Papo de Mãe
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Educação: relato de telespectadora

pmadmin Publicado em 29/06/2010, às 00h00 - Atualizado às 18h27

29 de junho de 2010


Oi, gente!No Papo de Mãe deste último domingo conversamos sobre Educação. O papo foi, sem dúvida, muito interessante e proveitoso, principalmente porque pudemos escutar não somente os educadores, mas também pais e filhos, para saber o que cada um tem a dizer a respeito das escolas nos dias de hoje.Quem acompanha o blog já deve estar acostumado com a interatividade que a equipe Papo de Mãe faz questão de manter com os seus telespectadores, seja por meio do próprio blog, do e-mail ou das redes sociais. Para nós, a participação de todos é fundamental para manter a qualidade e a proposta do programa, que é sempre levar informação e prestação de serviço, mas de uma maneira leve e descontraída, tal como um verdadeiro papo entre mães (ou entre avós, pais, tios, professores, enfim…) Para nossa alegria, ontem recebemos um relato muito interessante da nossa telespectadora Yra, uma mãe com muita experiência de vida e que tem exata noção da importância da Educação na formação de nossos filhos. Confiram que bacana o que ela tem a dizer e façam seus comentários! “Gosto muito do programa. Sou mãe de um adolescente de 14 anos e tenho outro no ‘céu’ há 16 anos. De 1978 a 1994 estive com ele ‘estudando’. Depois, com a vinda do segundo, estou novamente na escola há 11 anos. É muito tempo (juntando os dois!), e nesse tempo, fui observando, aprendendo, questionando… Resumindo: dói e muito ver como funciona a EDUCAÇÃO. Ou a falta dela…Os dois estudaram em escolas particulares. Ambos paguei por alguns anos e depois passaram para bolsa integral. O primeiro ganhou espontaneamente. Já o segundo, precisei pedir.O primeiro ficou 15 anos no mesmo colégio. De lá entrou na USP. Já o segundo, estudou por 4 anos em um colégio muito, muito bom. Porém, mudamos para o interior e ele está há 7 anos no atual. No próximo ano, me pediu para estudar no Centro Paula Souza, pois tem “fama” de ser melhor…Na minha opinião, enquanto os pais, educadores, professores, governo e qualquer pessoa que trabalhe com educação nesse país não se unirem, vai continuar a mesma ‘josta’ que está aí há anos. Além da união em prol da educação, será preciso que falem a mesma língua, ou seja, escola de primeira para todos, não somente para alguns.O que se vê por aí é que deixam a escola por conta dos alunos, mas eles não têm como saber o que estão perdendo… Os pais já passaram por essa fase e não percebem! No meu caso, plantei na cabecinha dos dois desde pequenos: o gosto pelo saber e pelo conhecimento. Primeiro, porque não quero ver meu filho trabalhando em troca de comida.O pai deles e eu passamos por isso. De 1974 até 1993 nós não podíamos nada. Fiquei 8 anos usando a mesma roupa. Eram 3 peças. Meu marido também. Tudo para conseguir juntar dinheiro… Comida era arroz, feijão, banana, alface, tomate, pão e chá mate. Vícios? Nenhum. Passeios, carro, comer fora, cinema, teatro, viagens, revistas, livros, discos… Isso sempre foi considerado luxo. E muito. A saída para o pobre é unicamente o SABER. E não basta saber fazer, tem que ter o diploma superior, depois fazer e bem feito!Aqui em casa conseguimos subir os degraus da vida. Não queríamos ficar ricos, queríamos ter uma vida digna, já que trabalhávamos dignamente. Há 17 anos meu marido comprou um caminhão usado e velho com dinheiro que guardou dos serviços extras que fez com topografia, mais o FGTS. Desde então melhorou muito, muito mesmo. Neste país, não basta trabalhar para ter um vida decente. Ninguém quer pôr a “mão na massa”. Por outro lado, também não querem pagar um salário decente para quem põe. Aliás, um dos motivos que faço todo o trabalho doméstico ainda e às portas dos 60 anos é que não tenho como pagar um salário de acordo com a minha exigência.Agradeço o espaço e torço para que o país um dia acorde e descubra que a saída é a EDUCAÇÃO. A educação passa por tudo!Embora eu acredite que é quase impossível isto acontecer, por onde eu passo deixo minhas sementes. Assim, quem sabe um dia os serviços considerados menos nobres fiquem apenas para aquelas pessoas que como eu não conseguiram aprender na escola, mas aprenderam na vida. E aprenderam bem, pois trabalharam em empresas excelentes: por 10 anos numa, 10 anos em outra (as anteriores foram como estágios). Enfim, novamente, obrigada!”Yra, nós é que agradecemos pelo seu relato. Muito obrigada e um grande beijo!!!E a nossa DICA DE HOJE é o blog da nossa convidada Vanessa Cabral, que optou por apostar no ensino público para seus dois filhos e acabou criando o blog Escola Pública não é de graça (http://escolapublica.zip.net), espaço em que ela se dedica a refletir sobre esta importante decisão.Por hoje é isto, gente. Continuem acompanhando o blog no decorrer da semana! Um grande beijo e até +!!!