Papo de Mãe
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O verdadeiro papel dos avós na vida dos netos

pmadmin Publicado em 19/12/2009, às 00h00 - Atualizado às 13h03

19 de dezembro de 2009


Oi, pessoal!No programa, alguns pontos sobre o verdadeiro papel dos avós na vida dos netos foram levantados e nós escolhemos este texto, retirado do site http://www.portaldafamilia.org.br/, para vocês refletirem. Afinal, será que a convivência dos netos com os avós pode ser nociva em algum momento? Sintam-se à vontade para comentar!Será que os avós deseducam os netos?Mais de uma vez descobrimos nos bolsos de nossos filhos “provas” de pequenos caprichos dos avós que talvez não permitiríamos… Quem é que lhes permitiu? Somente nossos próprios pais são capazes de contradizer nossas regras com tanta naturalidade. Porém, não há motivos para preocupação. A função dos avós não é a de educar nossos filhos e, se soubermos que a educação é feita em nossa casa, não há perigo de que os avós façam de nosso filho uma criança mimada e caprichosa.Se, mesmo para nós, pais, custa resistirmos às bajulações e pedidos de nossos pequenos tiranos, não podemos estranhar que seus avós sejam ainda mais suscetíveis diante deles. Com certeza, temos observado (ou suspeitamos) que, quando estão juntos, a disciplina, que tanto esforço nos custa manter em casa, sofre um grande relaxamento. E isso nos preocupa. Afinal, os avós deseducam os netos ?Em geral, a resposta é negativa, desde que se observe uma condição: os avós NÃO deseducam se o papel que cumprirem com seus netos for o de simplesmente avós. O problema surge quando há conflito entre os papéis…Em primeiro lugar, a responsabilidade sobre a educação e formação dos filhos pertence aos pais e não é delegável. São eles que planejam as principais linhas educativas, os hábitos e os valores humanos que desejam transmitir a seus filhos.Certamente, os avós podem apoiar essa tarefa, porém, nunca devem permitir que lhes repassem essa responsabilidade. Outro ponto diferencial é a disponibilidade de tempo, que pode ser também a origem ou a desculpa para que recaiam sobre eles os deveres que não lhes correspondem.Hoje em dia, os avós dispõem de mais tempo que os próprios pais. Quando lhes é confiado a supervisão e cuidado com as crianças durante períodos de tempo desproporcionais, é compreensível que a criança acabe se confundindo.Além disto, há outra diferença essencial entre pais e avós, que as crianças percebem rapidamente: é mais fácil entender-se com os segundos. Mas por que isto acontece?Talvez porque os avós tenham um ritmo mais pausado, porque mantêm o temperamento diante das catástrofes, porque como não recai sobre eles a responsabilidade educativa, eles não são continuamente exigidos.Tudo isso produz uma cumplicidade, uma relação especial entre avós e netos.Sem dúvida, não é este último aspecto da relação avós-netos que deve nos preocupar. Esse é, precisamente, o que mais benefícios traz para ambas as partes. Nossos pais e nossos filhos têm muito o que conversar, e a relação entre eles será tanto mais enriquecedora, quanto mais estreita e livre de interferências for. Por isso, não só não devemos temer incentivá-la como, ao contrário, temos de nos esforçar para que as duas gerações possam desfrutar de maior familiaridade e trato.Os pais têm de ver isso como uma vantagem, da qual toda a família pode se beneficiar. Mas desde que uns e outros saibam qual o seu lugar: os pais, como principais responsáveis pela educação dos filhos, e os avós, como colaboradores nesta tarefa, distribuidores de carinho e compreensão. O perigo de que os avós deseduquem os netos não existirá desde que as crianças não tenham dúvidas sobre onde reside a autoridade.Precisamente, o natural é que os avós consintam pequenos caprichos que os pais não toleram. Sem dúvida, quando os pais dependem excessivamente da ajuda dos avós, a criança pode chegar a se confundir sobre qual é a sua casa, porque os avós fazem o papel de “pais diurnos”. Nesse caso, os pais acabam de mãos atadas para exercer sua autoridade natural. Mas como evitar isso? A solução não é impôr barreiras ou evitar que os filhos se relacionem com seus avós. Quanto mais eles estiverem juntos, melhor para ambos. O importante é que os pais conservem seu protagonismo, ou seja, que sejam eles que tenham as rédeas das exigências e dos hábitos incentivados em cada etapa de desenvolvimento de seus filhos. Desde que os pais saibam manter seu posto de “capitães do barco”, os avós podem desfrutar do seu: o de “coronéis aposentados”.Assim, enquanto aos pais nós dizemos “mimo sim, mimar não”, para os avós podemos garantir que não só podem distribuir mimos aos seus netos, como também podem conceder-lhes algum outro capricho sem medo.Um caso diferente é quando o avós permitem ao neto fazer travessuras, como quebrar coisas ou fazer gritarias. Não ser responsável pela educação do neto não significa que não devam se importar com ela. Eles podem fazer juntos uma excursão “de ataque” ao armário de doces, porém é óbvio que os avós devem corrigir o neto quando ele bate em outra criança no parque. Além disso, da sua privilegiada posição na relação com seus netos, os avós têm a possibilidade de planejar outros pontos de exigência diferentes e complementares aos que os pais propõem. As crianças, rapidamente, enxergam neles poderosos aliados para fazer uma excursão furtiva à sorveteria. Porém, em troca, aceitam orgulhosamente qualquer orientação que estes bondosos seres lhes proponham. Por exemplo: quando comem com a avó, talvez os netos peçam para que ela lhes sirva batatas fritas em vez de legumes. Em contrapartida, tentam seguir suas orientações sobre a forma de segurar a colher…São detalhes que, talvez os pais, no dia a dia, costumam deixar em segundo plano para poderem ensinar aos filhos coisas mais necessárias. E esses mesmos pais, conscientes dessas pequenas lacunas, podem propor aos avós que se ocupem delas.Por último, cabe também falar do caso em que os avós contradizem os conselhos dos pais. Para que isso não ocorra, devemos tomar as medidas apropriadas, como evitar deixar toda a responsabilidade educativa nas costas dos avós. Também é conveniente que conversemos com os avós sobre nossas ideias a respeito da educação das crianças. Podemos seguir ou não seus conselhos, como melhor nos pareça, porém sempre é bom escutá-los e, se for oportuno, aceitar sua ajuda e colaboração.O que não devemos permitir é que a solução chegue a ser cortar o contato da criança com os avós, porque ambos se necessitam e têm direito a enriquecer-se mutuamente…É importante que pais e avós não discutam sobre a educação das crianças na frente delas. Se surgir alguma divergência, podem solucioná-la permitindo que sejam os avós que cedam ao capricho. Na casa dos avós, que sejam eles a ditar as normas e que decidam se vão comer torta na sobremesa ao invés de frutas. Desta forma, os pais relaxam um pouco, a educação das crianças não se perde e elas ficarão desejosas de voltar a visitar os avós…Fonte: www.portaldafamilia.org

