Papo de Mãe
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Larguei meu trabalho por causa dos filhos e quero voltar

Stella Azulay fala sobre uma possível necessidade de deixar o trabalho por causa dos filhos e, depois, a decisão de retornar à atividade profissional

Maria Cunha* Publicado em 30/09/2021, às 16h13

Stella Azulay é colunista do Papo de Mãe
Stella Azulay é colunista do Papo de Mãe

A colunista do Papo de Mãe Stella Azulay, diretora da escola de pais e adolescentes XD, fala do momento em que as mães decidem retornar à atividade profissional, após terem largado o trabalho para cuidar dos filhos.

De acordo com Stella, a decisão das mães assumirem o cuidado integral dos filhos, não importando o motivo, seja necessidade ou o fato de não valer a pena deixar o filho com alguém, é uma questão muito recorrente quando mulheres a procuram. Mas, em dado momento, a colunista explica que a decisão de ficar em casa é revertida: os filhos crescem um pouco mais e vem, também, uma necessidade financeira. As mães, então, querem voltar ao mercado de trabalho.

O problema, entretanto, é que elas não sabem bem como isso pode acontecer, porque ficaram muito tempo paradas e focadas somente no tema dos filhos e da casa.

“Elas acabam se sentindo muito defasadas no mercado, sentem medo, insegurança, não sabem se querem voltar pra atividade que tinham antes, de repente já muita coisa mudou e elas querem descobrir uma nova tarefa que possam exercer na sociedade profissionalmente”, conta Stella Azulay.

Assista ao vídeo da Stella Azulay sobre maternidade e carreira

Às vezes, segundo a diretora da escola de pais e adolescentes XD, também existe a necessidade da mãe ter seu próprio dinheiro ou se sentir produzindo de outra forma, porque os filhos passam mais tempo na escola ou porque simplesmente chegou a hora.

“Tem mães que deixam o trabalho e a vida profissional por um longo período, já outras por um curto, seja no primeiro ano, segundo ano, e já querem retomar. Independentemente de ser um período mais longo fora do mercado ou um período mais curto, sempre existem várias inseguranças, conflitos, dúvidas e muitas decisões a serem tomadas”, explica.

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Com base nisso, a colunista Stella Azulay listou algumas dicas para as mães que estão retornando ao mercado de trabalho e ainda se sentem inseguras com essa retomada da atividade profissional.

Preste atenção no estilo de vida que você quer de hoje em diante

Até então, você, seja sozinha, com seu parceiro ou com quem quer que seja, estava vivendo um estilo de vida em que era total a presença da figura mãe dentro de casa e, a partir de agora, essa mãe vai sair. Nesse momento, é preciso decidir qual é o estilo de vida que desejo?

  1. Quero uma coisa mais flexível, mesmo ganhando menos.
  2. Quero uma coisa mais segura, com um tempo estendido de horário que vai implicar em mudanças no estilo de vida.

A segunda questão deve ser: que tipo de estilo de vida desejo?

  1. Um estilo de vida de funcionário
  2. Um estilo de vida de uma mãe que vai empreender e vai trabalhar de casa, então vou começar a fazer bolos, vou começar a pintar e vender, ou seja, pequenos empreendimentos.

Tudo isso exige uma decisão, então é importante colocar no papel as opções e possibilidades, e enxergar como ficaria a rotina em cada uma dessas opções, pensando, por exemplo, como seria a rotina de acordar, de se sentir presente na vida dos filhos, a rotina da culpa, a rotina de almoço, entre outras.

“Esse exercício de colocar no papel os cenários possíveis, as opções possíveis e imaginar, fazer um trabalho mental mesmo imaginando como seria ou como será a rotina escolhendo determinado cenário, já é o primeiro passo muito bem dado”, pontua Stella Azulay.

Fazer uma reflexão de quem você é hoje e o que você quer para se realizar

O que te realiza hoje? É preciso pensar e saber qual é o seu desejo: sucesso, fama, só ganhar um dinheiro, só se ocupar um pouquinho. Outras questões importantes para se perguntar são:

  1. Qual o meu objetivo saindo pra trabalhar nesse momento?
  2. Como eu me vejo?
  3. O que quero pra mim nesse momento, como pessoa e como mulher?
  4. Qual é o meu objetivo principal?

Com isso, será possível visualizar o que se encaixaria melhor com o seu objetivo e começar a dar os primeiros passos.

Saiba quais são os seus primeiros passos

Feita a escolha daquele estilo de vida, daquele estilo de trabalho, entendendo o seu objetivo pessoal, está na hora de ir em busca do que quer, ou seja, opções de lugares, cursos, qualquer que seja o caminho, existem os primeiros passos.

Após essa pesquisa, é hora de traçar um mapa organizado do que você tem que fazer a cada semana ou a cada mês, por exemplo, se para ser uma profissional autônoma em determinada área é preciso aprender coisas novas para poder ter algum diferencial no mercado, então você pode fazer um curso de doces, um curso de marketing ou um curso de decoração. Não importa a área escolhida, você tem a chance de buscar o curso.

Outra possibilidade é optar por voltar a fazer o que já fazia antes. Então, só é preciso se atualizar, ver hoje como estão os currículos atualizados, entrar numa rede social como o Linkedin, mostrar suas habilidades, seu currículo, seu histórico, e resgatar tudo isso, formatar, e ir em busca de um emprego. É importante dizer que outra escolha a ser feita é o perfil da empresa você quer trabalhar: pequena, grande ou média,

Imagine também os horários que você quer estar trabalhando e longe de casa, pois, com os seus horários definidos, é preciso organizar tudo e tentar diversos caminhos até você conseguir construir sua nova realidade.

Não tenha ansiedade de resgatar o tempo perdido

Por fim, uma dica muito importante é não ter a ansiedade de recuperar o tempo em que esteve afastada, você precisa respeitar o seu tempo, essa retomada, o caminho que você quer levar, fazendo isso com muita consciência, muita responsabilidade, e até mesmo com uma mente flexível.

Uma profissional conseguir, ou não, entrar em uma empresa depende muito do seu momento de vida, da sua idade, do mercado que você quer atuar, e com base nisso, você vai decidir, se quiser, se irá passar para uma carreira solo, tentar algo autônomo, talvez fazer uma formação nova, encontrar uma sócia ou um sócio para uma parceria, já entrar numa coisa montada e agregar naquele lugar.

Também tem estar o tempo todo com a mão no pulso, porque a gente não quer desperdiçar nossos principais recursos que são: tempo, energia e dinheiro. Então, quanto mais cautela, mais consciência a gente tiver, conseguiremos errar menos até chegar naquilo que a gente precisa, que vai preencher essa necessidade de volta ao trabalho, de retomada de carreira e de volta a uma outra atividade, fora a de ser mãe.

*Maria Cunha é repórter do Papo de Mãe

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