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Dúvidas sobre sexo na gravidez: machuca o bebê?

A sexualidade saudável e o sexo seguro na gravidez trazem bem-estar e reforçam ainda mais os laços entre o casal.

Vamberto Maia* Publicado em 14/04/2022, às 06h00

A relação sexual (cópula propriamente dita) é considerada segura durante todas as etapas de uma gravidez em que a mulher não apresenta complicações que possam levar ao aborto ou parto prematuro.
A relação sexual (cópula propriamente dita) é considerada segura durante todas as etapas de uma gravidez em que a mulher não apresenta complicações que possam levar ao aborto ou parto prematuro.

Entre os principais tabus durante a gestação, está a prática sexual. A ideia de que a vagina se torna um lugar sagrado, quase que intocável durante a gestação, ainda persiste. Cabe ao obstetra e a outros profissionais de saúde desmistificarem o sexo durante essa etapa da vida! 

A relação sexual (cópula propriamente dita) é considerada segura durante todas as etapas de uma gravidez em que a mulher não apresenta complicações que possam levar ao aborto ou parto prematuro.

 A relação sexual na gestação só precisa ser encarada com cautela diante de condições como sangramentos em qualquer fase da gravidez (principalmente quando não há uma causa esclarecida), ruptura da bolsa amniótica (pela maior chance de infecção tanto para a mãe quanto para o bebê), contrações prematuras (aumentam chance de parto prematuro), história prévia de abortamentos ou partos prematuros (nesse caso, não há uma contraindicação total; deve ser avaliada caso a caso), diagnóstico de placenta prévia (quando a placenta se encontra à frente do bebê) pelo risco de sangramentos importantes.

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 A concepção de um filho é um momento único para o homem e a mulher. A sexualidade saudável e o sexo seguro trazem bem-estar e reforçam ainda mais os laços entre o casal.

Mas vamos tirar as dúvidas mais frequentes sobre o assunto:

O pênis pode machucar o bebê?

Isso é um mito. Em gestações sem complicações, o colo do útero, além de ter um comprimento de aproximadamente 3,5 a 4 centímetros, o que já distancia o bebê do pênis, encontra-se ocluído por uma substância chamada tampão mucoso que protege a bolsa amniótica do contato com o meio externo. Além disso, a vagina é bastante elástica e, dependendo da posição durante a gestação, ela pode aumentar ou diminuir seu comprimento, evitando que o pênis entre em contato o mínimo possível com o colo uterino.

É verdade que o orgasmo pode estimular o parto?

Não há comprovação científica de que o orgasmo feminino possa induzir o trabalho de parto em gestantes de baixo risco. Mesmo que, durante o orgasmo, ocorram contrações na vagina, essas não se mostram efetivas o suficiente para deflagrar o trabalho de parto. Alguns estudos, inclusive, encontraram resultados que mostram que a prática sexual, na última semana de gestação, retardou o trabalho de parto.

Durante a gestação, o desejo aumenta ou diminui? É mais difícil a mulher ter orgasmo nessa fase?

Não há um dado preciso ou estudos confiáveis sobre o universo de mulheres que apresenta aumento ou diminuição da libido e atividade sexual. A sexualidade é influenciada por componentes físicos, psicológicos e sociais, o que gera uma grande variação de queixas sexuais nesse período. Algumas mulheres que têm sexualidade bem esclarecida, nível de informação bom e vivem uma boa fase do relacionamento referem-se ao aumento do desejo. Outras gestantes afirmam que o aumento do muco vaginal favorece a lubrificação, facilita a penetração e o prazer.

A barriga incomoda na hora do sexo?

Há quem se sinta bastante incomodada com a barriga, com a mudança no corpo refletida em manchas, estrias, ganho de peso, mudança na coloração dos mamilos e vulva. Cada mulher é um universo no que diz respeito à sexualidade e, durante a gravidez, esse universo é ainda mais complexo.

Devemos lembrar ainda que a relação da mulher com o parceiro e ainda do parceiro com a gestação é de suma importância. Muitos homens têm medo do coito em si, de estar machucando o filho e o corpo da mulher durante essa fase. A cumplicidade do parceiro é essencial tanto para as situações em que a relação sexual é permitida quanto para as ocasiões em ela precisa ser evitada.

Todas as práticas sexuais são permitidas durante a gestação?

Existem muitas dúvidas sobre esse assunto. Em linhas gerais, podemos dizer que a posição para o sexo é a que for mais confortável e conveniente para o casal. O sexo oral é permitido (tanto fazer quanto receber) e é uma boa opção para os casos em que é contraindicada a penetração. A masturbação mútua também pode ser uma opção.

E o sexo anal? É permitido?

Muitos casais praticam sexo anal durante a gravidez, principalmente quando o medo da penetração vaginal está presente. Não é contraindicado, desde que obedeça a algumas regras, como uso de preservativos diferentes para a penetração anal e vaginal, além de prática anal após e nunca antes da penetração vaginal. Também se deve ter cuidado com lesões anais, como fissuras e hemorroidas.

Quando a mulher pode voltar a ter relação sexual após o parto?

Após o parto, o tempo mínimo para a retomada da atividade sexual com segurança são 30 dias. Antes desse período, há riscos de infecção, hemorragias e até quadros graves como embolia. Esses riscos são praticamente os mesmos depois do parto normal ou cesárea. É importante lembrar que, no puerpério, há uma diminuição normal do desejo sexual e, por vezes, dores nas primeiras relações pós-parto. É importante sempre informar o médico situações em que essas queixas estão presentes.

*Dr. Vamberto Maia Filho possui graduação em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco (2001). Realizou residência médica em Ginecologia e Obstetrícia (2004) e em Reprodução Humana (2005) pelo Instituto Materno Infantil de Pernambuco (IMIP). Possui título de especialista em Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO/TEGO - 2004) e em endoscopia ginecológica (FEBRASGO -2005). Atualmente é sócio do grupo MAE (Medicina e Atendimento Especializado). Médico do setor de Ginecologia-Endócrina da UNIFESP com ênfase no ensino com linha de pesquisa em implantação embrionária. Responsável pelo ambulatório de hirsutismo do setor de Ginecologia-Endócrina da UNIFESP. Doutor pela UNIFESP. Membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana. Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva - ASRM. Membro da Sociedade Europeia de Reprodução Humana - ESHRE.

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