Papo de Mãe
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Mulheres, seu comportamento e a Covid

Mariana Kotscho Publicado em 23/03/2021, às 00h00 - Atualizado às 14h07

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23 de março de 2021


Não somos mais fortes do que os homens, somos mais resilientes. Mulheres são mais resistentes à Covid? Como garantir uma longevidade saudável? A médica Tanit Ganz Sanchez nos traz algumas respostas.

Por Tanit Ganz Sanchez* 

Nós somos seres únicos porque nosso corpo e nossa mente reagem de modo muito individual. Isso tem implicações diretas na saúde e na qualidade de vida de cada um.

Já é comprovado que mulheres tendem a viver mais que homens por causa de vantagens biológicas e comportamentais.

Isso deve ser foco de atenção porque um dia nós também chegaremos à terceira idade, se é que já não estamos nela.

Mulheres e homens compartilham desafios de saúde parecidos, mas a saúde das mulheres merece atenção particular.

Se tivéssemos a vantagem de saber hoje o que seria importante como investimento em saúde, isso equivaleria a saber de antemão quais ações vão subir na Bolsa de Valores, aumentando sua chance de ser rica em saúde.

Investir em hábitos saudáveis desde cedo, pensando na prevenção e no tratamento dos problemas mais associados ao envelhecimento, pode ajudar mulheres a alcançarem um sonho de consumo atual: a longevidade saudável.

Dois tópicos são muito vinculados à saúde feminina: hormônios e comportamento

Mulher: hormônios, tempo e comportamento

Sobre hormônios, todo mundo conhece um pouco dos famosos sintomas da TPM, da gravidez e da menopausa. Mas nossa rotina diária vai muito além: vemos vários sintomas do ouvido, como zumbido, tontura e intolerância a sons que também podem aparecer ou piorar durante essas fases de mudanças hormonais.

Se você pensar alto “nossa, nunca ouvi falar disso”, eu te explico: as mudanças hormonais podem atrapalhar o jeito do ouvido e do labirinto trabalharem, mas nem todas as mulheres que sofrem desses problemas do ouvido os relacionam às tempestades hormonais. Falta muita informação ainda.

Sobre o comportamento, tenho um palpite que ninguém me tira da cabeça porque há anos eu observo atentamente as reações das pessoas em relação às doenças que apresentam.

Palpito que as mulheres, desde cedo, são forçadas a se adaptarem ao desconforto causado pelas mudanças hormonais por dias (menstruações), meses (gestações) ou anos (menopausa). Ser forçada a algo sempre parece ruim, mas às vezes pode gerar vantagens como resiliência, adaptação e criatividade para driblar novas situações. Em resumo, o famoso jogo de cintura. Precisando sobreviver como uma mulher de jornada tripla (mãe, companheira e profissional), então nem se fala: ou se adapta ou se adapta, não há outra opção.

Apesar do reconhecido estresse que as mulheres vivenciam na atualidade, me faz muito sentido que essa resiliência induzida por conviver com o desconforto desde cedo traga alguma vantagem biológica.

Por exemplo: uma pesquisa sobre Covid-19, apoiada pela Fapesp, mostrou que mulheres tiveram menos casos graves do que os homens até o momento. Não se sabe exatamente o motivo físico que justifica essa maior proteção das mulheres ao vírus. É possível que o sistema imunológico das mulheres controle melhor a ativação dos genes relacionados à inflamação. Mas eu arriscaria um palpite: sabendo que a atitude mental pode influenciar a atuação do sistema imunológico, também me faz sentido que o comportamento das mulheres perante o desconforto das adversidades possa ter um papel nisso.

Enfim, essas são partes de uma longa história que ainda temos para trilhar em direção à longevidade saudável. Elas só poderão ser cientificamente comprovadas quando novas pesquisas integrarem todos esses fatores. Enquanto comprovações definitivas não chegam, eu continuo com meus palpites baseados na riqueza de sermos seres únicos e, enquanto mulheres, quase imbatíveis.

*Tanit Ganz Sanchez é professora doutora da USP e estudiosa do comportamento humano.

Sobre a Dra. Tanit Ganz Sanchez

• Médica Otorrinolaringologista formada pela Universidade de São Paulo;
• Profa. Livre Docente e Associada da Otorrinolaringologia da Universidade de São Paulo
• Orientadora de pós-graduação da Fonoaudiologia da Universidade de São Paulo;
• Fundadora e Diretora do Instituto Ganz Sanchez;
• Criadora e coordenadora do: – GANZ: Grupo de Apoio Nacional a Pessoas com Zumbido;
• Idealizadora do Novembro Laranja (Campanha Nacional de Alerta ao Zumbido); –
• Idealizadora da TV Zumbido (www.tvzumbido.com.br);
• Blitz do Ouvido (no Programa Bem Estar Global)
• Membro da ABORL-CCF;
• Membro do Corpo Editorial das revistas científicas: Clinics, International Archives of Otorhinolaryngology e Brazilian Journal of Otorhinolaryngology;
• Pesquisadora incansável sobre o comportamento humano e seus desdobramentos em saúde.

Saiba mais

http://www.institutoganzsanchez.com.br
www.facebook.com/InstitutoGanzSanchezhttp://www.institutoganzsanchez.com.br/tvzumbido/

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