Papo de Mãe
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Felicidade instantânea e a criação dos nossos filhos e filhas

Chegamos num momento onde uma empresa promete felicidade instantânea como se fosse possível comprá-la, como se fosse possível trazê-la num potinho, numa entrega, e está permitido.

Roberta Manreza Publicado em 05/02/2021, às 00h00 - Atualizado em 16/02/2021, às 12h04

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5 de fevereiro de 2021


Felicidade se compra e chega rapidinho? Delivery da alegria: Propaganda enganosa e ninguém toma uma atitude. 

Em busca da felicidade dos filhos e filhas

Por Vinicius Campos*

Esses dias estava assistindo tv aqui na Argentina, onde moro, e vi uma publicidade de uma dessas empresas de delivery que assinava assim: “Pedidos já, felicidade instantânea.”

Oi?

Chegamos num momento onde uma empresa promete felicidade instantânea como se fosse possível comprá-la, como se fosse possível trazê-la num potinho, numa entrega, e está permitido. Ninguém vai processar uma empresa por falsa propaganda? Qualquer um pode ir à tv e prometer qualquer coisa sem consequências?

Porém, mais assustador que o conceito de que a felicidade pode ser entregue depois de um pedido por celular, é a ideia de que seja instantânea. Tudo agora, tudo pra ontem, tudo já.

Nossos filhos estão crescendo numa sociedade que vende a ideia de que felicidade se compra e que chega rapidinho. E eu sei que é mentira, você sabe que é mentira, e é nosso dever ensinar isso para os nossos pequenos.

É fundamental que nossas crianças saibam que felicidade se conquista, e ela não se encontra nas coisas e sim nos momentos, nas coisas simples, em pequenos gestos, no contato com a natureza, num carinho, num sorriso, numa canção.

É fundamental que eles saibam que as coisas que realmente são importantes levam tempo para ser construídas, como uma amizade, uma relação de amor, bons resultados na escola, o conhecimento.

Os meios de comunicação, a publicidade, e até mesmo a realidade (quem nunca quis um sorvete no meio da noite e foi muito feliz quando depois de meia hora o pedido chegou em casa e te salvou da falta de glicose), nos dá provas diárias de que podemos satisfazer nossos desejos em apenas um click, mas felicidade é outra coisa e não vem numa caixinha.

Porque se nossos filhos crescem acreditando que felicidade se compra e é instantânea, quando estiverem tristes na adolescência, o que é muito normal, também procurarão essa forma de resolver suas dores. Estou triste? O que resolve isso rapidinho? Deixa eu olhar meu celular. E acredite, não lhe faltarão ofertas, falsas, tão falsas como a promessa dessa propaganda de delivery.

Resta a nós, pais, mostrar aos nossos pequenos a diferença entre satisfação e felicidade. Resta a nós construir momentos reais de felicidade. Levá-los a uma caminhada, a passar um dia na praia, a ter uma tarde com a família, ler um livro juntos, ver um filme, cozinhar, armar um quebra-cabeça, plantar uma árvore, fazer uma horta, costurar juntos a fantasia pro carnaval (pro ano que vem dá tempo).

Que nossas casas sejam um templo de atividades simples, de momentos que não chegam numa caixa, de construção de felicidade real, e que nossos filhos, com o coração quentinho de tanto amor e felicidade sejam especialistas em diferenciar felicidade de satisfação, que sejam especialistas em dar tempo ao tempo, em saber esperar, em ser pacientes para alcançar aquilo que realmente desejam.

*Por Vinicius Campos, escritor e pai de 3 adolescentes – Colunista do Papo de Mãe.
instagram: @viniciuscamposoficial

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