Papo de Mãe
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O que você faz quando seu filho está com febre?

Roberta Manreza Publicado em 26/09/2017, às 00h00 - Atualizado às 10h31

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26 de setembro de 2017


Por Dra. Jeanne Oiticica*, médica otorrinolaringologista 

O que você faz quando seu filho está com febre? Leva-o imediatamente ao pronto-socorro? Usa um antitérmico? Dá banho morno?

A febre sinaliza o aumento da temperatura corporal acima dos limites de normalidade, acima de 37,3ºC, e pode ocorrer por infecção, ser decorrente de lesão ou ferida no corpo, prenuncio de erupção dos dentes, reação inflamatória, reação a corpo estranho (vacinas, enxertos ou transplantes), estresse, entre outras causas. Pode ocorrer também por exposição exagerada ao sol ou até mesmo excesso de vestimentas, quando pais sem muita experiência exageram no aquecimento dos filhos.

A febre é mais comum em crianças porque elas não nascem com imunidade plena ou sistema imunológico formado e funcionando a pleno vapor. “Nos primeiros dois anos de vida, a criança combate infecções com os anticorpos que passaram via placenta e leite materno (herdados da mãe). A medula óssea da criança só produzirá as defesas necessárias, chamadas de anticorpos, por volta dos quatro a seis anos de idade. No período de transição, dos dois aos quatro anos, fígado e baço assumem em parte este papel. Por isso crianças são mais propensas à aquisição de infecções e, consequentemente, febre”, explica a Dra. Jeanne Oiticica, médica otorrinolaringologista e Chefe do Grupo de Pesquisa em Zumbido do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

O que fazer no caso de febre?

Leve a criança ao médico. Como isso nem sempre é possível de imediato, até lá é preciso baixar a temperatura corporal que está elevada. “Isso pode ser feito removendo parte da roupa da criança com o intuito de promover um resfriamento do corpo ou até mesmo dando um banho frio. Os antitérmicos também podem ser usados (dipirona, ibuprofeno, paracetamol, entre outros)”, orienta Dra. Jeanne.

A médica explica ainda que a administração do antitérmico deve ser de acordo com o peso corporal, conforme recomendação contida na bula.

Caso a febre não ceda em 20 a 30 minutos, ainda assim pode-se tentar uma segunda opção de antitérmico. A administração do primeiro antitérmico só poderá ser repetida após, pelo menos, quatro a seis horas. “Mas nada impede que, caso haja necessidade, administre-se dois ou três antitérmicos diferentes em curto espaço de tempo visando a redução da temperatura corporal. É pouco comum a febre não ceder mesmo após todas essas etapas listadas acima. Nesse caso, a orientação é sempre levar a criança ao médico”, explica a especialista.

O pronto-socorro deve ser sempre a última opção, já que é um setor do hospital onde se presta socorro médico para atender pacientes em estado de urgência ou emergência.

Urgência é quando há uma situação que não pode ser adiada e que deve ser resolvida rapidamente pelo risco até mesmo de morte. Já a emergência é quando há uma situação crítica que exige cirurgia ou intervenção médica imediata. “Portanto, caso a febre seja muito alta (acima de 39 – 40ºC) e não ceda com as medidas anteriormente citadas, sim, trata-se de uma urgência pelo risco inerente de convulsão febril”, alerta Dra. Jeanne Oiticica.

*Dra. Jeanne Oiticica é Médica otorrinolaringologista, concursada pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Orientadora do Programa de Pós-Graduação Senso-Stricto da Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da USP.

Chefe do Grupo de Pesquisa em Zumbido do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Professora Colaboradora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Responsável do Ambulatório de Surdez Súbita do hospital das Clínicas – São Paulo.




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