil perceber que não voltaremos ao que éramos antes, pois o novo normal será uma realidade diferente daquela com a qual estávamos acostumados.

Por isso a empatia e o respeito ao outro devem fazer parte de nossas vidas, nesses tempos desafiadores nos quais o equilíbrio emocional de todos está sendo tão requerido.

Vamos juntos mudar para o novo normal, vamos cuidar de nossa saúde mental, na escola e em casa.

Muitas pessoas e lugares se movimentaram durante a pandemia para empreender ou lutar por algo em que acreditavam.

Tive a oportunidade, como educadora e professora, de fazer parte de um grupo que sonha por uma escola antirracista.

A Maat Educação é uma escola de Educação Infantil onde a criança é sujeito ativo no seu processo de ensino e aprendizagem por meio de uma metodologia transdisciplinar centrada no Ser, na Comunidade e na Ancestralidade.

Convido a todos a conhecerem o site da escola MAAT Educação Afro-originária.

Todas as ações promovidas pela Maat neste momento têm o objetivo de captar recursos para inaugurar o espaço físico da escola em fevereiro de 2022.​

​Compartilhe, apoie e incentive as nossas ações!

*Tatiane Santos é educadora, autora do livro Super Black, o poder da Representatividade, e mãe de 2 meninos. @pretinhaeducadora

Assista entrevista do Papo de Mãe com Tatiane Santos

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