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Ler é uma viagem

Contar histórias é um ato artesanal. Atriz, cantora e leitora pública, Élida Marques criou o “ Ler É Uma Viagem ” para incentivar a leitura

Redação Papo de Mãe Publicado em 04/04/2022, às 06h00

A leitura é fundamental desde cedo
A leitura é fundamental desde cedo

O nome dela remete a asas (do latim Alida) e a sabedoria de Deus (do hebraico que significa, literalmente, Deus sabe). E desde menina, Élida Marques sabia que gostava de “se exibir” e participava de cantorias com o pai e com o tio, declamando poemas. Adolescente, ingressou no Teatro Escola Macunaíma e logo bateu asas para o CPT, de Antunes Filho, onde protagonizou Rosa de Cabreúna. Por gostar de cantar, estudou com Ná Ozzetti e Suzana Salles, e criou as bandas Tia Margarida e Estúrdio Quarteto, esta última para homenagear Guimarães Rosa.

Mas foi quando participou de saraus literários, lendo histórias com música ao vivo, que Élida vislumbrou o voo de sua carreira. A criação de um programa de incentivo à leitura batizado com o sugestivo nome “Ler É Uma Viagem”.

No primeiro projeto, o público-alvo eram crianças de escolas públicas. E na bagagem havia contos infantis do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen. Pouco depois, as histórias chegaram a outros ouvidos e geografias.

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Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, foi lido para adultos da zona rural e também para gente de todas as idades em apresentações como a Festa Literária de Paraty – FLIP – e outras paragens.

De lá para cá, o Ler viajou para 280 cidades de oito estados brasileiros, realizando 1.200 sessões de leitura para 8.000 educadores de 500 escolas públicas, com impacto de 40 mil pessoas. Se os números são expressivos, o repertório não deixa por menos. Nesse percurso, incorporou histórias e personagens de Monteiro Lobato e o Dom Quixote de Miguel de Cervantes.

Empreendedora, a atriz orgulha-se por ter sempre contado com patrocínio obtido por meio da Lei Rouanet, atual Lei de Incentivo à Cultura. Aliás, se não fosse por essa política pública, “eu não estaria, há tanto tempo, atuando com a minha arte, com meu talento, empreendendo, evoluindo e contribuindo para diminuir o grande déficit de leitores no Brasil”, reflete Élida.

Ao completar 19 anos de estrada, o Ler É Uma Viagem traz um novo formato: Piqueniques Literários, que acontecerão ao ar livre.

Conectado com as novas demandas de segurança epidemiológica, o cenário ganha parques e praças públicas de dez cidades paulistas, localizadas ao longo da Bacia do Rio Paranapanema: Angatuba, Arandu, Avaré, Cerqueira César, Itaí, Itatinga, Paranapanema, Piraju, Taquarituba e Tejupá.

No cardápio desse Piquenique, o público encontrará uma fartura de cultura: mediação de leitura com música ao vivo, árvore de livros, varal de poesias bordadas, dança circular, distribuição de livreto com poesias, troca de livros, sarau com intérprete de libras, dicas de preservação do meio ambiente e um tear, onde Élida vai interagir com artistas, artesãs e artesãos locais.

Mas por que, afinal, o artesanato entra nessa história? A resposta remete à necessidade de interação com pessoas não letradas e uma inspiração que “veio de casa”.

Élida conta que a mãe morreu analfabeta e o pai estudou até o terceiro ano primário. Apenas adulto, já trabalhando como metalúrgico, fez supletivo. Mas ambos sempre incentivaram a leitura das filhas.

“Um dia, depois de ler A história da leitura, do Alberto Mangel, percebi que poderia ler pro meu pai enquanto ele tecia, poderia ler pra minha mãe enquanto ela cozinhava”. E assim, a produtora criou Reinações, projeto que percorria escolas públicas com bordadeiras para ler histórias de Narizinho, personagem do Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato. “A leitura servia de mote para a conversa”, explica a atriz.

Daí para este novo formato foi um pulo. Segundo Élida, o Piquenique Literário foi pensado para ampliar o conceito de práticas leitoras para fora da escola. “É uma forma de unir o letrado e o não letrado, de atrair até quem não gosta de ler”. E quanto ao artesanato, ela conclui: “O próprio contar histórias é um ato artesanal”.

Oficinas gratuitas

Como preparação para os Piqueniques Literários, previstos para começarem em abril, cada cidade recebe formação em Mediação de Leitura e Performance Artística com três oficinas online, ao vivo, e uma presencial, totalizando oito (8) horas/aula, para 30 pessoas educadoras, bibliotecárias, agentes de leitura, artistas, artesãs e interessadas, acima de 18 anos. Gratuitamente.

O projeto ainda incentiva o desenvolvimento local e contrata 16 pessoas em cada cidade para participar dos Piqueniques como contadoras(es) de histórias, artistas, artesãs, intérprete de libras e mediadoras(es) de leitura.

A programação completa pode ser acompanhada pelas redes sociais do Ler é uma viagem:

Facebook: @lereumaviagemoficial Instagram: @lereumaviagemoficial Youtube: Ler é Uma Viagem

Mais informações: piqueniquedoler@gmail.com

Sobre a CTG Brasil

A CTG Brasil trabalha para desenvolver o mundo com energia limpa em larga escala. Segunda maior geradora privada de energia do País, conta com a dedicação de seus talentos locais e está comprometida em contribuir com a matriz energética brasileira, pautada pela responsabilidade social e respeito ao meio ambiente. A empresa tem investimentos em 17 usinas hidrelétricas e 11 parques eólicos, com capacidade instalada total de 8,3 GW. Criada em 2013, é parte da China Tree Gorges Corporation, uma das líderes globais em geração de energia limpa.

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