Papo de Mãe
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Economia do cuidado e o papel dos homens

A igualdade de gênero é fundamental no cuidado com a casa e os filhos para que as mulheres não fiquem sobrecarregadas

Leandro Ziotto* Publicado em 02/09/2021, às 07h00

Vini e Leandro - foto: arquivo pessoal
Vini e Leandro - foto: arquivo pessoal
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Estamos acostumados a definir que Economia é apenas uma troca entre pessoas, organizações e nações de recursos, sejam eles monetários, humanos, tecnológicos e etc.

Mas a economia é muito mais do que isso, é um conjunto de regras invisíveis que organiza a forma como vivemos. Outra informação importante a trazer é que nós, seres humanos, somos um dos únicos seres vivos do planeta Terra que necessita de “cuidado” em todas as fases de sua vida. Quando nasce, quando ainda é uma criança, continua necessitando de cuidado na adolescência e até na fase adulta, e já mais velho, na fase mais idosa, o cuidado se faz super presente novamente.

Então podemos julgar que o “cuidado” é o pilar central para a manutenção da sociedade, e assim, consequentemente, da nossa economia. Empresas, organizações e nações são feitas de pessoas, que necessitam de cuidado.

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Assim, podemos afirmar que a Economia do Cuidado subsidia a economia tradicional. Sem o cuidado não haveria comércio, indústria, agronegócio e etc.

Porque se temos adultos saudáveis e economicamente produtivos é porque uma pessoa ou um grupo de pessoas dedicaram décadas para ao cuidado desses adultos. E aqui vai uma observação importante: esse papel é majoritariamente exercido por mulheres.

Mesmo a Economia do Cuidado sustentando todo o planeta é invisibilizado, desvalorizado e majoritariamente exercido por mulheres!

E estamos vivendo a uma enorme crise de “cuidado”, porque um grupo de pessoas são muito bem cuidadas e há um enorme grupo de pessoas que recebe muito pouco cuidado, ou quase nenhum.

Em média, as mulheres gastam 61 horas semanais em trabalhos não remunerados, isto é, cuidando de algo ou de alguém, enquanto homens gastam em torno de 7 horas (IPEA). Significa que os homens passam mais tempo concentrados em trabalhos remunerados, assim só mostra um fator pela desigualdade de renda no quesito gênero.

O trabalho de cuidados não pagos das mulheres equivaleria a 10,8 trilhões de dólares (ILO/OIT), isto é maior que a Vale do Silício.

E os homens nessa história?

Os homens são peça fundamental para a sustentabilidade e equilíbrio dessa balança. Não há a menor possibilidade de atingirmos a meta ODS 5 em 2030, isto é, termos equidade de gênero, onde as mulheres ocuparão os espaços públicos e na iniciativa privada, se nós, homens, não ocuparmos o espaço domésticos. A conta não fecha!

E os dois fatores que estimulam esse desequilíbrio e são pilares centrais para a crise econômica e social que vivemos são: racismo e machismo.

Devido a uma herança escravocrata e racista, aprendemos a desvalorizar o trabalho do cuidado, considerando-o subalterno. E o machismo sobrecarrega fisicamente, mentalmente e emocionalmente as mulheres nesse papel.

A única forma de equilibrarmos a balança é incluirmos os homens na Economia do Cuidado, e como?

  • Com políticas públicas como licença paternidade estendida, lei do fraldário em banheiros masculinos, pré-natal do parceiro, justiça restaurativa entre outras.
  • Com apoio e participação das empresas, desenvolvendo programas de lideranças sobre equidade de gênero, com ações e iniciativas que permitam que colaboradores homens e mulheres exerçam a sua profissão e seu papel de cuidador(a) de forma possível e digna.
  • Com a sociedade formando e nutrindo uma grande rede de apoio, materializando o ditado africano que diz que precisa de toda uma aldeia para se criar uma criança. Uma sociedade cuidadora não é uma sociedade onde todos estão fadados a serem pais ou mães, pois não defendo isso, mas defendo que todos e todas podem ser rede de apoio de alguém.

Só assim, sendo uma sociedade cuidadora, que conseguiremos ser uma sociedade mais justa, equitativa e economicamente sustentável!!!!

leandro
Leandro Ziotto

*Leandro Ziotto, pai afetivo do Vini e fundador da 4daddy, consultoria sobre Parentalidades, Masculinidades e Economia do Cuidado. Signatário da ONU Mulheres.

**O Programa Nestlé por Crianças Mais Saudáveis é uma iniciativa global da Nestlé, que assumiu o compromisso de ajudar 50 milhões de crianças a serem mais saudáveis até 2030 no mundo todo. Desde 1999 foram beneficiadas mais de 3 milhões de crianças no Brasil. 

Com o lema “muda que elas mudam”, a partir de uma plataforma de conteúdo, o programa estimula famílias a adotarem hábitos mais saudáveis e ainda promove um prêmio nacional que ajuda a transformar a realidade de 10 escolas públicas por ano com reformas e mentorias pedagógicas. 

Conheça mais no site do programa

Nestlé por crianças mais saudáveis