Papo de Mãe
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Paternidade: o protagonismo dos pais na criação dos filhos

Fala-se muito do papel do pai ou da função paterna. Mas , afinal, o que isso quer dizer? Vamos falar sobre paternidade?

Rodrigo Moraes* Publicado em 12/11/2021, às 12h29

Diego Amaral e a filha Lilah
Diego Amaral e a filha Lilah
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Ainda que acostumado ao nervosismo do mercado financeiro, a última quarta-feira do mês de outubro foi de grande ansiedade para o economista Diego Marigi.

Foi difícil conter a expectativa, à espera da noite em que embarcaria rumo aos Estados Unidos para finalmente, depois de dois longos meses, poder reencontrar a mulher, Meghan, e a filha, Lilah, de 1 ano e 6 meses.

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Diego, Meghan e a pequena Lilah

De mudança para o Brasil após 5 anos trabalhando em Nova York, Diego precisou vir antes para preparar a mudança. Tão logo tudo ficou pronto, voltou aos EUA para buscar a família.

“Não foi nada fácil. Dois meses foi um tempo bem longo. As crianças nessa fase mudam muito rápido. Teve que acontecer, por motivo de força maior, mas espero nunca mais ficar longe delas”, diz Diego, agora já mais tranquilo, junto à esposa e a filha.

O pós-parto do pai

Mas se em São Paulo ele sofria com a distância, no condado de Suffolk, a pouco mais de 100 quilômetros de Nova York, para além das saudades, Meghan também teve que se desdobrar para dar conta das tarefas que antes eram todas divididas com Diego. Isso porque ele pertence a uma geração de pais que, ao contrário do que acontecia no passado, procura dividir igualitariamente – ou quase – os cuidados na criação dos filhos.

“A gente tenta dividir as tarefas da maneira mais justa possível. Nós dois tentamos desempenhar um papel semelhante nos cuidados com a Lilah”, conta o economista.

“Se a Meghan tem alguma reunião importante muito cedo e precisa ter uma boa noite de sono, eu fico responsável por levantar quantas vezes forem necessárias durante a noite. Já no caso de eu ter que acordar muito cedo, ela assume a tarefa para que eu possa dormir melhor”, explica Diego, reconhecendo, no entanto, que nem todas as tarefas podem ser assumidas pelo pai.

“Nessa fase ainda há uma tarefa exclusivamente da mãe, que é amamentação, mas a gente tenta compensar essa função que só ela pode desempenhar”, diz Diego, que, na impossibilidade de contribuir na hora do aleitamento, costuma assumir o preparo das refeições sólidas.

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Ambos procuram não impor um sistema rígido na divisão dos afazeres, sempre tentando dividir equanimemente as obrigações, mas deixando para se adaptarem conforme as coisas vão acontecendo. Há, porém, uma única exceção: na hora do afeto, a conta não é de dividir, mas de multiplicar.

Diego diz acreditar pertencer a uma segunda geração em que os pais deixaram de encarnar uma postura mais distante e severa para serem também uma fonte de afeto para os filhos.

“Acho que na geração dos meus avós havia essa divisão em que o pai era o provedor, uma figura fechada e disciplinadora, enquanto cabia à mãe todo o carinho. Mas acredito que hoje os pais não têm problema em demonstrar afeição. Eu pelo menos não tenho nenhum problema com isso”, conta Diego.

De fato, é possível observar um maior envolvimento dos pais, sim, devido às mudanças culturais, diz a psicanalista Elisabeth Antonelli, ressaltando, porém, que isso é ainda algo mais comum entre as classes mais altas.

De qualquer maneira, ela diz que essa realidade é muito positiva para as crianças, mas não só para elas: “Certamente o pai também ganha muito com esta participação mais ativa. Se ele se mantém distante, perde esta preciosa parte do desenvolvimento do filho.”

E a regra vale também para os casais homoafetivos. Antonelli explica que na psicanálise se fala em função materna e função paterna, sendo que a função materna não é necessariamente exercida pela mãe, assim como a função paterna também não é necessariamente exercida pelo pai.

“Podemos simplificar dizendo que há momentos para colo e aconchego, dados à criança pela ‘função materna’, e há momentos para se estabelecer limites e impor regras, o que cabe à ‘função paterna’”, exemplifica a psicanalista, reforçando que em nenhuma das duas o afeto precisa ser deixado de lado.

No caso de Diego Marigi, essa é uma certeza, especialmente depois de dois meses de saudades, afeto paterno é algo que não vai faltar para Lilah.

*Rodrigo Moraes é jornalista

**O Programa Nestlé por Crianças Mais Saudáveis é uma iniciativa global da Nestlé, que assumiu o compromisso de ajudar 50 milhões de crianças a serem mais saudáveis até 2030 no mundo todo. Desde 1999 foram beneficiadas mais de 3 milhões de crianças no Brasil.

Com o lema “muda que elas mudam”, a partir de uma plataforma de conteúdo, o programa estimula famílias a adotarem hábitos mais saudáveis e ainda promove um prêmio nacional que ajuda a transformar a realidade de 10 escolas públicas por ano com reformas e mentorias pedagógicas.

Conheça mais no site do programa

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