Papo de Mãe
Facebook Papo de MãeTwitter Papo de MãeYoutube Papo de MãeInstagram Papo de MãePodcast Papo de Mãe



Mulheres, salvem seus úteros!

Ginecologista esclarece dúvidas sobre remoção de útero. Estima-se que, no Brasil, entre 200 e 300 mil mulheres perdem seus úteros por ano, com a taxa de mortalidade chegando a três óbitos a cada mil cirurgias realizadas.

Roberta Manreza Publicado em 07/03/2018, às 00h00 - Atualizado às 08h38

None
7 de março de 2018


Por Dr. Claudio Basbaum, obstetra e ginecologista

Ginecologista esclarece dúvidas sobre remoção de útero

Estima-se que, no Brasil, entre 200 e 300 mil mulheres perdem seus úteros por ano, com a taxa de mortalidade chegando a três óbitos a cada mil cirurgias realizadas. 60 a 70 % destas cirurgias são feitas por conta de miomas grandes que geram diversas complicações e sangramentos.

Os números são alarmantes e merecem atenção, pois cerca de 50% das mulheres têm ou terão miomas em algum estágio da vida. Em mais de um terço dos casos a cirurgia é realizada em mulheres ainda jovens, em plena fasereprodutiva (até os 38 anos).  

Segundo estatísticas do Sistema Único de Saúde (SUS), a histerectomia ─ operação realizada para a remoção do útero ─ é a segunda cirurgia mais frequente entre as mulheres em idade reprodutiva, perdendo apenas paraascesarianas.  

O ginecologista Claudio Basbaum , fundador da Pró-Matrix Unidade de Orientação, Prevenção e Tratamento da Mulher, é o idealizador e criador da campanha Mulheres, salvem seus úteros!‘.Nas duas décadas desde sua criação,omédicoalertae informa as mulheres para que não submetam-se a cirurgias ginecológicas desnecessárias e em casos que possam ser tratadosclinicamente.A remoção do útero é uma cirurgia grande e que oferece riscos como toda operação. Por isso, a realização dela merece discussão entre médico e paciente.

“É indispensável que o ginecologista avalie criteriosamente o caso,analise os ricos e benefícios, ofereça opçõesde tratamento menos agressivos ou mini-invasivos etire antecipadamente todas as dúvidas da paciente”, defende o especialista.

A histerectomia  deve ser indicada de forma absoluta,  apenas para estes casos:

1.      câncer de corpo uterino

2.      câncer de colo uterino invasivo

3.      úteros muitos volumosos e/ou deformados por múltiplos miomas

4.      hiperplasia endometrial complexa com atipias

5.      câncer de ovário

E pode ter indicação discutível nas seguintes condições:

1.      dismenorréia (cólicas menstruais) de forte intensidade

2.      dor pélvica crônica de origem uterina

3.      endometriose/adenomiose

4.      prolapso uterino (queda do útero)

5.      miomas

6.      sangramento uterino anormal sem causa aparente/ não responsivo ao tratamento

Em geral, quando a indicação para a cirurgia é em função de casos benignos e de sangramentos uterinos anormais, aprimeira opção de tratamento devem ser medicamentoscomo anti-inflamatórios não hormonais, hormônios (progestogênios)  que aliviam a dor e o fluxo menstrual e os “anti-hormônios ” como são denominados os análogos do GnRH.

Nos casos de miomas resistentes ao tratamento medicamentoso, pode ser indicada  a retirada dos mesmos (miomectomia), de preferência por via Videolaparoscópica ou Videohisteroscópica –  ou dependendo do caso, promover  a  embolização de miomas uterinos (desvascularização) que reduz significativamente o tamanho dos miomas , as dores e o volume menstrual excessivo. Assim sendo, estaremos   poupando a mulher de uma cirurgia de grande porte.

Ahisterectomia, mesmo quando realizada por médicoscompetentes, pode causar uma efeitos colaterais imediatos como: febre, infecção urinária, doença inflamatória pélvica, infecção da ferida operatória, sangramento, aderências, complicações anestésicas e lesão de órgãos adjacentes. Podem surgir ainda os efeitos tardios, como distúrbios urináriosprolapso de órgãos(queda da bexiga/reto/cúpula vaginal).“A ideia preventiva de saúde é de respeito absoluto à integridade física e psíquica da mulher”, conclui o médico.

Veja algunsMITOS E VERDADES relativos a retirada do útero por doenças benignas:

A principal indicação para histerectomia é a hemorragia -sangramento uterino anormal- causada por mioma? 

VERDADE 

Com a cirurgia, a mulher para de menstruar definitivamente?

VERDADE 

A ausência do útero influencia no desejo sexual feminino?

MITO 


Após a cirurgia não há necessidade de reposição hormonal?

MITO 


Atualmente o procedimento é reversível? 

MITO 


Mulheres histerectomizadas ficam mais sujeitas às tromboses e ao infarto do miocárdio?

VERDADE 

Em alguns casos opta-se também pela remoção dos ovários e das trompas?

VERDADE 


É recomendável o suporte de um psicólogo após o procedimento 

MITO 

*Claudio Basbaum  – www.promatrix.com.br

O Professor Doutor Claudio Basbaum é médico ginecologista e obstetra, com especialização na Universidade de Paris, França.

 • pioneiro e introdutor no Brasil de diversas técnicas avançadas em medicina como a laparoscopia, a videocirurgia (videolaparoscopia e videohisteroscopia)

e a embolização de miomas uterinos, procedimentos mininvasivos de máxima eficácia terapêutica, com um mínimo de trauma e rápida recuperação.

 • defensor de técnicas menos agressivas à mulher e ao bebê (como o parto de cócoras ou “Parto das Índias”),

 • precursor no Brasil do Parto Humanizado, baseado nas idéias de Frederick Leboyer (“Nascimento sem Violência”),

 • pioneiro na divulgação da técnica Shantala de massagem para bebês.

 Membro do Corpo Clínico do Hospital e Maternidade São Luiz / Grupo D’Or, em São Paulo, o ginecologista defende a população feminina de cirurgias mutiladoras desnecessárias desde há 22 anos, quando criou a Pró- Matrix (Unidade de Orientação, Preservação e Tratamento da Mulher) e as campanhas permanentes “Mulheres, Salvem seus Úteros!” e “Direito à Segunda Opinião”.




DestaquesHomeNotícias