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A importância do 20 de novembro para a educação

A educadora Tatiane Santos, colunista do Papo de Mãe fala sobre o dia da consciência negra e a educação

Tatiane Santos* Publicado em 20/11/2021, às 07h00

Tatiane Santos com Lucas e Noah, no colo
Tatiane Santos com Lucas e Noah, no colo

O dia 20 de novembro foi escolhido como dia da Consciência Negra por ser a data da morte de Zumbi dos Palmares, líder daquele que foi um dos maiores quilombos do país, o Quilombo de Palmares. Sua morte se deu em 1695, em uma emboscada. Ao lado de Dandara dos Palmares e Tereza de Benguela, Zumbi tornou-se um dos maiores símbolos de luta e resistência contra a escravização.

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Aliás, não são datas a se comemorar e sim refletir sobre a nossa estrutura racista que discrimina e segrega pelo fato de sermos diferentes.

É dever da escola, enquanto uma das instituições fundamentais de uma sociedade, combater o racismo e outras violências presentes em nossa cultura e que reverberam no espaço escolar.

Em 2003 foi promulgada a Lei nº. 10.639/03 , para combater o racismo nas escolas. Para além da obrigatoriedade da lei, a escola também tem uma contribuição para o desenvolvimento integral de bebês, crianças e adolescentes, o que envolve garantir que suas origens, identidades, culturas, formas de ser e estar no mundo sejam inteiramente respeitadas e encontrem espaço e valorização na escola, um direito de todas e todos: crianças, adolescentes, famílias, professores e gestores. Ou seja toda a comunidade escolar.

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Para que o combate ao racismo na escola seja efetivo, é preciso tratar das relações étnico-raciais muito além da celebração do 13 de maio e 20 de novembro e construir uma educação antirracista permanente.

Educação antirracista é uma ação, que não pode ser feita nas escolas somente em datas comemorativas, pois o racismo está presente todos os dias nos espaços escolares. E um trabalho que educa não apenas para coibir a disseminação de falas racistas e preconceituosas relacionadas à cor da pele. Valorizar a identidade de diferentes povos e, assim, proteger desde cedo as crianças vítimas do racismo brasileiro. Uma educação antirracista também significa oferecer condições e oportunidades para que crianças e adolescentes brancos possam refletir sobre seu lugar na sociedade .

Perguntas a se fazer e refletir

Quais são as figuras e personagens que aparecem nos murais e nas histórias contadas?

Os professores possuem formação para mostrar as contribuições de outros povos para além dos brancos na construção dos saberes?

Quem são as pessoas que ocupam os espaços de decisão da escola?

Há gestão democrática e espaço para endereçar conflitos e casos de racismo na escola?

Há valorização da cultura negra do território e das lideranças comunitárias e culturais negras do bairro?

A função da escola não é somente de abordar o racismo, mas de ser um espaço de desconstrução permanente da discriminação étnico-racial que permeia a sociedade. Isso significa colocar em prática uma educação antirracista, que perpassa o currículo escolar, a formação dos docentes, a gestão e a metodologia adotada.

Por esse motivo o dia 20 de novembro na escola precisa ser uma data para ressignificar e revisitar todo o trabalho e estudo que foi apresentado durante os outros meses do ano, e principalmente discutido com as famílias.

Para você, família, caminhar juntamente com a escola na educação antirracista

  • Oriente o seu filho
  • Dê oportunidades de conhecer diversas culturas
  • Pergunte quem são os seus amigos
  • Fale sobre identidade, tom de pele e traços do rosto
  • Ofereça brinquedos e livros com personagens diversos e de diversas culturas

Numa sociedade racista, não basta não ser racista. É necessário ser antirracista”. (Angela Davis)

*Tatiane Santos é educadora, autora do livro Super Black, o poder da Representatividade, e mãe de 2 meninos. @pretinhaeducadora

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