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Dia da prematuridade: mudanças de hábitos podem evitar intercorrências na gestação

Alimentação consciente, atividade física, suplementação individualizada e controle do estresse são fundamentais para a saúde da grávida e na prevenção da prematuridade

Carla Delascio* Publicado em 17/11/2021, às 07h00

Orientação na gravidez pode prevenir prematuridade
Orientação na gravidez pode prevenir prematuridade

Uma das principais causas de mortalidade infantil no mundo, a prematuridade é caracterizada pelo nascimento do bebê antes da 37a semana de gestação. De acordo com o relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), anualmente, no mundo, cerca de 30 milhões de bebês nascem antes do tempo, com baixo peso ou adoecem logo nos primeiros dias de vida.

A prematuridade não tem uma causa única. Inúmeros são os fatores de risco, mas muitos podem ser modificados e tratados, diminuindo a incidência de casos. A assistência pré-natal adequada, com foco no rastreamento de riscos, é fundamental para a prevenção de um parto prematuro. Além disso, os ajustes do estilo de vida do casal na pré-concepção podem contribuir para a diminuição de casos.

Quando o casal planeja a gestação junto ao obstetra, é possível fazer ajustes no estilo de vida para corrigir deficiências nutricionais, orientação nutricional com adequação do peso, interrupção de maus hábitos como alcoolismo e tabagismo, estímulo à prática de atividade física, identificação de transtornos mentais como ansiedade e depressão, diagnóstico de distúrbios do sono, entre outros. E a partir do momento que o casal consegue ajustar essas questões, a qualidade dos gametas (óvulo e espermatozoide) melhoram e o útero torna-se mais receptivo, o que contribui para a melhor implantação do saco gestacional e promove uma taxa de sucesso maior da gravidez, prevenindo, assim, intercorrências no ciclo gravídico puerperal.

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Uma vez grávida, a mulher deve contar com uma boa assistência pré-natal, com acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, tendo a oportunidade de programar metabolicamente seu bebê por meio de seus hábitos. Estudos comprovam que é possível corrigir cerca de 80% dos casos dos distúrbios metabólicos na gestação somente com dieta adequada e atividade física orientada. Dessa forma, é possível diminuir a incidência de algumas doenças, como diabetes gestacional, obesidade e hipertensão arterial, que são grandes fatores de risco para a prematuridade.

Há algumas situações em que a paciente tem limitações para fazer tudo o que o médico solicita, mas com pequenas mudanças de hábitos, já é possível alcançar inúmeros benefícios. Por isso a importância de individualizar cada atendimento, atentando para as condutas que sejam sustentáveis para cada mulher diante de suas condições.

Outras pesquisas mostram, ainda, que a exposição materna a uma dieta desequilibrada durante a gestação, e até mesmo antes de engravidar, pode aumentar o risco de o bebê apresentar problemas de saúde em sua vida adulta. Ou seja, uma alimentação consciente e o não sedentarismo tornam-se ferramentas práticas e acessíveis a todas as mulheres, podendo, assim, prevenir inúmeras doenças. Além disso, a suplementação adequada durante a gravidez contribui para diminuir os riscos de intercorrências gestacionais e prematuridade, otimizando o crescimento do bebê e prevenindo doenças da mãe, como anemia e desnutrição, além de melhorar a qualidade de vida da gestante ao longo dos nove meses e período de lactação.

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Também, um bom acompanhamento psicológico pode ajudar a prevenir o transtorno de ansiedade, doença extremamente prevalente com consequências sérias para a mãe e o bebê, incluindo a prematuridade. Com técnicas alternativas da medicina tradicional chinesa, como a acupuntura, é possível otimizar os níveis pressóricos, melhorar a insônia e ansiedade, podendo, inclusive, inibir as contrações precoces. Por isso, é importante que tanto gestantes como as mulheres que tenham a intenção de engravidar passem por um atendimento integrado desde o período pré-concepção.

Ainda há muito o que fazer para prevenir a prematuridade, mas começar planejando a gravidez do casal pode fazer a diferença, bem como contribuir para a prevenção de doenças na vida adulta – já que, por meio da epigenética, hoje é possível identificar que muitas das doenças do adulto podem ter gatilho de desenvolvimento na vida intrauterina.

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A ginecologista e obstetra Carla Delascio

*Dra. Carla Delascio (CRM 115.621) é  ginecologista e obstetra especializada em nutrologia do Centro de Medicina Integrativa do Hospital e Maternidade Pro Matre.

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