Papo de Mãe
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Em homenagem ao dia das mães, CUFA Pedreira atende 300 mães solo

A Central Única de Favelas (CUFA) celebra as mães solteiras de 27 comunidades. 11,5 milhões de brasileiras são responsáveis sozinhas por suas casas e pela criação de seus filhos

Maria Cunha* Publicado em 07/05/2021, às 00h00 - Atualizado às 15h35

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(Foto: Reprodução Papo de Mãe)

Neste sábado, 8, a Central Única de Favelas (CUFA) dos bairros do distrito Pedreira (zona sul da cidade de São Paulo) homenageia 300 mães solo de 27 comunidades. A iniciativa tem grande importância simbólica, já que, segundo dados da CUFA, são estimadas 11,5 milhões de brasileiras responsáveis totalmente por suas casas e pela criação de seus filhos. A celebração tem apoio da Dailus, inVicio Fitness Training e da criadora de conteúdo digital Vamos Fazer Juntos.

No evento, que terá início às 10h, serão distribuídas cestas básicas, ovos e itens de beleza. De acordo com Ramos Jesus, presidente da CUFA Pedreira, o objetivo é tornar a data marcante para essas mulheres, “demonstrar o quanto são importantes e serem reconhecidas pela personalidade e instinto de lutar por uma vida melhor para os seus filhos”, afirma Jesus.

Apesar disso, o presidente da CUFA Pedreira informa que a maioria das mensagens recebidas são pedidos e não doações. Por meio das redes sociais do projeto é possível contribuir com a compra de cestas básicas, que custam 58 reais ou mandar doações de alimentos presencialmente. 

É importante dizer que, segundo Ramos Jesus, o projeto não é assistencialista, “Nós estamos assistindo às pessoas em um momento emergencial de pandemia. Elas têm fome. Estamos vendo isso de perto. Mas o nosso projeto é social, então nós vamos atrás de projetos que tragam emprego e renda para as comunidades. Queremos que a pessoa faça um curso e possa se formar em uma profissão.” 

O IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística,  informa que quase 8,5 milhões de mulheres saíram do mercado de trabalho no ano passado. A maior parte delas reside em comunidades como as atendidas pela CUFA Pedreira, na Grande São Paulo. No Distrito de Pedreira, na capital paulista, residem 400 mil pessoas, das quais 95.000 moram em comunidades.

Ação da CUFA Pedreira – Foto: Divulgação

A líder de comunidade do projeto, Rosana Guacuri, explica que ele dá esperança para a maioria das mães assistidas, que estão em situação de pobreza, se sentem vulneráveis e sem ajuda. “A gente vê casos que são bem difíceis de escutar, ainda mais por eu ser mulher e mãe”, completa a líder. 

Rosana conclui ao explicar como funcionará o evento. “Cada comunidade tem o seu horário para que não haja aglomeração. Como não é possível atender todas as mães, selecionamos as que realmente estão com bastante dificuldade agora. O intuito seria atender à todas”. 

Por causa da pandemia, foi montado um circuito em forma de “U” que terá entrada por um lado e saída pelo outro, com voluntários organizando, mantendo a fila em afastamento mínimo de um metro entre pessoas e fiscalizando o uso da máscara. Na entrada, será feita medição de temperatura e um totem com dispenser de álcool em gel e uma cabine de descontaminação serão disponibilizados. 

Jéssica Lima, 24, que tem três filhos, é uma das mães assistidas pelo projeto. Manicure, ela afirma que fazer parte do projeto é muito gratificante e satisfatório. “A CUFA é uma família, eles são muito acolhedores e se comovem com a sua situação e a sua história de vida. Nos momentos que eu mais precisei, eles estiveram comigo”, conta Jéssica.  

Além disso, a manicure relata a importância dos cursos gratuitos da CUFA. “Às vezes, a gente não tem oportunidade porque não tem como pagar um curso e se você não tem uma coisa a mais para adicionar ao seu currículo, você não consegue entrar no meio de trabalho. Eles deram essa oportunidade pra gente”, completa Jéssica.

Sobre o evento do dia das mães, Jéssica Lima diz se sentir emocionada. “Não tem maior presente para uma mãe do que poder dar o alimento pro filho. Muitas mães não têm condições de dar arroz e feijão pro filho”, finaliza a manicure. 

Outra mãe assistida pela CUFA é Marlene da Veiga, 49, que tem quatro filhas e quatro netos. As duas mais novas moram com ela e foram criadas, praticamente, só pela mãe. Para Marlene, fazer parte da CUFA Pedreira é maravilhoso. “Não tem como explicar o que a gente sente fazendo parte desse projeto. Ele impacta minha vida em todos os sentidos. Lá, eles me orientam e me ajudam. São muito importantes não só pra mim, mas pra todas as outras mães que criam os seus filhos sozinhas”. 

A mãe solo conta que a pandemia agravou as dificuldades, mas afirma que a união com as outras mães a fortalece. 

“Com essa doença, está todo mundo muito frágil e a gente tem que se unir para ajudar uma a outra. Está difícil, muito difícil, de verdade. Eu me deparo com várias amigas, colegas e famílias que eu conheci que, nesses dias, estão passando por muita dificuldade sozinhas para criar seus filhos. A luta é grande”, relata Marlene. 

Para o dia das mães, o pedido de Marlene da Veiga é “que as mães solteiras tenham mais atenção, um espaço de amor, carinho e conforto para poder seguir em frente, com dignidade”, conclui Marlene. 

*Maria Cunha é repórter do Papo de Mãe


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