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Dia Mundial da Alfabetização: como criar crianças leitoras?

Além de terem papel essencial na alfabetização, os livros podem formar adultos que sabem gerenciar melhor as emoções. Veja dicas para incentivar a prática

Sabrina Legramandi* Publicado em 08/09/2021, às 14h41

O interesse pelos livros tem papel essencial no processo de alfabetização
O interesse pelos livros tem papel essencial no processo de alfabetização

A DUDH (Declaração Universal dos Direitos Humanos) considera a alfabetização como um direito fundamental e a base da educação. O dia 8 de setembro é considerado pela ONU (Organização das Nações Unidas) como o Dia Mundial da Alfabetização desde 1967.

Etapa importante nesse processo, o interesse pela leitura pode ser um desafio, especialmente em tempos de internet e redes sociais. Afinal, é possível gerar a paixão pelos livros em uma época digital? E qual o papel do governo e da sociedade nisso?

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Para celebrar o dia e ressaltar a importância da leitura para o processo de alfabetização, o book advisor – profissional que orienta escritores no processo de publicação – e escritor Eduardo Villela, traz dicas para que cada vez mais crianças se interessem pelos livros e para que, no futuro, o Brasil possa finalmente ser um país leitor.

Da alfabetização à gestão de emoções: a importância da leitura no presente e no futuro da criança

Para além de melhorar a alfabetização, a leitura também é capaz de acelerar esse processo. Eduardo Villela explica que os livros estimulam o raciocínio da criança, o que é fundamental para que o ensino tenha uma maior e melhor consistência.

A leitura ajuda a criança a aprender a pensar, a melhorar a percepção do mundo ao seu redor e, inclusive, desenvolve a habilidade de relacionamento com as pessoas à sua volta.” (Eduardo Villela)

Por esse motivo, ler constantemente também tem um impacto positivo no futuro. O escritor afirma que, quando se compara uma criança leitora com uma criança que não possui esse costume, a primeira apresenta um melhor desenvolvimento das suas atividades e, além disso, consegue administrar melhor as emoções.

“A criança que lê desenvolve a sua sensibilidade e tem uma consciência melhor de quem ela é: a leitura também é uma questão de autoconhecimento”, explica Eduardo.

Não sou leitor. Posso formar filhos leitores em tempos digitais?

Pai com um bebê no colo segurando um livro

Basicamente, existem duas instituições que formam a criança leitora: a escola e a família. Para Villela, apesar de os responsáveis serem um exemplo para uma criança apaixonada pelos livros no futuro, o incentivo é essencial.

Para criar interesse, é importante que a família leve a criança a livrarias ou a bibliotecas frequentemente e não apenas compre livros, mas estimule a leitura. “Mães, pais ou responsáveis não podem apenas comprar livros e ficar esperando que a criança pegue sozinha e se interesse: é importante criar uma simbologia para a ação de ler”, afirma Eduardo Villela.

Em tempos de redes sociais, criar simbologias e trocar a internet pelos livros pode ser uma tarefa difícil tanto para crianças quanto para adultos. No caso dos pequenos, Eduardo traz uma dica que pode ser replicada tanto por pais que leem quanto pelos que não têm esse costume: a contação de histórias.

Mais do que separar um momento para ler livros para os filhos, a contação incentiva a imaginação e envolve ir além do que está na história. “Os pais não precisam se restringir ao que está escrito ali no livro, isso é apenas a base, o ponto de partida para aquele momento de leitura: os pais podem construir em cima daquela história”, diz.

Villela traz um exemplo do seu cotidiano: ele é pai do Guilherme, de 2 anos e 2 meses, que adora um livro sobre a história dos pães. Com a sua esposa, Eduardo aproveita o momento de leitura sobre os pães para contar também a história de outros alimentos. Além de educar, o momento da contação de histórias também consegue criar afetividade.

Com a presença constante das telas, ler ganha uma importância ainda maior por tirar a criança de uma postura passiva. “A leitura demanda mais do cérebro da criança: ela exige foco, atenção e imaginação”, diz o book advisor.

Democratizar o acesso à leitura é possível no Brasil?

Eduardo Villela afirma que, antes da pandemia, um fenômeno importante aconteceu no Brasil: o crescimento do número de eventos e feiras literárias. Apesar de o país ter um grande número de bibliotecas, algo essencial à alfabetização ainda não ocorre: o incentivo à leitura.

Para o escritor, deveria ser papel do Ministério da Educação, dos professores e de todos os profissionais envolvidos na “cadeia do livro”, o que abrange editoras, livrarias e bibliotecas, divulgar sobre o papel da leitura para o desenvolvimento infantil.

Infelizmente, o livro ainda não é visto no Brasil como um item de primeira necessidade: é visto como um item supérfluo.” (Eduardo Villela)

Para todas as pessoas – tanto crianças quanto jovens e adultos –, ler é uma das ferramentas mais eficazes que o ser humano tem para aprender. “É preciso organizar eventos, incentivar a leitura e posicionar o livro como uma ferramenta estratégica de desenvolvimento com o surgimento de mais ações de divulgação e valorização do livro e da leitura”, finaliza Villela.

*Sabrina Legramandi é repórter do Papo de Mãe

Assista ao programa do Papo de Mãe sobre criatividade e leitura:

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