Papo de Mãe
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Mãe encontra solução diferente para ajudar filho que sofria bullying

Roberta Manreza Publicado em 17/12/2015, às 00h00 - Atualizado às 08h01

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17 de dezembro de 2015


Por Susana Berbert Crescer Online

Gabriel e Gláucia (Foto: Arquivo Pessoal)

Gabriel e Gláucia (Foto: Arquivo Pessoal)

Aos 9 anos, Gabriel sempre foi um menino alegre e extrovertido. Gostava de ir à escola, brincar com os amigos e se divertir. Até que, um dia, voltou para casa desanimado. Começou a pedir para faltar à aula e não tinha o mesmo ânimo de antes. Gláucia, a mãe, achou estranho. Insistiu em perguntas, até que o menino contou: estava sendo alvo de bullying na escola. “Na hora das brincadeiras, o chamavam de gordo, porque ele estava acima do peso na época, e de perna de pau. Ele também tem um problema na visão e sete graus de miopia. Diziam que ele tinha quatro olhos e que era fundo de garrafa”, conta.

Gláucia soube, então, que precisava intervir. Foi até a escola e conversou com os responsáveis. Eles não apenas ouviram a mãe, como abriram um espaço às sextas-feiras para os pais falarem com os alunos sobre bullying. “Eu soube que precisava fazer algo que tocasse os alunos e atingisse a realidade deles.” Na época, a mãe, do Distrito Federal, viu na televisão local uma reportagem sobre alunos que desistiram da formatura para pagarem uma cirurgia de um colega que tinha problemas de visão. Viu, nisso, uma oportunidade. “Fui até a TV e consegui um DVD da reportagem”, lembra.

Além do vídeo, Gláucia levou doces (Foto: Arquivo Pessoal)

Além do vídeo, Gláucia levou doces (Foto: Arquivo Pessoal)

No dia marcado para falar com as crianças, a mãe também levou uma caixa de doces. “Pedi para uma amiga fazer os docinhos com rostos diferentes, narizes diferentes, cabelos diferentes, cor de pele diferentes.” Depois de exibir o vídeo para os alunos, ela entregou os chocolates e a mensagem foi simples, mas certeira: embora o exterior dos bombons fosse variado, o recheio era o mesmo. “Eu tentei ensinar a eles que o que importa não é nossa aparência, mas o que temos no coração.”

As crianças amaram, e ela sabia que o resultado não poderia ter sido diferente. Desde então, Gabriel, hoje com 12 anos, nunca mais teve problemas com os colegas de sala. “Ele gostou muito da minha atitude e me disse que tinha ficado amigo de pessoas que, antes, não conversavam com ele.”

Gláucia incentiva os pais a fazerem o mesmo e a buscarem por um diálogo que eduque as crianças.  “Sempre falo da minha experiência para motivar outras mães e é gratificante saber que fiz minha parte. Eu não ajudei apenas meu filho; ajudei todos os amigos dele.”

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