E a nossa DICA DE HOJE é o livro Psicanálise e Velhice – sobre a clínica do envelhecer, de Dorli Kamkhagi. Nesta obra, a autora discute os desafios de tornar-se velho na atualidade e de como lidar com a aproximação da morte, sem enveredar pela euforia ou pela negação, tampouco abraçando uma visão depressiva. Nos três primeiros capítulos, ela nos prepara para o tema. No primeiro, repassa os diversos papéis sociais ocupados pelos velhos ao longo da história. No segundo, discute o que o atual imaginário social nos espelha sobre o envelhecer hoje. E no terceiro, aborda brevemente determinados aspectos fisiológicos. Nos três capítulos seguintes, ela entra no cerne de seu tema: como seria a clínica do envelhecimento nos dias de hoje a partir dos aportes psicanalíticos? E ela o faz de modo vivo e sempre próximo ao cotidiano. No quarto capítulo, apresenta variados fragmentos clínicos de suas sessões com os inúmeros pacientes que atendeu tanto em análises individuais como em grupos terapêuticos. No quinto, nos indica em que os aportes da psicanálise podem nos ajudar a lidar com as questões que os pacientes idosos (e também os não idosos) trazem sobre o envelhecer e a perspectiva da morte, bem como repassa a literatura psicanalítica sobre o tema. Finalmente, no sexto e último capítulo, articula toda esta massa de informações e apresenta conclusões. Sem dúvida, uma leitura indispensável não só para os interessados na clínica psicanalítica dos idosos, mas para todos que se interessarem sobre o tema do envelhecer. Dorli Kamkhagi é terapeuta,  mestre em Gerontologia pela PUC-SP e psicóloga do Centro de Estimulação Cognitiva e Funcional do Idoso do Programa de Psicogeriatria do Hospital das Clínicas. É também colunista do site www.delas.ig.com.br.