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Doe sangue: salve uma mãe. A hemoterapia na hemorragia pós-parto

O hematologista Dr. Gustavo Duarte alerta sobre a importância da doação de sangue, principalmente nesse momento da pandemia e explica o que é hemoterapia

Maria Cunha* Publicado em 04/06/2021, às 08h00

A doação de sangue é essencial e não pode ser interrompida
A doação de sangue é essencial e não pode ser interrompida

A H. Hemo, empresa privada de bancos de sangue, lançou a campanha “Doe Sangue. Salve uma mãe”. O médico hematologista Dr. Gustavo Duarte, diretor médico da H. Hemo, explica que a ideia do movimento é alertar a população sobre a ocorrência da hemorragia pós-parto (HPP), que ocorre em cerca de 2% dos partos e leva à morte aproximadamente 140 mil mulheres por ano, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde. Em razão disso, o médico destaca a importância desse evento, atrelado à questão da doação de sangue. 

"A hemorragia pós-parto é um evento que não é tão frequente, mas pode acometer até 10% das gestações. Quando ela é mais intensa, nas maneiras mais graves, ela pode gerar uma hemorragia tão grande que dificulta até a manutenção da vida da própria gestante. Pra que consiga repor esse sangue, que foi perdido, a gente demanda transfusões de sangue, de plasma, por vezes de plaquetas, que só podem ser conseguidos através das doações de sangue", relata o Dr. Gustavo Duarte. 

O hematologista completa ao dizer que a ideia do movimento é que as pessoas lembrem da doação de sangue e voltem a fazer as suas doações regularmente para que os bancos de sangue consigam ter um estoque suficiente para atender gestantes e mães que passam por um período tão difícil, logo depois que o bebê nasce.

"Isso é especialmente importante nesse momento da pandemia, porque a primeira coisa que as pessoas geralmente esquecem é de doar sangue, é a primeira coisa supérflua, que fica para um segundo momento. Então, é um momento muito difícil", expõe o Dr. Gustavo Duarte.

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Além disso, o hematologista lembra que além das vítimas da hemorragia pós-parto, existem os pacientes internados com Covid, as vítimas de acidentes de carro e de trânsito, todos necessitando, muitas vezes, da doação de sangue, independente da pandemia. "Aí a gente tem que lidar com tudo isso com um estoque de sangue muito mais baixo, o que está deixando a situação muito mais perigosa".

Em relação à prevenção da HPP, Dr. Gustavo Duarte explica que a principal maneira de tentar minimizar o risco da hemorragia acontecer é fazendo um pré-natal adequado. "Se a gente conseguir fazer o acompanhamento com o ginecologista, controlar todas as condições do bebê e saber exatamente o que está acontecendo na hora do parto, a chance de desenvolver uma hemorragia é muito menor". A hemorragia pós-parto tende a ser mais comum em gestações de gêmeos, de bebês muito grandes e, eventualmente, a ocorrência de partos mais traumáticos, que precisam usar fórceps ou uma cesárea com complicações.

É importante dizer que o quadro de sangramento, ocasionado pela hemorragia pós-parto, pode gerar uma anemia, que deve ser tratada adequadamente. Dependendo da intensidade, o tratamento pode demorar até seis meses para conseguir reestabelecer o ferro perdido e a pessoa se curar totalmente. 

O hematologista conclui com um pedido: "O nosso grito, o nosso pedido é que as pessoas voltem a fazer suas doações de sangue. Os bancos de sangue estão absolutamente preparados para atender os doadores com segurança, com todas as regras de distanciamento, uso de máscaras e álcool em gel, para que a doação seja absolutamente segura e que a gente possa continuar atendendo as pessoas que precisam da melhor forma possível. Não é algo que a gente pode deixar pra amanhã, as pessoas estão precisando hoje do sangue". 

Dr. Gustavo Duarte, hematologista e diretor médico da H. Hemo
Dr. Gustavo Duarte, hematologista e diretor médico da H. Hemo

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