Papo de Mãe
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Quais as vantagens e os riscos das brincadeiras nos tanques de areia?

Roberta Manreza Publicado em 14/09/2015, às 00h00

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14 de setembro de 2015


Por Tempo de Creche * / Portal EBC

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A areia é um elemento da natureza, mas a experiência com esse material ainda é pouco incentivada na Educação Infantil. É uma prática que deve ser incorporada no dia a dia com as crianças, com planejamento, liberdade de vivência, criatividade e segurança.

Por que areia?

A areia desperta o interesse de crianças de qualquer contexto, das grandes cidades às comunidades rurais e indígenas. É fácil brincar com areia, bastam as mãos! Encher baldes, potes e formas, fazer comidinhas, planejar castelos e outras construções, favorecem aprendizados.

São experiências que testam as possibilidades do material: resistência, consistência, formatação, temperatura, umidade e permanência do que é construído, provocando o simbólico com muitas possibilidades criativas. Constituem vivências de conceitos que só mais tarde poderão ser formalizados.

Professores preocupados com a complexidade dos pensamentos da criança no momento do tanque de areia podem planejar uma intensa construção de conhecimentos:

– Observar a areia que escorre por tubos, canos, funis e garrafas pet;
– Desenhar com gravetos e palitos;
– Construir caminhos e transportar materiais;
– Planejar e construir castelos, montanhas, casinhas;
– Elaborar comidinhas com panelinhas, potes, colheres, pás e outros elementos da natureza (folhas, gravetos, flores e sementes);
– Cavar buracos, esconder e encontrar objetos;
– Enterrar e desenterrar partes do próprio corpo e do corpo do colega;
– Combinar a experiência com água para ampliar as possibilidades.

Os cuidados da brincadeira

Para as crianças:

– Utilizar roupas adequadas. Pode-se combinar com os pais para que mandem as crianças com roupas velhas, bem como uma muda de roupa extra nos dias de areia e água. Bonés e protetores solares também são importantes.
– Orientar os pequenos para que não joguem areia no rosto dos colegas e para que não levem as mãos com areia nos olhos. (Em caso de acidente com areia no olho, lavar imediatamente com água limpa e abundante ou soro fisiológico. Se persistir a irritação, encaminhar ao serviço de saúde)
– Após a atividade é importante lavar bem as mãos e antebraços dos pequenos (uma oportunidade para desenvolver a autonomia).
– Fazer um ritual com a turma batendo os pés, dando pulinhos e sacudindo as roupas para retirar os resíduos que eventualmente permaneçam nas roupas.
– No caso de alguma criança apresentar reação alérgica ao contato com a areia, solicitar relatório do médico sobre os cuidados específicos. Em situação de contraindicação do contato com a areia, conversar com o pequeno e os amigos e oferecer um material alternativo, como arroz e massas, numa bacia.

Para os adultos:

– Construir o tanque de areia com um sistema de drenagem que o impeça de ficar úmido e empapado em dias de chuva.
– Posicionar o tanque em local ventilado e ensolarado.
– Colocar telas ao redor do tanque de areia para evitar o acesso de animais.
– Cobrir o tanque com lona plástica no final do dia para evitar dejetos de gatos – principalmente à noite.
– Lavar os brinquedos utilizados nas brincadeiras com areia com o mesmo cuidado e frequência com que se cuida dos brinquedos de sala.
– Desinfetar a areia semanalmente com uma solução de hipoclorito de sódio (1%). As crianças não devem utilizar a areia por dois dias após esse tratamento (deve-se ter cuidado na manipulação e descarte dos recipientes com produtos clorados).
– Deixar o tanque descoberto ao sol e passar um rastelo diariamente.
– Revolver, de tempos em tempos, a areia das partes mais profundas para as mais superficiais, assim como das áreas mais sombreadas para as mais ensolaradas.
– Periodicamente peneirar a areia para retirar pedrinhas, folhas, galhos e objetos perdidos, que vão se acumulando.
– Trocar a areia uma vez por ano.

Creches que não podem construir um tanque de areia na área externa não devem privar seus pequenos dessa intensa experiência. Existem alternativas! Podem ser utilizadas as caixas de areia, piscinas de lona, gavetas fora de uso e até bacias em recintos internos. Conhecemos experiências muito interessantes com caixas de areia instaladas na altura da cintura das crianças, para que possam brincar com as mãos sem precisar sentar na areia.

O principal é que o horário destinado ao brincar não pode ser um tempo de sobra, e sim um momento planejado. Brincar com areia deve ser parte da rotina, com tempo, espaço e materiais planejados. Não esquecendo que os riscos da brincadeira estão também presentes nas praças e praias, e, apesar disso, a infância saudável conquista e se beneficia da areia há muitos anos!

* Texto baseado no conteúdo elaborado por Flavia Vasconcelos Gusmão, sócia e diretora da UNIEPRE, uma instituição de Educação Infantil que implanta e faz a gestão de creches e pré-escolas dentro de empresas




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