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A importância de desenvolver as habilidades sociais em crianças com TEA

Entenda como ensinar as habilidades sociais para crianças com transtorno de espectro autista

Vitória Machado* Publicado em 05/05/2022, às 06h00

A melhor forma de ensinar habilidades para quem tem TEA é a estimulação, o treino e a repetição
A melhor forma de ensinar habilidades para quem tem TEA é a estimulação, o treino e a repetição

Você já pensou sobre o que são habilidades sociais e o que elas representam em sua vida? Falar bom dia, manter uma conversação e respeitar regras sociais são algumas das habilidades essenciais para as relações interpessoais e para termos um bom convívio em sociedade. E como ensinar as crianças com transtorno de espectro autista sobre a importância de tais comportamentos?

Quando pensamos em desenvolver nossas habilidades sociais, precisamos considerar o desenvolvimento humano como um todo, visto que, os aspectos físicos, sociais, emocionais e cognitivos estão interligados. Nesse sentido, dizemos que o desenvolvimento humano é um processo contínuo, que envolve mudanças do início ao fim de nossa vida.

Sendo assim, com nossas crianças autistas não é diferente. Para que possam desenvolver socialização, precisamos pensar em auxiliá-las na ampliação de todas as habilidades básicas que precedem esta habilidade complexa, incluindo os processos sensoriais e motores; linguagem; percepção e pensamento, além dos estados emocionais primários e secundários, como: ansiedade, medo, prazer, alegria e entre outros. Quando pensamos no desenvolvimento das crianças, precisamos lembrar-nos de competências comportamentais, considerando também os fatores biológicos que impactam todos esses domínios, atuando em conjunto com os processos de aprendizagem social.

Segundo o DSM-5 (Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), o autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por dificuldades de interação social, comunicação e comportamentos repetitivos e restritos. Nesse sentido, podemos perceber que a comunicação é algo essencialmente difícil para quem possui esse transtorno e consequentemente, podem apresentar déficit significativo na área do desenvolvimento social, sendo de extrema importância que sejam estimulados precocemente a aprender habilidades básicas como: contato visual, atenção compartilhada, comportamento de espera, comportamento de ouvinte, seguimento de instrução e de regras, flexibilidade e resolução de conflitos, que, posteriormente, irão proporcionar a base para que a criança aprenda qualquer outra habilidade necessária para seu desenvolvimento, impactando positivamente em sua independência e qualidade de vida.

Sugestão: assista ao Papo de Mãe sobre como chegar ao diagnóstico de autismo

Costumo brincar que fico feliz que “ser sociável e ser habilidoso socialmente” é uma característica comportamental, ou seja, é uma característica do comportamento da pessoa e não a pessoa em si, sendo uma questão de aprendizagem que pode ser modificável. Pode ser ensinada. Para isso, é necessário que pais e profissionais tenham a visão macro acerca do tratamento, pois assim podem criar estratégias (que estão dentro das possibilidades da família e assim, terão maior eficácia), para o desenvolvimento da linguagem, cognição e motricidade, pensando no meio em que essa família está inserida e no que é socialmente relevante para a criança, a fim de proporcionar autonomia através da inserção da mesma dentro de uma comunidade verbal e social.

Aos pais, digo que a melhor forma de ensinar habilidades para quem tem TEA é a estimulação, o treino e a repetição. É a inserção da criança em novos contextos sociais. É a inserção de comportamentos modelos no dia-a-dia da criança. Juntamente com um plano de ensino realizado a partir da ciência ABA (Análise do Comportamento Aplicada), na qual o profissional realiza uma avaliação do repertório da criança (habilidades que a mesma já possui) e identifica quais as habilidades precisam ser ensinadas de maneira estruturada.

Enquanto a criança está participando do programa ABA, planejado e aplicado pelos profissionais, os pais podem auxiliar na própria casa, durante sua interação com a mesma, mas também em outros contextos que a criança experimenta, como: aniversários, idas ao mercado, shopping, parque, etc.

Por meio de orientações, os pais podem ensinar seus filhos a interagir com diferentes pessoas e respeitar essas diferenças. O uso de imagens como dicas visuais para quem tem TEA é uma ótima forma de praticar o reconhecimento de emoções e sentimentos, por exemplo. Além de identificar e diferenciar o “feliz” e o “triste”, podem explicar o que causou a emoção e como podemos lidar com a situação de forma satisfatória, ou seja, de uma maneira que gere menor sofrimento e mais adaptabilidade dessa criança no futuro. 

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Os pais também podem pensar em atividades em grupo (com a própria família, no ambiente natural da criança) que coloquem a criança em situação de socialização, realização de pedidos e cumprimentos. Temos muitas possibilidades dentro do cenário cotidiano da criança que podem ser aproveitadas para ensiná-la. O uso da tecnologia, por exemplo, pode ser oferecido às crianças com maior funcionalidade, procurando vídeos, desenhos e jogos educativos que trabalham expressão facial, linguagem corporal, comunicação, resolução de problemas, tolerância à frustração e entre outras habilidades importantes que irão facilitar na adaptação social do sujeito.

Dependendo do desenvolvimento cognitivo e compreensivo da sua criança, histórias sociais, fantoches e brincadeiras lúdicas são estratégias que uso com frequência para ensinar habilidades sociais e como lidar com diversas regras e conceitos morais que existem na sociedade e cultura que estamos inseridos.

Lembre-se, o reforço positivo pode ajudar muitas crianças com autismo a terem comportamentos mais adequados e aceitos socialmente. Então, os pais devem elogiar MUITO as crianças quando aprendem uma nova habilidade e recompensá-las pelo bom comportamento, dando acesso aos brinquedos ou comidas preferidas.

*Vitória Machado, psicóloga (CRP SP 06/175930) e coordenadora da Clínica Arte Psico

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