Papo de Mãe
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Estimulação precoce ajuda crianças com sequelas neurológicas

Roberta Manreza Publicado em 28/06/2016, às 00h00 - Atualizado às 10h54

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28 de junho de 2016


Juliana Xavier (IFF/Fiocruz)

A estimulação precoce é um termo que abrange uma variedade de estímulos para auxiliar o desenvolvimento motor e cognitivo de lactentes e crianças. Pode ser definida como um programa de acompanhamento e tratamento multiprofissional para recém-nascidos de risco ou com alguma deficiência. A maior parte dos programas de estimulação precoce objetiva o atendimento de crianças de zero a três anos de idade, envolvendo tipicamente terapias tradicionais como fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia.

Para a coordenadora técnica da Fisioterapia Motora do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Carla Trevisan, a criança com disfunção neurológica apresenta restrições de impacto inicialmente desconhecidas, tanto musculoesqueléticas quanto neurais, para aquisição das habilidades motoras. “Desta forma, o início precoce de um plano de tratamento é fundamental, visto que as interações com o meio ambiente e as interações entre os segmentos corporais afetam o desenvolvimento. A estimulação precoce tem o objetivo de estimular e facilitar posturas e movimentos que favoreçam a aquisição sensório-motora, potencializando o desenvolvimento neuropsicomotor”, explicou ela.

É importante frisar que os programas de estimulação precoce podem ser benéficos para qualquer recém-nascido de risco que apresente condições ou agravos de saúde que interfiram no seu desenvolvimento neuropsicomotor, como a prematuridade, a paralisia cerebral, doenças congênitas, entre outras. “Para lactentes e crianças com microcefalia, a estimulação precoce deve ser iniciada logo após a constatação da mesma, buscando otimizar o desenvolvimento e prevenir ou minimizar sequelas e deformidades”, disse Carla Trevisan.

No início de 2016, o governo federal divulgou uma cartilha com orientações de atendimento especial a crianças de zero a três anos com microcefalia causada pelo vírus zika. O documento tem orientações sobre desenvolvimento neuropsicomotor da criança, como a avaliação do desenvolvimento auditivo, visual, motor, cognitivo e da linguagem, a estimulação precoce e enfatiza a importância da participação da família na estimulação precoce. “A família tem papel primordial neste processo, uma vez que a estimulação deve ser continuada em casa. Desta forma, em nosso serviço sempre propomos que os pais ou responsáveis devam assistir as sessões de atendimento para receberem orientações sobre posturas e estímulos que devem ser realizados em casa. É importante lembrar que as orientações devem ser individualizadas e fornecidas pelo profissional especializado que está atendendo esta criança, a partir das necessidades da mesma”, esclareceu a fisioterapeuta.

De acordo com a publicação, diversas técnicas fisioterapêuticas podem ser usadas para a estimulação precoce, sendo o tratamento neuroevolutivo o mais utilizado no meio terapêutico. “O objetivo é direcionar a facilitação das atividades motoras apropriada para cada criança, baseado na idade cronológica, através de manuseios e facilitações de postura e movimento. Esta abordagem tem por objetivo final a potencialização das atividades funcionais da criança, de maneira que, apesar de algum eventual dano ao sistema nervoso, a criança possa desenvolver suas habilidades e competências funcionais no máximo de suas possibilidades”, finalizou Carla Trevisan.

Confira a Cartilha Diretrizes de Estimulação Precoce – Crianças de zero a 3 anos com Atraso no Desenvolvimento Neuropsicomotor Decorrente de Microcefalia.

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