Papo de Mãe
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Nem millennial e nem geração Z, o que será que eu sou? E de onde vem cringe?

A jornalista Ana Beatriz Gonçalves, repórter do Papo de Mãe, fala sobre o assunto do momento: a guerra entre as gerações

Ana Beatriz Gonçalves* Publicado em 24/06/2021, às 17h51

Jovens que nasceram nos anos 1990 são Millennials, já os nascidos em 2000 são Geração Z
Jovens que nasceram nos anos 1990 são Millennials, já os nascidos em 2000 são Geração Z

Nova demais para ser millennial, velha demais para ser Geração Z. Talvez mais pessoas com 20 poucos anos assim como eu, de 23, estejam com essa sensação. Na teoria, se procurarmos ao pé da letra as definições das gerações, assunto que está dando pano pra manga na internet, os jovens que nasceram a partir de 1996 são considerados Geração Z. Quem chegou no mundo antes disso certamente deve estar se sentindo "cringe" demais – expressão em inglês que pode ser traduzida algo como "constrangedor".

Vim ao mundo em abril de 1998, e certamente não me lembro de ver o Brasil perder para a França nas finais da Copa, ou fui impactada com o escândalo do presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, que estava tendo um caso com uma estagiária da Casa Branca. O mesmo vale para os anos que seguiram. Não tenho muitas lembranças do que foi, de fato, o início dos anos 2000. Minha mãe sempre me contou que o réveillon de 1999 foi um verdadeiro terror, todo mundo achava que o mundo ia acabar. Mas eu não senti nada disso, estava plena e feliz com o meu "tetê" assistindo Teletubbies  –programa infantil que, inclusive, é de 1997, ano em que eu nem existia. 

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Mas se eu não vivi os anos 1990, e também não me lembro do começo dos anos 2000, o que será que eu sou? Onde que me encaixo? Bom, certamente quem nasceu a partir de 2002 pode achar meus gostos meio cringes. Eu gosto de falar ao telefone, minhas maiores referências vieram da Disney Channel, uso emojis quando troco mensagens e sim, eu adoro memes sobres boletos. Eu tenho que pagar, fazer o quê? 

Já quem nasceu no começo dos anos 1990, como o meu namorado que é de 1992, se indigna com o fato de eu não gostar de Pokémon e Dragon Ball Z, de não ter passado raiva com a internet discada, tomar guaraná Pitchulinha e muito menos lembrar da Angélica apresentando a TV Globinho – eu gostava mesmo era da Xuxa, mas até aí não vale porque ela é uma espécie de ícone atemporal, não é mesmo?

Apesar dessa reflexão estar sendo publicada agora, momento em que a internet não sabe falar outra coisa, fui atravessada por ela quando completei meus 22 anos no ano passado. Acredito que o início dos 20 até mais ou menos 25, 26 anos, é bastante aleatória. Você não sabe se é jovem ou adulto, tem dia que tem que ser um pouco dos dois e até mesmo escolher. Não vem com uma fórmula pronta. A gente cresce sabendo que depois da escola vem a faculdade, mas e depois da faculdade vem o quê? 

Ter 23 anos é um mar de incerteza, especialmente em um contexto pandêmico. Tem uma analogia que para mim faz bastante sentido: essa fase da vida lembra um pouco quando estamos tomando aquele banho quentinho e gostoso, e no final percebemos que esquecemos de pegar a toalha. "O que eu faço agora? Será que eu enrolo mais um pouquinho aqui ou saio correndo?". Em algum momento é claro que a gente acaba tomando a decisão mais coerente: parar de gastar água e enfrentar a molhadeira e o friozinho que nos espera fora do box. Mas no primeiro momento, aquela sensação de surpresa com o desespero;"Puts, o que eu faço agora?", é o que mais se parece com os 20 e tantos anos. 

Posso imaginar que milhares de jovens adultos que nasceram entre os anos 1996 e 1999 se sintam perdidos nessa discussão toda entre ser millenial (cringe) ou Geração Z (cool). O que mais está rolando por aí são testes para descobrir em qual grupo você sem encaixa, afinal, você tem de se encaixar em algum deles. Já eu acho que deveria criar uma outra nomenclatura para essa galera, que assim como eu, é meio a meio. Nem jovem e nem adulta. Nem millennial, e muito menos Geração Z.

*Ana Beatriz Gonçalves é jornalista formada pela Cásper Líbero e repórter no Papo de Mãe.

Ana Beatriz Gonçalves (@anabiamg) - Foto: Vitória Mantovani

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