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Gestação: saiba quais são os principais exames

O ginecologista e especialista em reprodução humana, Roberto Antunes, explica a importância de cada exame durante a gravidez

Dr. Roberto de Azevedo Antunes* Publicado em 15/06/2021, às 12h07

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Todos exames e os cuidados necessários durante as diferentes fases da gestação

A avaliação materno e fetal durante a gestação deve começar, idealmente, antes mesmo dela se concretizar. Claro que, muitas vezes, a gestação vem de forma inesperada, mas, quando programada, é sempre importante realizar os exames pré-concepcionais. Nesse momento anterior a gravidez, é interessante fazer um exame do status vacinal das mulheres que querem engravidar e colocar o calendário de imunizações em dia. Além disso, não custa fazer uma pesquisa das principais doenças infecciosas que podem acometer o casal, como HIV, HTLV, sífilis, hepatites, etc. Ainda nesse momento, devem ser checadas a função renal, pressão arterial, metabolismo da glicose e a função tireoidiana das futuras mamães.  

Em casais que possuem idade superior aos 38 anos e naqueles com histórico de doenças genéticas recomenda-se uma avaliação pré-concepcional com um especialista em medicina reprodutiva para definir a necessidade de realizar testes genéticos embrionários pré-implantacionais também. Finalizando essa parte de avaliação antes da gravidez, é válido que a futura mamãe esteja com o seu exame preventivo do câncer de colo de útero em dia, assim como sua avaliação mamária. 

Uma vez que a gravidez ocorra, o primeiro passo é se certificar que a gestação se implantou dentro do útero e não fora dele e qual o número de sacos gestacionais e embriões implantados. Além disso, faz-se necessária a suplementação com ácido fólico ou metilfolato para diminuir os riscos de malformações do tubo neural fetal que, idealmente, deve ser iniciada antes da quinta semana de gestação e mantida até o final do primeiro trimestre.   

A suplementação de derivados do ferro para evitar a anemia vai variar em seu início, para pacientes que comecem o pré-natal anêmicas deve ser imediata. Já para as outras deve ser avaliado o melhor momento de início para suplementação que, na maioria das vezes, pode ser feita a partir do término do primeiro trimestre. Ainda nessa fase da gestação, é feita uma nova rotina laboratorial que inclui avaliação da glicose, tireoide, hemograma completo, pesquisas para toxoplasmose, HIV, sífilis e outras doenças infecto-parasitárias.   

Ao longo de todo o primeiro trimestre da gravidez, a avaliação mais importante do bebê se dá entre a 11ª e a 13ª semanas. Nesse período deve ser feita a avaliação de risco fetal para síndromes genéticas. Esse exame é feito através da avaliação ultrassonográfica onde são analisados parâmetros fetais, como o ducto venoso, translucência nucal e osso nasal. 

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Muitas vezes, se dosar no sangue materno a fração livre do BHCG e o PAPP-A e o resultado pode definir a necessidade de se recomendar exames mais invasivos, como a biópsia de vilo, amniocentese ou cordocentese para esclarecimento de possíveis síndromes como a Síndrome de Down, por exemplo. Atualmente, ainda no primeiro trimestre, é possível realizar a pesquisa do sexo do bebê pelo sangue da mãe, isso a partir da 7a. semana.  

Durante o 2° trimestre da gestação, uma nova rotina laboratorial materna deve ser realizada, o destaque é para a pesquisa do diabetes gestacional. Esse rastreio é feito através do teste de tolerância oral à glicose. Nessa fase, são importantes também, a realização do reforço vacinal para tétano e coqueluche, após a 28ª semana em pacientes que tenham feito a vacina há mais de cinco anos, e a avaliação da isoimunização materna para gestantes com tipo sanguíneo de fator RH negativo. Do ponto de vista fetal, o segundo trimestre é fundamental para a avaliação morfológica e cardíaca do bebê. 

Por fim, a monitoração da pressão arterial deve ser feita com especial cuidado a partir do segundo trimestre, pois é nessa etapa que começam a ser detectados os casos de doença hipertensiva específica da gestação, também conhecida como pré-eclâmpsia. No terceiro e último trimestre da gestação, devemos seguir todas as precauções anteriores do ponto de vista materno. Orientações sobre como o trabalho de parto ocorre e sobre as contrações de preparo são essenciais para que a mamãe fique tranquila.  

Nesse momento, do ponto de vista do bebê, é importante que sejam feitas avaliações periódicas de seu peso e crescimento, assim como do bem-estar fetal. Tais avaliações serão feitas através de exames chamados de cardiotocografia e ecodoppler fetal. A forma como serão feitos vai variar de acordo com a evolução da gravidez e do perfil do obstetra que a estiver acompanhando.  

No momento do parto, independentemente da escolha da mãe por cesárea ou por um parto normal, o principal ponto a ser ressaltado é que ela deve estar bem assistida por uma equipe obstétrica preparada para conduzir o procedimento, respeitando as escolhas dos pais mas com bom senso e tranquilidade para indicar as intervenções precisas, quando necessárias. Além disso, não abra mão de ter presentes nesse momento um pediatra e um anestesista. Feito isso, é só esperar a chegada do bebê! 

Sobre a FERTIPRAXIS Centro de Reprodução Humana - http://www.fertipraxis.com.br

 A Clínica FERTIPRAXIS é certificada pela Rede Latino-americana de Reprodução Assistida por cumprir com eficiência as normas de controle de qualidade requeridas para todos os procedimentos. As instalações modernas são equipadas com recursos de alta tecnologia para manipulação e criopreservação de gametas e embriões, garantindo segurança no manuseio das amostras biológicas. Junto à tecnologia, o acolhimento aos pacientes é objetivo primordial.  Os profissionais que atuam na clínica, médicos especialistas, embriologistas,  enfermagem e psicóloga, utilizam as mais avançadas técnicas de reprodução assistida para atender, orientar e tratar da forma mais adequada as pessoas que querem engravidar.

*Dr. Roberto de Azevedo Antunes

Graduado em Medicina com Especialização em Reprodução Assistida e Endoscopia Ginecológica. Mestre em Ciências da Saúde, com ênfase em Fisiologia endócrina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. É Diretor Médico da FERTIPRAXIS Centro de Reprodução Humana, Diretor da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro e Diretor da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida- SBRA.Doutorando em Ciências da Saúde, pelo programa de Endocrinologia da UFRj

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